Na noite de 31 de maio, o Santuário Mariano de Nossa Senhora do Amor Divino, em Corrêas, Petrópolis, foi palco de uma celebração marcante para a Igreja local. A missa em honra à padroeira da Diocese de Petrópolis, Nossa Senhora do Amor Divino, foi presidida por Dom José Maria Pereira, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, e integrou o calendário festivo pelos 80 anos de criação da diocese.

Logo no início de sua mensagem pelos 80 anos da Diocese, Dom José Maria agradeceu o convite e ressaltou a alegria de retornar ao santuário onde nasceu e cresceu sua vocação sacerdotal.
“Agradeço pelo convite e por estar novamente neste Santuário de Nossa Senhora do Amor Divino. Hoje, de maneira muito especial, celebrando a padroeira da Diocese de Petrópolis e, também, dentro dos festejos dos 80 anos da Diocese, temos muitos motivos para estarmos aqui”, afirmou.
Ele recordou, com emoção, a própria história de ligação com o local:
“Como filho desta Diocese que sou, justamente hoje eu pensava, vindo para cá: há 48 anos eu vinha a este santuário, quando entrei no seminário, em 1978, no início de março, pela primeira vez, ao ingressar no seminário. Então, é uma alegria voltar aqui agora para celebrar os 80 anos de nossa diocese, e neste santuário tão querido de nossa Igreja particular”.
Jubileu: ação de graças pela história da diocese

Tendo como pano de fundo a solenidade da Santíssima Trindade, o bispo destacou o caráter de ação de graças do jubileu diocesano:
“Hoje, na solenidade da Santíssima Trindade, grande mistério da nossa fé, nos reunimos com o coração repleto de gratidão para também celebrar a festa de Nossa Senhora do Amor Divino, padroeira de nossa diocese, e, ao mesmo tempo, render graças a Deus pelos 80 anos de criação canônica da Diocese de Petrópolis. O jubileu de uma diocese é sempre uma ocasião privilegiada para contemplarmos a ação de Deus na história”.
Ele lembrou que os 80 anos da Diocese de Petrópolis representam uma longa caminhada de fé:
“Oitenta anos representam gerações de homens e mulheres que viveram a fé, transmitiram o Evangelho, construíram comunidades, serviram à Igreja e testemunharam o amor de Cristo. Ao longo dessas oito décadas, Deus sustentou esta diocese com sua mão providente, guiando seus pastores, fortalecendo seus sacerdotes, religiosos e leigos, fazendo florescer inúmeras vocações e tantos outros frutos de santidade. Por isso, antes de tudo, esta celebração é um grande ato de ação de graças”.

Leia a íntegra a mensagem de Dom José Maria Pereira:
Agradeço pelo convite e por estar novamente neste Santuário de Nossa Senhora do Amor Divino.
A Dom Joel, amado bispo de Deus, pastor da Diocese de Petrópolis, a quem agradeço o convite; caríssimo padre Paulo César, vigário geral; padre Rodrigo Alberti, reitor deste santuário; nosso querido padre Luiz Henrique, reitor do Seminário Diocesano; os demais sacerdotes aqui presentes; querido povo desta paróquia; também amigos que aqui vieram.
Hoje, de maneira muito especial, celebrando a padroeira da Diocese de Petrópolis e, também, dentro dos festejos dos 80 anos da Diocese, temos muitos motivos para estarmos aqui.
Por isso, agradecendo esse convite, como filho desta Diocese que sou, justamente hoje eu pensava, vindo para cá: há 48 anos eu vinha a este santuário, quando entrei no seminário, em 1978, no início de março, pela primeira vez, ao ingressar no seminário.
Então, é uma alegria voltar aqui agora para celebrar os 80 anos de nossa diocese, e neste santuário tão querido de nossa Igreja particular.
Hoje, na solenidade da Santíssima Trindade, grande mistério da nossa fé, nos reunimos com o coração repleto de gratidão para também celebrar a festa de Nossa Senhora do Amor Divino, padroeira de nossa diocese, e, ao mesmo tempo, render graças a Deus pelos 80 anos de criação canônica da Diocese de Petrópolis.
O jubileu de uma diocese é sempre uma ocasião privilegiada para contemplarmos a ação de Deus na história.
Oitenta anos representam gerações de homens e mulheres que viveram a fé, transmitiram o Evangelho, construíram comunidades, serviram à Igreja e testemunharam o amor de Cristo. Ao longo dessas oito décadas, Deus sustentou esta diocese com sua mão providente, guiando seus pastores, fortalecendo seus sacerdotes, religiosos e leigos, fazendo florescer inúmeras vocações e tantos outros frutos de santidade.
Por isso, antes de tudo, esta celebração é um grande ato de ação de graças. Reconhecemos que a história da diocese não é apenas uma sucessão de acontecimentos humanos, não; é uma verdadeira história da graça de Deus entre nós.
E é particularmente significativo que este jubileu seja celebrado na festa de Nossa Senhora do Amor Divino. É uma das celebrações – entre várias que teremos durante o ano.
Nossa Senhora do Amor Divino não é apenas padroeira da Diocese de Petrópolis; sua presença está profundamente entrelaçada com a própria história da nossa cidade e da nossa Igreja particular. Trata-se da mais antiga devoção mariana que permanece viva e querida pelo povo petropolitano. Uma devoção que atravessou séculos, resistiu às mudanças do tempo e continua reunindo filhos e filhas em torno da Mãe de Deus.
Não é por acaso que todos os bispos desta diocese, ao iniciar o seu ministério pastoral, vieram a este santuário para confiar a Nossa Senhora a missão que lhes foi confiada. Eles reconheceram aquilo que o povo fiel sempre soube: que Maria caminha conosco, protege-nos, conduz-nos a Cristo. É muito bonita essa história da nossa vida diocesana: todos os bispos, sem exceção, tiveram como primeiro ato, primeira celebração, este santuário.
Eu mesmo, no dia em que fui ordenado, poderia ter celebrado onde era a minha paróquia, no Itamaraty, mas fiz questão de vir aqui. A minha primeira missa como bispo foi neste santuário.
Fiz questão de estar aqui para poder iniciar o meu ministério aos pés dessa mãe tão querida, padroeira da Diocese de Petrópolis. Por isso é algo histórico. Mesmo eu, não sendo bispo diocesano desta Igreja, mas sendo seu filho, quis que a primeira missa como bispo fosse neste santuário.
Não é, portanto, à toa que a coroação pontifícia desta imagem de Nossa Senhora do Amor Divino, realizada em 2021, foi o reconhecimento oficial de uma fé que já estava gravada, há muito tempo, no coração do povo. Aquela coroa não foi colocada apenas sobre uma imagem; ela simbolizou o amor, a confiança e a devoção de gerações inteiras que encontraram em Maria uma mãe, uma intercessora, uma companheira de caminhada.
Mas este jubileu de 80 anos não nos convida apenas a olhar para trás. A gente pensa na história, nesses 80 anos, e olha para trás; mas não é só isso. O tema que inspira esta celebração nos recorda duas palavras fundamentais: memória e compromisso. Memória, porque uma Igreja sem memória perde a consciência de sua identidade.
Hoje fazemos memória dos bispos que conduziram esta diocese, dos sacerdotes que aqui serviram, dos religiosos e religiosas que dedicaram suas vidas ao Evangelho, dos leigos que construíram comunidades, das famílias que transmitiram a fé aos seus filhos. Fazemos memória também daqueles que plantaram a devoção a Nossa Senhora do Amor Divino, especialmente a família do padre Corrêa, que, ainda no século XVIII, lançou a semente dessa devoção, que continua produzindo frutos até os nossos dias. Está aqui o resultado: continua produzindo frutos.
A memória cristã não é simplesmente saudade do passado, não. É reconhecimento agradecido da graça de Deus; é olhar para trás e perceber quantas vezes o Senhor nos sustentou, nos corrigiu, nos fortaleceu, nos conduziu. Mas a memória só é autêntica quando gera compromisso. Não basta agradecer pelo que recebemos.
Somos chamados a assumir a responsabilidade de transmitir às próximas gerações aquilo que herdamos. Isso é muito importante. A memória não é apenas lembrar o passado, mas nos leva a assumir um compromisso.
Somos chamados justamente a esse compromisso e responsabilidade de transmitir às próximas gerações aquilo que herdamos. Cada geração recebe um patrimônio espiritual e tem a missão de enriquecê‑lo e entregá‑lo àqueles que virão depois. Se hoje celebramos 80 anos de diocese, é porque outros acreditaram antes de nós.
Trabalharam, rezaram e se sacrificaram antes de nós. Da mesma forma, queridos irmãos e irmãs, aquilo que será a Diocese de Petrópolis daqui a 80 anos depende também da nossa fidelidade hoje. Por isso, a festa de Nossa Senhora do Amor Divino nos interpela sobre o lugar que Maria ocupa em nossa vida.
Estamos ajudando a manter viva esta devoção? Estamos conduzindo nossos filhos e netos para junto da Mãe de Deus? Estamos colaborando para que ela seja cada vez mais conhecida, venerada e amada pelo povo petropolitano? Nossa Senhora do Amor Divino continua apontando para Cristo. Ela continua repetindo a cada um de nós as palavras dirigidas aos serventes nas bodas de Caná:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Que ela, a Mãe do Amor Divino, nos ensine a viver a gratidão pelo passado, a fidelidade no presente e a esperança no futuro. Repito: peçamos, nesta celebração dos 80 anos que estamos vivendo neste ano jubilar da diocese, neste dia de Nossa Senhora do Amor Divino, esta graça por sua intercessão.
Repito: gratidão pelo passado, fidelidade no presente e esperança no futuro. Ao celebrarmos este jubileu diocesano, peçamos a Deus que a história iniciada há 80 anos continue produzindo abundantes frutos de santidade e que, sob a proteção materna de Nossa Senhora do Amor Divino, a Diocese de Petrópolis permaneça sempre fiel à sua missão de anunciar o Evangelho e conduzir homens e mulheres ao encontro de Jesus Cristo.
Amém.









