O Irmão Ricardo Lavra Lima, fundador da Comunidade Católica Servos da Divina Misericórdia, acaba de lançar o livro O chão não é moradia para os filhos de Deus, uma obra baseada em histórias reais de pessoas atendidas pela Comunidade e outras que foram conhecidas do autor. O livro aborda a dependência química, os desafios enfrentados pelos dependentes e por suas famílias, além de destacar a importância do acolhimento, do tratamento e da fé no processo de recuperação.
Em entrevista à WebTV Amor Divino, Irmão Ricardo explicou que o título da obra nasceu de uma frase pronunciada há muitos anos pelo Padre Alan Rodrigues Souza da Silva, durante uma missa realizada na capela da comunidade.

“Essa frase impactou a minha vida, porque foi ao encontro de tudo aquilo que eu vivi no tempo da drogadição. Era como se ela me remetesse ao ano de 1999, quando tive um encontro com o Senhor. Foi a experiência de estar no chão, e o Senhor me abraçar e me levantar de volta para a vida”, contou o Irmão Ricardo.
Segundo ele, a frase passou a fazer parte de sua missão junto às pessoas acolhidas pela comunidade. “Eu sempre os levo a entender, realmente, que o chão não é moradia para nenhum de nós”, afirmou.
Histórias reais de luta e superação
A obra não é baseada em ficção ou em teorias. O livro reúne relatos reais de pessoas que passaram pelo sítio e pela comunidade, apresentando histórias de dependência, sofrimento, luta, superação e vitória.
Além dos relatos de acolhidos, a publicação também traz três histórias relacionadas a outras experiências. Entre elas está a narrativa de uma jovem do Espírito Santo, que inspirou a imagem na capa do livro; a história de um jovem no leito de morte que escreve uma carta ao pai; e a trajetória de São Marcos, um santo chinês que também foi dependente de ópio.

Para o autor, o livro pretende contribuir para uma mudança na forma como a sociedade enxerga as pessoas que enfrentam a dependência química. “O dependente químico não está naquela situação por safadeza ou porque é sem-vergonha. Ele está ali porque é doente. Ele precisa ser tratado e amado para que, por meio desse amor, desse tratamento e, principalmente, da experiência com Deus, possa ter a sua vida de volta”, explicou.
O Irmão Ricardo também critica os rótulos usados contra os dependentes químicos e reforça que cada pessoa deve ser vista com dignidade. “O mundo rotula. Chama um filho de Deus de ‘cracudo’, ‘cachaceiro’ ou ‘drogado’. Mas Deus chama de quê? De filho. É isso que o livro quer mostrar: que todos esses rapazes são filhos amados de Deus.”
Onde adquirir o livro
O livro foi lançado de forma independente e pode ser adquirido diretamente com o Irmão Ricardo, por meio do telefone da comunidade: (21) 98181-4835. Após a confirmação da compra, a obra será enviada pelos Correios.
Leia a entrevista:
Rogerio Tosta: Irmão Ricardo, queria que você falasse um pouquinho sobre o título e qual é o objetivo da obra.
Irmão Ricardo: Bom, o título é O chão não é moradia para os filhos de Deus e é o mais novo lançamento da nossa comunidade. Ele tem como objetivo levar informação às pessoas sobre a dependência química, para que elas tenham um olhar diferenciado até mesmo sobre o dependente químico.
Rogerio Tosta: Esse livro nasceu a partir de qual inspiração? O que levou você a escrevê-lo?
Irmão Ricardo: Essa frase — “O chão não é moradia para os filhos de Deus” — foi dita há muitos anos, na nossa capela, durante uma missa celebrada pelo Padre Alan Rodrigues Souza da Silva. Ele esteve lá, celebrou a missa e, em determinado momento, disse essa frase: “O chão não é moradia para os filhos de Deus”. Essa frase impactou a minha vida, porque foi ao encontro de tudo aquilo que eu vivi no tempo da drogadição. Era como se ela me remetesse ao passado, ao ano de 1999, quando tive um encontro com o Senhor. Foi essa a experiência que eu tive: estar no chão, e o Senhor me abraçou e me levantar de volta para a vida. Então, quando o Padre Alan falou essa frase, ela ficou gravada no meu coração. Até hoje, eu a repito quase que diariamente para os nossos filhos, os nossos acolhidos. Eu sempre os levo a entender, realmente, que o chão não é moradia para nenhum de nós.
Rogerio Tosta: O livro conta o quê? Ele fala sobre qual assunto? Quais são as histórias? Ele tem personagens? Como é o contexto?
Irmão Ricardo: Bom, esse livro não é baseado em ficção nem em teorias. Ele é baseado em fatos reais. São histórias reais de pessoas que passaram pelo nosso sítio. Também há três histórias que não são de acolhidos. Há a história de uma menina do Espírito Santo, que dá sentido a capa. Há também a história de um jovem no leito de morte que manda uma carta para o pai, e a história de São Marcos, um santo chinês que também era dependente de ópio. Essas são as três histórias que não são da comunidade. As demais histórias são de meninos que passaram pelo sítio, pela nossa comunidade, e que vão mostrar a história de cada um deles. São histórias de alguns pais, histórias de luta e histórias de vitória, para mostrar, realmente, que o chão não é moradia.
Rogerio Tosta: Você tem a experiência da sua própria vida. Como o título diz, “O chão não é moradia para os filhos de Deus”, mas você viveu essa experiência. Você teve pessoas como a sua mãe e a sua esposa, que sempre o ampararam e não deixaram você realmente desistir.
Irmão Ricardo: Sim. A minha mãe já se encontra no Reino dos Céus há quatro anos, e ela foi um grande suporte. Quando você está na dependência química, não entende isso. Você não consegue compreender o sofrimento da esposa nem o sofrimento da mãe. Mas a mãe é muito diferente. O amor da esposa também é muito importante. Ela poderia ter me deixado e seguido a vida, mas preferiu acreditar que a minha vida poderia ser transformada. Mas a mãe é algo realmente divino. A mãe é capaz de ver um filho sujo e fedido, e ainda assim abraçar aquele homem como se ele fosse o menino que um dia ela banhou, o menino que um dia ela abraçou. Ela o abraça da mesma forma. A mãe é a excelência desse amor. Acho que o amor de Deus por nós se manifesta no amor de uma mãe. A mãe é aquela que se coloca à frente do perigo. Então, a minha mãe é uma dessas mulheres que lutou, que acreditou e que não desistiu, porque não se cansou de ouvir dos vizinhos que o filho dela não tinha mais jeito, que o filho dela estava destinado apenas à morte. No entanto, ela era aquela mulher que acreditava. Então, elas são os dois pilares da minha vida. Se hoje estou de pé e se estou há 27 anos na sobriedade, é graças a essas duas mulheres, que não desistiram de mim. Quero dizer que foram elas também que me fizeram entender, depois que conheci essa frase — mas, antes mesmo de conhecê-la, foram elas que me fizeram compreender — que o chão não era moradia para mim e que Deus tinha algo melhor para a minha vida. É disso que o livro trata. O livro vai mostrar exatamente isso: que o dependente químico não está naquela situação por safadeza ou porque é sem-vergonha. Não. Ele está ali porque é doente. Ele é doente e precisa ser tratado, precisa ser amado, para que, por meio desse amor, desse tratamento e, principalmente, da experiência dele com Deus, possa ter a sua vida de volta.

Rogerio Tosta: Irmão Ricardo, não sei se essa comparação é perfeita, mas, enquanto você falava, veio-me à mente a imagem de Nossa Senhora recebendo Jesus em seus braços, aos pés da cruz. Ela sempre esteve de pé ao lado dele. É o único momento em que aparece abaixada, sentada, porque recebe o filho, mas, ao mesmo tempo, permanece de pé. É esse o sentido que o livro quer trazer: nós temos que acolher as pessoas dependentes quando elas estão no chão, mas também ajudá-las a se levantar e a caminhar.
Irmão Ricardo: Sim. E não é à toa que essa imagem é o símbolo da Pastoral da Sobriedade. É essa mãe que acolhe o filho nos braços. Acho que Nossa Senhora representa realmente todas as mães, porque ela sentiu a dor que essas mulheres sentem. Hoje, uma mãe que tem um dependente químico em casa não sabe se o filho vai voltar. Quando ele sai numa sexta-feira, ela não sabe se vai recebê-lo de volta. Então, ela reza e pede a Nossa Senhora e a Nosso Senhor que cuidem do filho enquanto ele estiver fora. O medo dessa mulher é o telefone tocar ou alguém bater à porta para dar uma notícia trágica: que o filho foi preso, que foi assassinado. Enfim, só quem viveu conhece bem as dores dessas mulheres. O livro retrata isso: as dores, mas também a vitória — a vitória daqueles que lutaram e acreditaram. Quando você tem pessoas que acreditam em você — e é isso que o livro quer mostrar para todos —, ninguém está condenado. Todo aquele que está no mundo das drogas tem solução. Se você estende a mão em vez de apontar, a situação pode mudar. Eu costumo dizer que o mundo rotula. Ele chama um filho de Deus de “cracudo”, chama um filho de Deus de “cachaceiro”, chama um filho de Deus de “drogado”. Mas Deus o chama de quê? De filho. É isso que o livro quer mostrar: que todos esses rapazes são filhos amados de Deus.
Rogerio Tosta: Outra imagem que me vem agora à mente, Irmão Ricardo, é o sinal que você teve para a fundação da Comunidade dos Servos da Misericórdia. Você não conhecia a imagem da Divina Misericórdia e encontrou exatamente essa imagem em um banco de uma praça. Fale um pouco sobre essa história. Acho que ela retrata bem o que o livro também quer mostrar.
Irmão Ricardo: Que bom que você se lembrou dessa história. Eu encontrei essa imagem. Na verdade, foram dois encontros nessa mesma localidade, e um tem relação com o outro. Em 1997, eu ainda era drogado e estava completamente sob o efeito das drogas. Vi João Paulo II passando por aquela rua, e aquilo tocou muito o meu coração. Ele foi quem divulgou mundialmente a Divina Misericórdia, canonizou Santa Faustina e instituiu a Festa da Misericórdia. Quando vi aquele homem passando, eu estava muito drogado. Tinha andado bastante e o vi passando. Pensei: “Caramba!” Eu tinha uma admiração muito grande por ele e por Dom Eugênio Araújo Sales, que era o cardeal da Arquidiocese do Rio. Tinha grande admiração pelos dois, mesmo sendo drogado e não sendo frequentador de igreja. Quando via esses homens aparecendo na televisão, ficava impactado. Esse foi o primeiro encontro. O segundo, como você lembrou bem, aconteceu quando eu passava pela Praça São Salvador, lá no Rio. Se não me engano, fica em Botafogo. Então, vi a imagem de Jesus Misericordioso em um banco da praça. Eu nunca tinha visto aquela imagem. Conhecia a imagem de Jesus crucificado, aquela que todos conhecem. Mas aquela imagem, com os raios brotando do coração de Jesus, chamou a minha atenção. Pensei: “Nossa, que imagem diferente!” Olhei, fui fazer o que tinha para fazer, mas aquela imagem tocou tanto o meu coração que, quando estava voltando para a empresa onde trabalhava, quis retornar pelo mesmo caminho para ver se ela ainda estava lá. E ela estava no banco. Quando vi novamente a imagem, pensei: “Nossa, essa imagem…” Peguei-a e a levantei. Havia alguns folhetinhos de Santa Faustina. Levantei a imagem para ver se aparecia o dono, mas não havia dono. Então, pensei: “É para mim mesmo.” Fiquei impactado com aquela imagem e comecei a mergulhar nos escritos de Santa Faustina, no Diário de Santa Faustina. Comecei a querer saber quem era aquela santa e por que Jesus aparecia com aqueles raios. Depois, fui entender que o raio pálido representava o batismo e que o raio vermelho representava a Eucaristia. Comecei, então, a compreender que havia todo um significado dentro da Igreja. Aquela imagem impactou tanto a minha vida que, depois, a comunidade recebeu o nome de Servos da Divina Misericórdia. Hoje, nós temos como missão cuidar dos meninos, mas também divulgar essa devoção. Essa tem sido a nossa grande missão: falar da misericórdia e desse amor misericordioso. E O chão não é moradia para os filhos de Deus é justamente um reflexo dessa misericórdia.
Rogerio Tosta: O livro trata de vitórias — de pessoas que conseguiram sair das drogas e se recuperar —, mas também traz histórias daqueles que foram derrotados pelas drogas. Queria que você falasse um pouco sobre isso.
Irmão Ricardo: Então, vou dar um spoiler do primeiro capítulo. Eu não queria falar sobre ele, mas vou falar da história da menina. Essa história se assemelha muito à história do filho pródigo. Conheci essa história em 1991, no Espírito Santo. Eu ainda nem era da Igreja, mas essa história chegou aos meus ouvidos e impactou muito a minha vida. Essa menina saiu de casa e destruiu a própria vida nas drogas. Estamos falando do ano de 1991. Ela adquiriu HIV. Naquela época, contrair o HIV significava estar condenado à morte. Não havia tratamento. Ela resolve voltar para casa, mas tinha vergonha de tudo o que havia feito com os pais e de voltar destruída, condenada à morte. Então, resolve escrever uma carta para os pais. É justamente essa carta que aparece na capa do livro. Vocês vão entender agora a história dessa árvore que aparece na capa.
Ela manda a carta para os pais, perguntando se eles a aceitariam e se lhe daria a oportunidade de estar com eles, porque sabia que o tempo dela estava acabando. Na carta, ela escreve:
“Se for possível me receber, coloque um lenço na árvore que fica em frente à nossa casa. Eu estarei passando de ônibus e, se vir esse lenço, entenderei que vocês vão me receber. Se não houver lenço nenhum, seguirei a minha viagem. Entenderei também que vocês não quiseram me receber por causa das coisas que fiz.”
Aquela jovem entra no ônibus e começa a viajar. Quando chega à rua da casa dos pais, fica temerosa.
Então, baixa a cabeça, começa a chorar e pede ao passageiro que está ao seu lado que veja se há algum lenço na árvore em frente à casa dos pais.
Quando o rapaz demora a responder, ela fica agoniada e pergunta:
— Então, tem o lenço?
Ele responde:
— Não, não tem o lenço.
Ela sente uma grande tristeza no coração. Então, ele continua:
— Tem vários lençóis! Há lençóis sobre as árvores, sobre o muro e sobre o portão. Seus pais amam você!
Trazendo essa história para a nossa realidade, é assim que Deus age. Deus sinaliza por todo o caminho com lençóis brancos, dizendo a mim, a você e a todos nós, seja qual for o pecado, que Ele está esperando o nosso retorno. Às vezes, temos, como aquela menina, receio de voltar para Deus. Lembro-me de uma frase do Papa Francisco, que dizia: “O Senhor não se cansa de nos perdoar; nós é que nos cansamos de pedir perdão.” E, nesse cansaço de pedir perdão, acabamos não vendo os lenços que sinalizam: “Filho, eu estou aqui. Eu amo você. Volte para mim.”
Rogerio Tosta: Irmão Ricardo, para concluirmos, queria que você falasse como as pessoas podem adquirir o livro. Onde podem comprá-lo? Você fará algum lançamento? Faça um pouco de marketing para que possamos vender o livro.
Irmão Ricardo: O livro foi lançado de forma independente. Sabemos que, hoje, é difícil lançar um livro, então o lançamos de forma independente. Se você quiser adquirir um exemplar, entre em contato pelo número que está aqui embaixo, o número da nossa comunidade: (21) 98181-4835. Você falará diretamente comigo, e nós enviaremos o livro. Vamos informar o valor, você efetuará a compra e nós enviaremos pelos Correios. Também faremos lançamentos. Haverá um lançamento em São José do Vale do Rio Preto, no dia 29 de novembro, na comunidade Templo Santo, do meu querido amigo e irmão Henrique. Também farei um lançamento no Rio de Janeiro, na paróquia do Padre Luís Cláudio Baraúna, em Anchieta. O livro acabou de sair e, se Deus quiser, faremos alguns lançamentos aqui na nossa diocese também. O importante é que esse livro possa chegar, principalmente, às mães, para que elas não desistam dos seus filhos, e aos filhos, para que não desistam de Deus e entendam que o chão não é moradia para nenhum de nós.
Rogerio Tosta: Está dado o recado. Contamos com vocês não apenas para comprar o livro, mas também para fazer com que ele chegue às mãos da nossa juventude, das mães e daqueles que estão envolvidos com as drogas. Esse livro é para todos. É para quem está nas drogas e para quem não está. É para a mãe que acredita, para a mãe que está lutando pelo filho e para você que está nos acompanhando. Irmão Ricardo, agradeço esta conversa que tivemos. Foi uma conversa rápida, mas muito rica e muito cheia de Deus. Que o livro possa chegar a muitas dessas pessoas às quais você se dedica e a tantas outras. O Papa Francisco, em 2013, no Rio de Janeiro, falou exatamente isso: “Não percam a esperança. Não deixem que tirem a esperança de vocês.” E o Papa Leão XIV, nosso Santo Padre e Sumo Pontífice, vem nos chamando e convidando a nos entregarmos realmente nas mãos de Deus, para vivermos plenamente essa fé. Como nós divulgamos, por meio de Santa Faustina, a misericórdia de Deus é para todos. Não é para alguns; é para todos — para todos aqueles que estão vivendo a fé e também para aqueles que estão caídos ou enfrentando problemas. A misericórdia de Deus é para todos. Para encerrar, irmão, lembro-me de que Jesus disse a Santa Faustina que, quanto mais pessoas acreditarem na misericórdia dele e buscarem essa misericórdia, mais pessoas serão salvas, além de nós mesmos. Então, queria que você deixasse uma última mensagem.
Irmão Ricardo: Eu queria falar justamente também sobre o Diário de Santa Faustina. Como eu disse, essa é a nossa missão. Há uma passagem do Diário que diz: “A humanidade não encontrará paz enquanto não se voltar com confiança para a minha misericórdia.” Esse é o desejo de Deus: que todos nós nos voltemos, com confiança, para a sua infinita misericórdia, para que tenhamos as nossas vidas transformadas e entendamos, realmente, que o chão não é moradia para nós. Jesus diz que este é o tempo da misericórdia. Ele afirma no Diário: “Enquanto é tempo, recorram à minha misericórdia, porque há de chegar o tempo em que virei como justo juiz; e, nesse dia, não haverá mais misericórdia.” Então, meus irmãos e minhas irmãs, corram para os braços de Jesus. Voltem para o coração misericordioso de Jesus, porque este é o tempo de vocês voltarem. É hoje. É agora. Voltem para o coração de Jesus. Convido você a adquirir o livro O chão não é moradia para os filhos de Deus. Um grande abraço a todos.







