Pe. Thomas Andrade Gimenez Dias
(Diretor do Arquivo Histórico da Diocese de Petrópolis)
O dia 13 de maio marca, para o distrito de Pedro do Rio, uma data memorável: a criação de sua paróquia. Colocada sob o padroado de São Pedro, santo querido daquele povo e daquele histórico lugar, a paróquia celebra, neste ano de 2026, os seus 75 anos de criação, motivo pelo qual vive o seu Jubileu de Brilhante. (Foto da capa: Primeira Matriz de Pedro do Rio, foto colorida artificialmente)
Foi em 13 de maio de 1951 que o primeiro bispo de Diocese de Petrópolis, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, por decreto, criou a mais nova paróquia da Diocese: a Paróquia São Pedro de Pedro do Rio, desmembrando o seu território da Paróquia São José de Itaipava. Deste modo, a pequena capela de São Pedro ganhou a dignidade de Igreja Matriz. Aquele templo, antigo como a própria história de Pedro do Rio, desapareceu quando da construção da nova matriz, mas permaneceu como silenciosa testemunha de uma bela história.

De acordo com a tradição oral, viva ainda nos lábios dos mais antigos moradores, as terras onde hoje está o distrito de Pedro do Rio eram, no século XVIII, região de parada de tropeiros, pois ali havia um ponto estratégico para se ir dos Caminhos Velho e do Proença até Minas Gerais, e vice-versa. Ali, às margens do Rio Piabanha, os tropeiros encontravam pouso, alimento e até ocasião para negócios. Dois homens, ambos chamados Pedro, possuíam naquelas paragens os seus estabelecimentos: um residia no alto de uma elevação, sendo chamado de “Pedro do Alto”; o outro residia às margens do Piabanha, sendo conhecido como “Pedro do Rio”. Ao redor do estabelecimento deste último surgiu, posteriormente, um agrupamento de casas que passou a ser conhecido por este nome, o qual conserva até os dias atuais.
Em 1861, no livro Brasil Pitoresco, de Charles Ribeyrolles, Pedro do Rio é citado como “um pequeno burgo que acaba de nascer, em torno da estação que ali estabeleceu a empresa União e Indústria, um dos pontos favorecidos da artéria que surgia, onde já se avolumavam as tropas e os viajantes”. Isto nos leva a afirmar que, com a construção da Estrada União e Indústria, margeando o Rio Piabanha e passando pela localidade de Pedro do Rio, aquela região experimentou um forte crescimento comercial, acompanhado de desenvolvimento: surgiram armazéns, hotéis e até oficinas para reparo de carroças e diligências. Outro fator importante para o crescimento daquele “pequeno burgo” foi a inauguração da 3ª Seção da Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará, que, em 1886, passou a ligar Pedro do Rio a Petrópolis, diminuindo distâncias e facilitando a comunicação. Assim, seis anos depois, em 08 de maio de 1892, a localidade, já próspera, tornou-se oficialmente distrito de Petrópolis.

Aquela vila, margeando o Piabanha, já contava com quase tudo, menos com uma capela. Por isso, em 1894, alguns pedrorrienses uniram-se para formar uma comissão em prol da construção de uma capela colocada sob o padroado de São Pedro. Dentre os membros da comissão destacavam-se o Capitão Antônio de Souza Lessa, Custódio José da Rocha e José Joaquim Pinto. A planta da capela foi aprovada em 1895 e as obras tiveram início no terreno doado pelo Dr. José Basílio Magno de Carvalho.
A inauguração da capela, então filial da Matriz de São Pedro de Alcântara, deu-se em 1903, sendo ela abençoada pelo Monsenhor Theodoro da Silva Rocha, devidamente comissionado pelo bispo de Petrópolis, Dom João Braga. Em um altar doado pelo Sr. Antônio José Alves, foi colocada a imagem de São Pedro.
Foi precisamente esta capela que, em 1951, há exatos 75 anos, recebeu o título de Matriz. O seu primeiro pároco, o Padre José Franco da Silva, tomou posse no dia 21 de maio daquele ano, marcando uma nova página na história religiosa daquele quarto distrito, cujas terras passaram a formar a nova paróquia. Contudo, a matriz era demasiadamente pequena para a população sempre crescente de Pedro do Rio, o que fez o vigário, Pe. Leonardo Grigoleto, sonhar com um novo templo, amplo e belo. Formaram-se novas comissões de obras, novas listas de doações e novos sonhos.

Em 30 de junho de 1957, Monsenhor Francisco Gentil da Costa, Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, abençoou a pedra fundamental da nova matriz, que, dois anos depois, em 1959, já podia acolher a festa de São Pedro, sob a presidência de Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra. A tradicional igrejinha de Pedro do Rio, antiga matriz, foi demolida, enquanto os últimos detalhes e acabamentos do novo templo eram empreendidos pelo Monsenhor João de Deus Rodrigues, que, em 24 de janeiro de 1961, recebeu a provisão de Vigário de sua terra, ofício que exerceu até a sua morte, em 2003.
Sucederam-no os seguintes sacerdotes: Pe. Antônio de Pádua Cavalcante (2003–2014), Pe. Carlos Henrique de Morais (2014–2021), Pe. Antônio Carlos Soares Cardoso (2021–2023) e, atualmente, o Pe. Ian Silva Lemos, à frente da paróquia desde 2023.
Que o Bom Deus continue cumulando de graças a Paróquia São Pedro e o querido e bom povo de Pedro do Rio, neste ensejo de um Jubileu de Brilhante.
Referências:
Documentação Arquivada na Cúria Diocesana de Petrópolis
FERREIRA, Mário Corrêa. São Pedro de Pedro do Rio, Revista Ação, Nov. 1961.
NETO, Jerônimo Ferreira Alves. A vila de Pedro do Rio, Disponível em < IHP » VILA DE PEDRO DO RIO (A)>.





