A Diocese de Petrópolis vivenciou um marco histórico no dia 25 de julho com a realização do seu primeiro Congresso Diocesano “Missionários em Ação”. O evento, que reuniu 80 missionários na Paróquia Santo Tomás de Aquino, no Retiro, foi organizado pelo Conselho Missionário Diocesano (Comidi) e teve como ponto central a realização de missões práticas em comunidades locais, como o Morro do Neylor, Vale dos Esquilos e nas áreas adjacentes à Igreja Matriz do Retiro.

O congresso culminou com a presença do bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, que abençoou e enviou os missionários, incentivando-os a prosseguir com a missão de anunciar Cristo em suas paróquias e comunidades. Dom Joel enfatizou a importância do encontro pessoal como ponto de partida da missão, destacando a oportunidade de testemunhar Cristo. Ele ressaltou a diversidade dos participantes, que incluíam representantes de paróquias, movimentos, novas comunidades e comunidades de vida consagrada, evidenciando o “rosto multiforme da diocese” unido pelo espírito missionário.

A programação do congresso contou com a participação do coordenador da Ação Missionária e Cooperação Intereclesial e do Conselho Missionário Regional (Comire) do Regional Leste 1 da CNBB, Padre Carlos Eduardo “Cadu”, da Arquidiocese de Niterói, que ministrou uma formação sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Outra palestra foi conduzida pelo Padre Ronald Cankin Ma Lam, coordenador do Comidi da Diocese de Petrópolis.
O Comidi esteve amplamente representado, com a presença do Padre Carlos Lopes Caridade, administrador paroquial de Santo Tomás de Aquino; o diácono permanente Sérgio Aníbal Gonzalez Alonso, assessor eclesiástico para a Infância e Adolescência Missionária (IAM); Alexandre Nunes da Conceição, da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém; e a Irmã Josina Sousa de Lima, da Congregação das Irmãs Nossa Senhora do Amparo.
Além dos missionários diocesanos, o congresso contou com a participação de jovens missionários dos Estados Unidos. Muitos deles tiveram sua primeira experiência missionária no Brasil, visitando casas e conhecendo a realidade das famílias. Em seus depoimentos, ressaltaram a importância desse contato e como ele os motivará a serem missionários em suas comunidades e universidades.

Os missionários da Diocese de Petrópolis representavam diversas Novas Comunidades, como Dolorosa de Jerusalém, Ágape, Shalom, Filhos de Amós e Nossa Senhora da Ajuda, além das pastorais da Criança e de Rua – São Francisco de Assis, que atua em Teresópolis. A maioria dos participantes veio de paróquias como Santa Rita de Cássia do Castrioto, São Sebastião do Carangola, São João Batista da Posse, São José em Itaipava, Nossa Senhora Aparecida em Parada Modelo, São Nicolau em Suruí, São Judas Tadeu na Mosela, Sagrado Coração em Petrópolis, São Sebastião em Piabetá (Canossianos), São Charbel em Teresópolis, São Jorge no Independência, Santo Antônio no Alto da Serra em Petrópolis, São Sebastião em Piabetá, Sagrado Coração de Jesus em Teresópolis e São Pedro em Teresópolis.
A renovação da experiência missionária
O Padre Ronald Cankin Ma Lam, coordenador do Comidi, explicou a estrutura e a motivação do congresso. “Uma grande motivação foi o marco dos 80 anos, celebrados com gratidão, missão e compromisso. Ao observarmos os modelos dos padres e dos leigos, todos os fiéis da Diocese que nos precederam, sentimos a inquietude de renovar nosso trabalho missionário”, afirmou. De acordo com ele, durante as conversas no Congresso, comentou-se sobre iniciativas anteriores, como o “Evangelização 2000” com Monsenhor Luís Mello.

Sobre a proposta do congresso, Padre Ronald detalhou: “O desejo de todos nós que fazemos parte do Conselho era renovar a experiência missionária em nossa diocese, ter um momento de articulação missionária para que possamos nos encontrar e nos conhecer, nós que realizamos o trabalho de missões, e, finalmente, que também possamos realmente realizar a missão.” A escolha da Paróquia de Santo Tomás de Aquino foi estratégica, devido às suas comunidades que necessitam de evangelização e à recente designação de um membro do Comidi como administrador paroquial.
O congresso não se limitou aos membros da diocese. “Tivemos, por um lado, a participação do presidente do Comire (Conselho Missionário Regional), o Padre Carlos Eduardo ‘Cadu’, da Arquidiocese de Niterói, que partilhou conosco reflexões pela manhã sobre as diretrizes gerais da ação evangelizadora”, disse Padre Ronald. Ele também destacou a presença de jovens missionários americanos, que participam de um projeto da Jornada Mundial da Juventude e estiveram em diferentes decanatos da diocese.

Uma Igreja Missionária e Sinodal
Dom Joel Portella Amado expressou suas expectativas para a diocese após o congresso. “A Igreja sempre foi missionária, mas o momento atual pede que ela seja ainda mais, e que priorize o encontro com aquelas situações em que, tendo conhecido Jesus, dele se esqueceram, dele se afastaram, ou que nunca ouviram falar de Jesus – e é muita gente”, declarou o bispo. Ele enfatizou que a Igreja não deve ser “autorreferencial, voltada apenas para si”, mas sim fortalecer os fiéis para que “saiam em missão para falar da alegria do Evangelho.”

O bispo conectou o congresso à celebração dos 80 anos da diocese, destacando a memória, gratidão e compromisso. “Hoje de manhã nós tivemos a colocação dos restos mortais de Monsenhor Paulo Daher na Capela da Cripta do Seminário, um gesto de gratidão. Mas, ao mesmo tempo, na mesma hora, começava na Paróquia São Tomás de Aquino do Retiro o Congresso Missionário, o compromisso: atualizar para hoje o que aqueles que nos antecederam sonharam, pelo que deram a vida”, explicou.
Dom Joel ressaltou que o congresso não é um evento isolado, mas um “impulsionador de processos para outras atitudes”, citando as visitas às comunidades, o contato com a Pastoral da Criança e o intercâmbio cultural como exemplos de como “a missão tem muitos rostos”. “O que se fez aqui? Não apenas se ouviu sobre a importância da missão, mas se viveu. Algumas experiências foram vividas para concretizar a missão”, concluiu.
O Cristo nas comunidades
Fernando, coordenador da Pastoral de Rua São Francisco de Assis em Teresópolis, compartilhou sua experiência missionária ao participar do Congresso. “Hoje compreendemos que evangelizar não é apenas falar de Jesus, mas permitir que Ele caminhe conosco pelas ruas, pelos morros e, sobretudo, pelos corações”, disse. Ele descreveu a visita ao Morro do Neylor como um encontro com “altares vivos, onde Cristo continua crucificado na dor, na pobreza, na solidão e, ao mesmo tempo, ressuscitado na fé daqueles que, mesmo tendo tão pouco, possuem um coração inteiramente entregue a Deus.”

Fernando relatou ter visto “crianças sedentas de carinho, famílias necessitadas de esperança e pessoas que, ao ouvirem o nome de Jesus, deixaram as lágrimas falarem aquilo que as palavras já não conseguiam expressar.” Para ele, a missão não transforma apenas quem recebe, mas “converte, antes de tudo, quem se dispõe a ir.” Ele concluiu com um apelo: “Que este Congresso Diocesano não termine hoje. Que ele continue em nossas atitudes, em nossa disponibilidade e no nosso ardor missionário. Porque uma Igreja que não sai ao encontro perde a essência do Evangelho.”
O Missionário como ponte
Franklin Cunha Cardoso, fundador da Comunidade Nossa Senhora da Ajuda em Teresópolis, destacou a importância do missionário como elo entre a Igreja e a comunidade. “Para mim foi muito importante. Mostrou mais uma vez a importância do missionário que faz essa ponte da comunidade, da população com a igreja”, afirmou.

Ele narrou uma experiência marcante: a visita a uma senhora com deficiência visual que desejava se confessar, mas não sabia como. “Através dessa visita, pudemos levar para ela o dia que o padre atende na sua comunidade, bem próximo. Então, o padre atendia bem próximo da sua casa e ela não sabia”, contou, “a simples visita trouxe grande alegria à senhora”.
Franklin enfatizou que o missionário “é a ponte entre a igreja, entre o pastor, sacerdote local e as suas ovelhas.” Ele acredita que a experiência missionária do congresso reforçará seu trabalho com pessoas especiais, especialmente no projeto Teresinha, que empresta objetos ortopédicos. “A importância de não só emprestar, mas da visita. O contato, muito mais do que a ajuda física ali do objeto, podemos contribuir visitando essas famílias, vendo as outras necessidades espirituais também que essas pessoas precisam”, concluiu.
A surpresa da Igreja em missão
João Borges, da Paróquia São Sebastião em Piabetá, descreveu o congresso como um “sucesso” e um “recarregar o novo”. “É um trabalho que está sendo interessante para as nossas comunidades”, disse. Ele destacou a visita às comunidades como o ponto que mais chamou sua atenção. “Comunidade muito sofrida onde nós estivemos. Acredito que vale a pena fazer missão, visitar as famílias e conhecer a realidade de cada uma, porque o mais bonito é a Igreja Católica fazendo missões”, observou.

João relatou a surpresa das pessoas ao verem a Igreja Católica em missão. “Com certeza essa foi a surpresa que a gente encontrou”, afirmou. Ele, que já foi catequista, expressou o desejo de levar as experiências do congresso para a prática em sua comunidade.
A formação dos seminaristas para o sacerdócio
Os seminaristas da Diocese de Petrópolis, Diego da Silva e Bruno Macedo, compartilharam suas perspectivas sobre a contribuição do congresso para sua formação. Diego da Silva destacou a importância de olhar para o testemunho dos padres que os precederam, como os sepultados na cripta do seminário. “Se eles conseguiram, nós também, com a graça de Deus, conseguiremos e, olhando para eles, para o testemunho que eles deram, vamos seguir em frente”, disse. Ele também valorizou o contato com os missionários do “Missão Brasil”, que permite conhecer outras realidades.

Bruno Macedo, por sua vez, ressaltou a inspiração vinda dos jovens missionários. “Acredito que é uma forma de vermos como a juventude está caminhando hoje em dia. Nós temos muitos jovens que não se interessam pela fé cristã, e ver a atitude e a iniciativa de cada um hoje em dia, o amor deles pela Igreja, é muito gratificante”, afirmou. Para ele, essa experiência fortalece sua fé na juventude e na capacidade de serem “testemunhos de Cristo, e bem dizer o nome de Cristo, e levar o Santo Evangelho para todas as pessoas.”
Superando Desafios para a Missão
O Padre Carlos Caridade, administrador paroquial de Santo Tomás de Aquino, revelou os desafios enfrentados para a realização do congresso. Inicialmente, a data precisou ser alterada devido à previsão de um jogo da Copa do Mundo do Brasil, que coincidiria com o dia 4 de julho. “Para não correr o risco de fazer missão junto com o jogo do Brasil, nós tivemos o problema de mudar a data”, explicou. A mudança de data também implicou na alteração do local, que seria na comunidade de São Cristóvão.

Padre Carlos assumiu a paróquia há apenas um mês, e a decisão de sediar o congresso foi tomada antes de sua chegada. Ele expressou sua preocupação inicial com a organização, mas viu a providência divina em meio às dificuldades, incluindo uma lesão que o impediu de participar ativamente, mas o levou a “oferecer cada momento” do congresso como uma “oferta de dor”. “E, na verdade, o Congresso trabalhou muito melhor do que eu já tinha pensado”, confessou. Ele concluiu agradecendo a todos e expressando o desejo de que o congresso seja um instrumento para a continuidade da missão na paróquia e na diocese, levando a esperança do Evangelho a todas as famílias.
Texto: Rogerio Tosta / Ascom Diocese de Petrópolis Fotos: Rogerio Tosta e equipe do Comidi





