Em uma noite de celebração e profunda reflexão, a Igreja São Sebastião, localizada na Rua J, em Fragoso, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Raiz da Serra, foi reinaugurada após obras de reforma e restauração. A missa solene, presidida pelo bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, na noite de 28 de julho, transformou-se em uma homilia inspiradora sobre a beleza da fé, a força da comunidade e a presença de Deus.
Dom Joel iniciou sua homilia rememorando uma experiência recente: “No início da missa, eu voltei a me lembrar que em março eu estive aqui na paróquia, numa outra capela, numa celebração como essa, inaugurando as obras ou abençoando as obras da Capela São José. Quando eu cheguei lá, aconteceu a mesma coisa aqui, quando eu cheguei. Eu falei, a igreja está bonita demais. Disse a mesma coisa lá e disse aqui, vocês concordam que está bonita? É tão bonita que eu acho que eu levo ela pra mim, não dá, não pode.”
O bispo enfatizou que a beleza física do templo é um reflexo de algo muito maior. “Aqui eu diria que está todo o sentido, toda a grandeza da nossa celebração. É, sem dúvida alguma, uma celebração de ação de graças. Ação de graças pelo trabalho da comunidade reunida, com o Padre Marcelo, com toda a equipe, todos vocês, para que essa igreja se torne bonita, cada vez mais bonita.”
Dom Joel aprofundou a reflexão sobre o propósito da beleza nas igrejas: “É bom que a gente, quando se depare com uma obra de arte, com uma igreja tão bonita, nós nos perguntemos por quê? Por que as igrejas são chamadas a serem locais bonitos? Porque, mais do que a beleza física, que alegra aos nossos olhos, há uma beleza ainda muito maior, que deve alegrar o nosso coração, a nossa mente, toda a nossa vida. E essa beleza se chama o amor de Deus.”
Ele prosseguiu, destacando que a alegria de ver a igreja renovada é um vislumbre do amor divino: “Se nós nos alegramos em ver uma igreja bonita, se nós nos alegramos por ver o trabalho da comunidade que se concretizou, não apenas, mas hoje, principalmente, numa igreja tão bonita, nós devemos pensar assim, o amor de Deus é maior ainda do que tudo isso. O que eu estou percebendo aqui é uma gota de tudo aquilo que esse mistério a quem nós chamamos Deus e que Jesus, na força do Espírito, mostrou que é um pai de bondade, um pai de misericórdia.”
Com um toque de humor, Dom Joel expressou o desejo de permanecer no local: “Meu Deus do céu, se eu vejo tudo isso, me alegro, e não tô brincando não, não dá vontade de ir embora. Dá vontade de ficar, porque onde a gente se sente bem, a gente quer ficar. Imagina isso, você poder estar diante do próprio amor de Deus.”
O bispo também abordou a simbologia da aspersão durante a celebração, que tocou tanto as paredes quanto as pessoas. Ele ressaltou a interconexão entre a “igreja-prédio” e a “igreja-gente”: “Aquele amor de Deus fez com que, na força do Espírito, a igreja se edificasse, não apenas como uma igreja-prédio, mas que ela pudesse, de alguma maneira, ser expressa na igreja-gente, e a igreja-gente, de alguma maneira, ela pudesse ser expressa na igreja-prédio.”
Dom Joel comparou os fiéis às colunas que sustentam o templo: “Quem são as colunas aqui da comunidade? São todos vocês. Portanto, quando você olha para uma coluna de pedra, você tem que, se me permitem sugerir, olhar para o lado e dizer, você é uma coluna da nossa comunidade.” Ele enfatizou que a beleza de uma igreja se completa com a presença da comunidade: “A igreja vazia, ela reflete toda a beleza do prédio, mas a igreja fica muito mais bonita quando, junto com as flores, junto com cada detalhe estético, tem a beleza da comunidade.”
A localização da Igreja São Sebastião, em uma rua de grande passagem, foi destacada como um sinal da presença de Deus. “Uma igreja, seja junto às pessoas, mas numa rua menor, seja uma igreja no local de passagem, ela é chamada a ser esse sinal de que o amor de Deus nos reuniu, o amor de Deus nos congregou, o amor de Deus nos coloca aqui.” O bispo lembrou a tradição das torres altas e sinos para proclamar: “O Senhor está no meio de nós.”
Inspirado na leitura do profeta Jeremias, Dom Joel trouxe uma mensagem de fortaleza: “Deus não tirou o sofrimento de Jeremias, esse é o mistério, mas fez de Jeremias, no meio da dor, uma fortaleza, por isso ele pôde continuar. Qual é o sentido da igreja? Então, no meio das pessoas, junto às pessoas, é mostrar a presença desse amor de Deus, que diante de todo o sofrimento, de toda a dificuldade, de toda a fragilidade, faz de nós uma fortaleza.”
Finalizando sua homilia, Dom Joel fez um apelo vibrante à comunidade: “A igreja é bonita demais para ficar fechada… Se não tiver missa, o que pode ter aqui? Momento de louvor e de adoração, pode rezar o terço, o rosário inteiro e mais alguma coisa? É, aí é que está o segredo, há algo de fantástico nisso, que as pessoas passando por ali, digam, tem uma luz acesa, tem gente lá dentro, aquele povo é feliz, disseram para mim que a igreja é bonita, então eu quero saber o que tem lá dentro.”
O bispo expressou sua tristeza com igrejas fechadas: “Se há uma coisa que a mim entristece muito, é uma igreja fechada. Se uma igreja está fechada, ela no fundo está dizendo o que? Jesus não está no meio de nós.” Ele concluiu com um encorajamento: “Vamos usar essa beleza, não vamos deixar que essa beleza para nós. Só não deixem que o presente de Deus fique fechado e guardado. Como dizia no meu tempo a propaganda, usem e abusem. Façam dessa igreja um sinal visível da presença do Senhor no meio de nós. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.”







