Paróquia Sagrado Coração de Jesus celebra festa de São Francisco com presença de Dom Joel

Missa foi presidida pelo bispo diocesano e contou com a participação do Coral dos Canarinhos.

A Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, celebrou a festa de São Francisco de Assis com a presença do bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado. A missa, realizada às 10h, foi animada pelo Coral dos Canarinhos e reuniu a comunidade paroquial, frades franciscanos e fiéis de diferentes regiões.

A celebração deste ano também marcou o Jubileu Franciscano pelos 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis — expressão utilizada pela Igreja para se referir à sua passagem desta vida para a vida eterna. A data é celebrada pela família franciscana em todo o mundo.

A missa foi concelebrada pelo pároco, Frei Paulo Roberto Santos Santana, OFM, e por Frei Marcos Antônio de Andrade, OFM. Ao final da celebração, os frades agradeceram a presença de Dom Joel e destacaram a alegria da fraternidade franciscana e da comunidade paroquial em celebrar a festa do santo com o bispo diocesano.

A participação do Coral dos Canarinhos na liturgia também representou a continuidade de uma tradição que se mantém há décadas, desde a fundação do grupo.

“A morte não tem a última palavra”

Durante a homilia, Dom Joel iniciou sua reflexão saudando a comunidade com o tradicional cumprimento franciscano: “Paz e bem, irmãs e irmãos que aqui estão celebrando conosco este dia do Senhor, na casa do Senhor, com a família do Senhor.”

O bispo explicou que a palavra “trânsito”, utilizada para falar da morte de São Francisco, expressa uma verdade central da fé cristã: a morte não tem a última palavra. “Quando a Igreja nos convida a substituir morte por trânsito, o que estamos querendo dizer é que a morte não tem a última palavra. Se nossos olhos veem morte, a fé nos ensina vida”, afirmou.

Segundo Dom Joel, a esperança cristã nasce da ressurreição de Cristo e convida os fiéis a enfrentar o medo da morte com confiança na vida eterna. Para ele, a celebração do trânsito de São Francisco possui, portanto, um forte sentido pascal.

O caminho de São Francisco

Ao longo da homilia, Dom Joel apresentou a pobreza, a humildade, a cruz e a pequenez como elementos fundamentais do caminho espiritual de São Francisco. O bispo também questionou os valores predominantes na sociedade atual, marcada, segundo ele, pela busca de poder, sucesso, domínio e reconhecimento pessoal.

“Nós estamos vivendo um tempo de forte apego ao próprio eu. Primeiro eu, depois eu e, se sobrar algum tempo ou espaço, eu”, refletiu.

Em contraponto a essa realidade, Dom Joel recordou a importância do despojamento e da abertura ao outro. Para ele, desapegar-se não significa desprezar a própria vida, mas libertar-se daquilo que impede a fraternidade, a solidariedade e o amor.

“Eu me desapego para que eu seja mais fraterno, para que eu seja mais solidário e para que eu seja uma pessoa capaz de viver essa fraternidade e essa solidariedade”, explicou.

O bispo também relacionou o testemunho de São Francisco à oração atribuída ao santo, especialmente ao pedido para “amar que ser amado”. Segundo Dom Joel, o amor exige iniciativa e disposição para sair de si mesmo.

Ao concluir, Dom Joel destacou que São Francisco encontrou no despojamento e na identificação com Cristo o sentido de sua vida. Recordou ainda as chagas recebidas pelo santo, entendidas como sinal de sua união com Jesus.

“Medo tem que virar esperança. Esperança é no caminho de São Francisco”, afirmou.

A celebração foi encerrada com um convite para que a comunidade siga o exemplo de São Francisco, de Santa Clara e de todos os santos e santas que viveram a fé com humildade, amor e confiança em Deus. Dom Joel pediu a intercessão de São Francisco pelos fiéis e por todos os que desejam trilhar esse caminho.

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