80 Anos da Diocese de Petrópolis: Restos mortais de Monsenhor Paulo Daher repousam na cripta no Seminário Diocesano

Em uma cerimônia marcada por emoção e gratidão, a Diocese de Petrópolis inaugurou parcialmente, no último dia 25 de julho, a Cripta na nova capela do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor. A data, que celebra o Apóstolo São Tiago e São Cristóvão, também o aniversário de nascimento do Monsenhor Paulo Elias Daher Chédier (1931-2019), foi escolhida para as comemorações dos 80 anos da Diocese e para o translado dos restos mortais do monsenhor que agora repousam no novo espaço.

A celebração eucarística foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, e concelebrada por diversos padres diocesanos, em um testemunho de unidade e reconhecimento à dedicação de Monsenhor Daher, que por 64 anos doou sua vida ao ministério sacerdotal.

Um sonho realizado e um legado para o futuro

Durante a homilia, Dom Joel Portella Amado destacou a importância do momento. “Precisaríamos de algum motivo a mais para voltar, eu sempre insisto bastante nisso. Estar diante do altar já é um valor em si. Mas, às vezes, a gente precisa olhar o altar e olhar a vida”, afirmou o bispo, ressaltando a gratidão a Deus por todos os fatos que marcaram os 80 anos da diocese. Ele lembrou que a dedicação e o sonho pela educação de Monsenhor Paulo Daher foram um dos marcos mais significativos.

“A gratidão por meio de Monsenhor Paulo a cada um dos outros padres. E eu repito, mesmo que o nome deles não esteja aqui hoje mencionado, aquele que sabe tudo, aquele que interessa todas as intenções e situações da vida, é esse sábio, o Senhor da paz, da vida, de todas as vocações, é esse sábio, que ao colocarmos ali os restos mortais de Monsenhor Paulo, nós já queremos hoje dizer, obrigado Senhor, por todos aqueles corações chamados ao longo desses 80 anos”, declarou Dom Joel.

O bispo também enfatizou o simbolismo da Cripta estar localizada no seminário. “É o local onde se começa de modo mais intenso a resposta ao chamado de Deus. É aquele local que de portas e corações abertos vai dizer a cada padre, você começou aqui, então fica aqui”, disse. Ele expressou a esperança de que os seminaristas, ao olharem os nomes ali depositados, se inspirem na fidelidade desses homens aos desafios de seu tempo.

A busca por um lugar digno

A Professora Maria Nilva, visivelmente emocionada, compartilhou a origem do projeto. “O Monsenhor para mim representa tudo. Tudo que eu sou, tenho e faço, aprendi com Ele. E hoje, aqui, vendo isso, eu estou muito emocionada. É um sonho realizado, graças à ajuda de tanta gente”, revelou. Ela contou que a ideia surgiu após o sepultamento de Monsenhor Daher. “Eu fiquei muito triste. Eu pensei assim, poxa, os padres não têm um lugar digno para ser enterrado. Então a gente fez um abaixo-assinado. Umas duas mil pessoas assinaram, e eu entreguei a Dom Gregório (na época bispo em Petrópolis) pedindo que se pudéssemos levar os restos mortais do Monsenhor um dia, ou para o seminário ou para a Catedral.”

O Conselho votou pelo seminário, em reconhecimento ao trabalho de Monsenhor Daher. “E assim começamos a pensar no projeto e a angariar fundos. E até hoje estamos aí na luta, e se Deus quiser, daqui a pouco está tudo pronto para receber todos os outros que virão”, explicou Maria Nilva. O projeto, que inicialmente visava apenas Monsenhor Daher, expandiu-se para acolher todos os padres falecidos da diocese. “Acolher todos os padres, eu acho que foi a maior graça que nós conseguimos e agora está sendo concretizado”, celebrou.

Reconhecimento e gratidão de ex-alunos

Paulo Machado de Souza, ex-aluno do Seminário e de Monsenhor Daher, expressou seu sentimento de justiça e louvor pela iniciativa. “Muito justo e louvável, porque, de contas, quem se dedicou a vida toda à Igreja, às coisas da Igreja, merece um reconhecimento. E esse é um símbolo material do nosso reconhecimento”, afirmou.

Com a voz embargada, ele relembrou o impacto do Monsenhor em sua vida. “Eu tenho uma especial emoção por isso, porque eu fui aluno dele, e foi há 70 anos que eu o conheci aqui. Então, esse professor maravilhoso, marcou a minha vida indelevelmente.” Machado de Souza enfatizou como a experiência no seminário foi fundamental para sua formação humana. “Sem dúvida. Todo dia me lembro disso. Foi fundamental para as coisas que eu andei fazendo pela vida, e para evitar as coisas ruins, graças a Deus o senhor partilhou o caminho do bem.”

Obra em andamento e pedido de apoio

O reitor do Seminário Diocesano, Padre Luiz Henrique, fez questão de lembrar que, apesar do translado, a obra da capela e da cripta ainda não está concluída. “Ainda há muita coisa a ser feita para concluir a obra de construção da capela e da cripta, lembrando que o translado dos restos mortais do Monsenhor Daher, não significa que está tudo pronto”, alertou. Ele agradeceu a presença de todos e pediu que continuem ajudando para que a obra seja finalizada e, assim, todos os padres já falecidos sepultados no Cemitério Municipal possam ser transladados para o novo espaço.

Após a missa e a cerimônia do translado, os presentes puderam se confraternizar em um Café Colonial no pátio do Seminário, com apresentação dos alunos do Espaço Artístico Monsenhor Paulo Daher, destinado a ensinar música as crianças. Toda a renda do café é destinada às obras da capela e da cripta, que contam com o apoio de amigos e benfeitores do Seminário. A Diocese de Petrópolis, ao celebrar seus 80 anos, reafirma seu compromisso com a memória de seus sacerdotes e com a formação das futuras gerações, em um local que será, nas palavras de Dom Joel, “um local de paz, de vida e de esperança”.

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