Com dificuldades para pagar a folha de pagamento do mês de junho e diante da possibilidade de não retorno após o recesso de julho, representantes de quatro creches ligadas a Igreja Católica se reuniram na manhã de sexta-feira, 10 de julho, com o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, em busca de uma solução para o problema.
Segundo relataram as representantes, a Prefeitura de Petrópolis ainda não efetuou o repasse referente ao mês de junho. Diante disso, as creches vêm sendo obrigadas a contrair empréstimos para honrar a folha de pagamento e cobrir outras despesas, como o complemento da merenda escolar. Essa situação se apresenta insustentável.
Participaram da reunião representantes das creches São Judas Tadeu (Mosela), São José (Oblatas de Nazaré), São Charbel (Caxambu) e Santo Antônio (Nogueira). Elas relataram uma grande insatisfação por parte dos funcionários em razão do atraso no pagamento dos salários, além de preocupação crescente entre os pais. Juntas, as instituições atendem cerca de 500 crianças, e muitas famílias dependem diretamente do serviço oferecido pelas creches.
As representantes também destacaram que, além de permitir que pais e mães possam trabalhar, as creches atendem crianças, muitas das quais em situação de extrema vulnerabilidade social, que não podem ter o acompanhamento interrompido ou paralisado. Elas consideram a situação grave e informaram ao bispo que, apesar de se colocarem à disposição para o diálogo e de procurarem a Secretaria Municipal de Educação, não têm obtido retorno por parte do poder público.
Além de Dom Joel, estiveram presentes na reunião o vigário geral da Diocese, Padre Paulo César Rodrigues Magalhães; o vice-econômo da Mitra e pároco de São Judas Tadeu, na Mosela, Padre Lucas Thadeu da Silva; o pároco de Santo Antônio e Santo Agostinho, em Nogueira, Padre Alexandre Brandão dos Santos; e o assessor jurídico da Mitra, Dr. Anderson Cunha.
Durante o encontro, as representantes das creches relataram que havia a promessa de aumento da per capita por criança, atualmente no valor de R$ 380,00. O anúncio teria sido feito no início do amo, mas, até o momento, não foi concretizado. Agora, além da não efetivação do reajuste, os repasses mensais estão atrasados. Segundo as representantes, a situação compromete todo o planejamento financeiro das instituições e torna o futuro dos serviços ainda mais incerto.
O bispo diocesano manifestou apoio integral às creches, afirmando que o compromisso da Diocese é buscar todos os meios possíveis para continuar atendendo às crianças e honrando os compromissos com os colaboradores. Ele lamentou a situação e reforçou que tanto a Diocese quanto as creches permanecem abertas ao diálogo com a Prefeitura, na busca de uma solução que atenda às necessidades das instituições. Caso nenhuma solução seja encontrada, não se vislumbra outra situação a não ser o fechamento das creches.
O Padre Lucas e o Dr. Anderson, que acompanham de perto os esforços das creches para manter os serviços em funcionamento, alertaram que a situação caminha para um cenário ainda mais complicado. De acordo com eles, cada instituição tem recorrido a empréstimos e a outras formas de captação de recursos para evitar a interrupção das atividades. Ambos confirmaram ao bispo que todas as medidas possíveis para o diálogo e a busca de uma solução já foram tentadas, mas lamentaram que o retorno não tem sido satisfatório, especialmente em função do atraso no repasse de junho.







