Episódio do Parusia Podcast Católico, no mês vocacional, reuniu padre, seminaristas e o reitor do Seminário Diocesano

O Parusia Podcast Católico (https://www.youtube.com/@ParusiaPodCastCatólico)dedicou um de seus episódios mais recentes ao tema das vocações, com o título “Não tenha medo de lançar-se nas águas mais profundas”. Apresentado por Uiliam Souza, o programa recebeu o reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, padre Luiz Henrique, o vigário paroquial de Nossa Senhora do Rosário, padre André Luiz Rodrigues Barbosa, e os seminaristas William, Miguel e Flávio.

A conversa foi realizada durante o mês vocacional, celebrado pela Igreja Católica em agosto, e tratou do significado da vocação, do processo de discernimento e da formação para o sacerdócio.

Segundo o padre André, vocação é um chamado de Deus para uma missão específica. “É um projeto que Deus tem desde toda a eternidade e que nos dá a graça de ir descobrindo no tempo”, explicou. Para ele, esse caminho é construído com oração, acompanhamento e atenção aos sinais presentes na vida de cada pessoa.

O padre Luiz Henrique destacou que todos são chamados à santidade, mas a Igreja também reconhece vocações de especial consagração, como o sacerdócio, a vida religiosa e o diaconato. No caso dos candidatos ao sacerdócio, o processo inclui acompanhamento vocacional, ingresso no seminário e uma formação que pode durar entre oito e dez anos.

Formação envolve estudo, oração e convivência

Durante o episódio, o seminarista Flávio apresentou detalhes da rotina no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino. De acordo com ele, a casa de formação possui horários, responsabilidades e atividades semelhantes às de uma família, mas com uma rotina orientada ao discernimento e à preparação para o ministério sacerdotal.

Os seminaristas acordam por volta das 6h e iniciam o dia com oração na capela. Em seguida, participam de atividades acadêmicas, trabalhos domésticos e momentos de convivência. A rotina também inclui esportes, celebração da Santa Missa, oração comunitária e exame de consciência ao final do dia.

“Como uma casa de família, nós vivemos normalmente igual a todas as pessoas, mas com as disciplinas próprias daqueles que querem se consagrar”, afirmou Flávio.

O reitor explicou que a formação é estruturada em três dimensões: humana, cristã e sacerdotal. O objetivo inicial é formar homens e cristãos maduros para, posteriormente, preparar aqueles que demonstrarem sinais de vocação ao sacerdócio.

A formação acadêmica inclui estudos de Filosofia e Teologia. Antes disso, o candidato pode passar pelo seminário menor, caso ainda não tenha concluído o ensino médio, ou pelo período propedêutico, destinado àqueles que já concluíram essa etapa escolar.

Discernimento é feito pelo candidato e pela Igreja

Os participantes ressaltaram que o ingresso no seminário não significa que o jovem necessariamente será ordenado sacerdote. O discernimento é realizado tanto pelo candidato quanto pela própria Igreja, por meio do acompanhamento dos padres, formadores e diretores espirituais.

“Alguns entram, alguns discernem que não é o caminho. Mas também a Igreja faz o seu discernimento”, explicou padre André.

De acordo com os sacerdotes, aqueles que deixam o seminário não devem ser considerados fracassados. A experiência pode contribuir para o amadurecimento humano, espiritual e profissional dos jovens. O programa também mencionou a Associação dos Ex-Alunos do seminário, formada por homens que seguiram diferentes caminhos e continuam reconhecendo a importância da formação recebida.

Testemunhos revelam diferentes caminhos até o seminário

O seminarista William contou que ingressou no seminário aos 25 anos, depois de trabalhar, manter um relacionamento e passar por um período de oração e discernimento. Segundo ele, os encontros vocacionais e o acompanhamento de padres foram fundamentais para a decisão.

Miguel, de 19 anos, está no segundo ano de formação. Ele relatou que participou de encontros vocacionais durante dois anos antes de ingressar no seminário, em 2025. Apesar do medo inicial, afirmou que a experiência o ajudou a compreender melhor o chamado que sentia.

Já o padre André contou que teve contato com a Igreja ainda na infância, por meio da catequese, e posteriormente atuou em grupos de jovens e na Sociedade de São Vicente de Paulo. O desejo pelo sacerdócio surgiu de maneira mais clara durante uma conversa com um sacerdote, depois de anos de participação na comunidade.

O padre também destacou que o medo pode fazer parte do processo de discernimento. “O medo é sinal de que você entende a responsabilidade e a seriedade da coisa”, recordou, ao narrar uma orientação recebida antes de ingressar no seminário.

Diaconato permanente também foi abordado

Outro tema discutido foi o diaconato permanente. Segundo os participantes, o sacramento da Ordem possui três graus: diaconato, presbiterato e episcopado. O diácono pode batizar, assistir a casamentos, proclamar e pregar a Palavra e colaborar nas celebrações litúrgicas.

Na Diocese de Petrópolis, a escola diaconal já formou diversas turmas. Durante o programa, foi informado que a diocese conta atualmente com aproximadamente 62 diáconos permanentes.

Os diáconos permanentes são, em geral, homens casados. Também podem ser ordenados homens solteiros, que, nesse caso, assumem o compromisso do celibato. A vocação diaconal, entretanto, não implica necessariamente o caminho para o sacerdócio.

Convite aos jovens

Ao final do episódio, os padres convidaram os jovens que sentem inquietação vocacional a procurar o pároco, participar da vida da comunidade e conhecer os encontros vocacionais do seminário.

O padre Luiz Henrique reforçou que participar de um encontro não obriga ninguém a ingressar no seminário. “Não tenha medo. Procure o seu pároco, procure o seminário, procure um seminarista, um religioso ou uma religiosa. Converse e faça o seu discernimento”, afirmou.

Miguel também destacou a importância dos encontros, que incluem momentos de oração, reflexão e convivência. Para ele, coragem, ânimo e fé são fundamentais para quem deseja compreender o chamado de Deus.

O programa ainda divulgou a Hora Santa Vocacional, realizada na última quinta-feira de cada mês no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, e o 5º Congresso Vocacional Nacional, previsto para ocorrer entre os dias 4 e 6 de setembro, em Aparecida (SP), com o tema “Comunidades Vocacionais: testemunho, encontro e missão”.

Os participantes também pediram orações e apoio ao seminário, que, segundo o reitor, depende da colaboração dos fiéis para manter suas atividades de formação.

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