O Sim dos Nossos Atos: Do Arrependimento à Vinha do Pai -Pe. Anderson Alves

O Sim dos Nossos Atos: Do Arrependimento à Vinha do Pai

Meus irmãos e minhas irmãs, celebrando hoje o 26º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos dá uma continuação direta do Evangelho do domingo passado. Nestes dois textos, a Igreja nos faz um convite insistente: o chamado à conversão e ao arrependimento sincero dos nossos pecados. Deus nos pede para voltarmos o nosso coração e as nossas obras para Ele, vivendo verdadeiramente como Seus filhos, e não como filhos do pecado e da morte.

Na semana passada, no capítulo 20 de São Mateus, ouvimos a parábola daquele pai de família que saiu a procurar trabalhadores para a sua vinha durante quatro períodos do dia: na hora terceira, na hora sexta, na hora nona e na undécima hora. Qual era a mensagem central de Jesus? A de que Deus chama os homens em todos os tempos e em toda a história. A nossa vida presente é o tempo de graça que Deus nos dá para nos convertermos e voltarmos para Ele. Os Padres da Igreja viam nesses quatro horários as quatro grandes etapas da História da Salvação dentro do povo de Israel: a era dos Patriarcas, a época da Lei e dos Legisladores, o tempo dos Profetas e, por fim, a era dos Apóstolos. Em todas essas fases, Deus chamou a humanidade para trabalhar na Sua vinha e viver em comunhão com o Dono da casa.

Hoje, no capítulo 21, Jesus dá continuidade a esse ensino. O Pai de família já não vai à praça procurar desconhecidos, mas dirige-se diretamente aos Seus dois filhos. O primeiro responde com dureza, dizendo que não quer ir, mas depois, tocado pelo arrepio do remorso, arrepende-se e vai trabalhar. O segundo responde com polidez e reverência, dizendo que vai, mas volta as costas e não pisa na vinha. Os Padres da Igreja explicam que esses dois filhos representam dois povos. O primeiro filho representa o povo pagão, a descendência de Adão fora da Aliança, que inicialmente dizia não a Deus por meio de seus pecados. O segundo filho representa o povo de Israel, que professava a Aliança com os lábios, mas cujo coração permanecia longe. E Jesus nos mostra algo impressionante: esses dois povos são irmãos. Não há divisão. Judeus e pagãos são todos chamados a trabalhar na mesma vinha do único Deus e Pai.

Trabalhar na vinha do Senhor significa, em primeiro lugar, estar perto d’Ele, habitar a mesma propriedade do Pai e viver na Sua intimidade. Não existe recompensa maior do que o próprio Senhor. Não há trabalho melhor do que servir na casa do nosso Pai Celestial. Trabalhar na vinha é ouvir a Sua Palavra, colocá-la em prática, cultivá-la no mundo e viver a verdadeira caridade no amor a Deus e ao próximo.

Jesus dirigiu essa parábola aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, os líderes de Israel. No passado, aos pés do monte Sinai e no tempo de Josué, o povo de Israel disse sim, prometendo servir ao Senhor. Porém, quando João Batista veio pregando o batismo de conversão, esses líderes fecharam os corações. Ficaram presos à ilusão de um sim superficial que não se traduzia em vida. Por outro lado, os cobradores de impostos e as prostitutas, que viviam na negação e no pecado, arrependeram-se ao ouvir a pregação, mudaram de vida e entraram na vinha. Por isso Jesus faz essa afirmação tão exigente: em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus.

E por que Jesus escolheu justamente a imagem de uma vinha? Porque a vinha produz a uva, e da uva vem o vinho, que é a matéria-prima que o próprio Cristo escolheu para instituir o sacramento da Eucaristia. Na Última Ceia, ao tomar o cálice com vinho, Ele disse: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna Aliança. A vinha nos recorda o sacrifício de Cristo na Cruz, o Seu amor doado por nós em cada Santa Missa. Antes do nosso trabalho, vem o trabalho amoroso que Ele fez por nossa salvação.

Observando os dois filhos da parábola, percebemos que ambos erraram ao separar a palavra do ato. Um disse não e fez sim; o outro disse sim e fez não. O Senhor espera de nós a coerência perfeita: deseja que digamos sim ao Senhor na oração e na missa, mas que ao sairmos daqui, façamos esse sim acontecer em nossas ações, servindo de verdade na família, no trabalho e na sociedade. Como ensinava São João da Cruz, para Deus, servir é o mesmo que reinar. Que nesta semana possamos dizer diariamente ao Senhor: sim, Pai, eu vou trabalhar na Tua vinha, vivendo e comunicando o Teu amor a todos os nossos irmãos. Amém.

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