Artigos, Notícias › 29/11/2020

Vigiai! Jesus Voltará!

O novo Ano Litúrgico tem início neste domingo. O Ano Litúrgico é a evocação e atualização ( isto é, memória e presença) de toda a  História da Salvação “já” realizada  e é, ao mesmo tempo, promessa e antecipação da História da Salvação que “ainda” deverá realizar – se. A Igreja nos põe de sobreaviso com quatro semanas de antecedência a fim de que nos preparemos para celebrar de novo o Natal e, ao mesmo tempo, para que, com a lembrança da primeira vinda de Deus feito homem ao mundo, estejamos atentos a essas outras vindas do Senhor: no fim da vida de cada um e no fim dos tempos. Por isso o Advento é o tempo de preparação e de esperança. “A esperança numa verdade que salva, uma luz mais forte que a escuridão, um caminho que transforma o coração. Tudo isto é o Advento. Nestes tempos difíceis para muitos, esforcemo-nos por redescobrir a grande esperança e alegria que nos dá a vinda do Filho de Deus ao mundo”, disse o Papa Francisco.

A palavra ADVENTO significa “Vinda”, chegada: nos faz relembrar e reviver as primeiras etapas da História da Salvação, quando os homens se preparam para a vinda do Salvador, a fim de que também nós possamos preparar hoje em nossa vida a vinda de Cristo por ocasião do Natal.

O tempo litúrgico do Advento celebra a vinda de Deus, nos seus dois momentos: primeiro convida-nos a despertar a expectativa da vinda gloriosa de Cristo; depois, aproximando-nos do Natal, chama-nos a acolher o Verbo que se fez homem para a nossa salvação. Mas o Senhor vem continuamente na nossa vida. Portanto, é oportuno como nunca o apelo de Jesus, que neste primeiro domingo nos é proposto com vigor: “Vigiai!” (Mc 13, 33.35.37). Dirige-se aos discípulos, mas também  “a todos”, porque cada um, na hora que só Deus conhece, será chamado a prestar contas da própria existência. Isto exige um justo desapego dos bens terrenos, um arrependimento sincero dos próprios erros, uma caridade laboriosa em relação ao próximo e sobretudo uma entrega humilde e confiante nas mãos de Deus, nosso Pai eterno e misericordioso.

Os textos bíblicos deste primeiro domingo nos permitem descobrir o que é o Advento: é memória, presença e espera, como, aliás, toda a liturgia da Igreja: Memória e espera. Vejamos Isaías, o profeta que viveu setecentos anos antes de Cristo: Sois vós, Senhor, o nosso pai, nosso Redentor (… ). Por que, Senhor, desviar – nos para longe de vossos caminhos (…). Voltai, por amor de vossos servos e das tribos de vossa herança! A lembrança da bondade de Deus nos faz descobrir a tristeza da situação presente, mas nos leva a esperar, para o futuro, uma nova intervenção divina.

O Evangelho (Mc 13, 33 –37) convoca os cristãos à vigilância: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento”. “ Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem…” Chegou a hora de acordar, para que não nos encontre dormindo! É preciso deixar as trevas e ser iluminados pela luz do dia, pela luz de Cristo. Trata-se da conversão: deixar as obras das trevas e fazer o bem revestindo-se do Senhor Jesus Cristo.

“Vigiai, pois, não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se a dormir” (Mc 13, 35-36). Na realidade, o verdadeiro “dono” do mundo não é o homem, mas Deus. O Tempo do Advento chega todos os anos para recordar isto, para que a nossa vida encontre a sua orientação justa, rumo ao rosto de Deus. O rosto não de um “dono”, mas de um Pai, de um Amigo. Vigiar significa seguir o Senhor, escolher o que Cristo escolheu, amar o que Ele amou, conformar a própria vida com a sua; vigiar exige que se transcorra cada momento do nosso tempo no horizonte do seu amor, sem nos deixarmos abater pelas inevitáveis dificuldades e problemas cotidianos.

Preparemos o caminho para o Senhor que chegará em breve; e se notarmos que a nossa visão está embaçada e não distinguimos com clareza essa luz que procede de Belém, é o momento de afastar os obstáculos. É tempo de fazer com especial delicadeza o exame de consciência e de melhorar a nossa pureza interior para receber a Deus. É o momento de discernir as coisas que nos separam do Senhor e de lançá-las para longe de nós. Um bom exame de consciência deve ir até as raízes dos nossos atos, até os motivos que inspiram as nossas ações. E logo buscar o remédio no Sacramento da Penitência (Confissão)!

“Vigiai, não sabeis em que dia o Senhor virá”. Não se trata apenas da “parusia”, mas também da vinda do Senhor para cada homem no fim da sua vida, quando se encontrar face a face com o seu Salvador; e será esse o dia mais belo, o princípio da vida eterna! Toda a existência do homem é uma constante preparação para ver o Senhor, que cada vez está mais perto; mas no Advento a Igreja ajuda-nos a pedir de um modo especial: “Senhor, mostrai-me os vossos caminhos e ensinai-me as vossas veredas. Dirigi-me na vossa verdade, porque sois o meu Salvador” (Sl 24).

“Vigiai!” Essa palavra, no Evangelho, ressoa espera! É uma palavra que faz de nós discípulos, sentinelas ou, como disse Jesus, porteiros. Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos ( Mc 13, 34).”Vigiai!”. Este é o apelo de Jesus no Evangelho! Dirige-o não só aos seus discípulos, mas a todos: “Vigiai!” (Mc 13, 37). É uma chamada saudável a recordar-nos de que a vida não tem só a dimensão terrena, mas está projetada para um “além”. Cada um de nós será chamado a prestar contas de como viveu, como utilizou as suas capacidades: se as conservou só para si ou se as fez frutificar inclusive a favor dos irmãos.

A vida do porteiro num prédio moderno de cidade é realmente uma parábola viva para o cristão. Nunca afastar – se sem ter um substituto, fechar as portas, vigiar quem sai e quem entra, cuidar para que não haja invasão de ladrões; enfim, vigiar sempre. Sua vida é uma vida de espera, ou melhor, de “atenção”. Ficai de sobreaviso, vigiai! É viver concentrando a atenção não só da mente, mas também do coração e de toda a vida; viver tendendo para alguma coisa, prontos a captar todos os sinais que anunciam sua presença.

É muito oportuno que no início do Advento a Igreja dê um grande destaque àquelas palavras de São Paulo: Já é hora de despertardes do sono (Rm 13, 11 ).

O Cristão não vive só na espera de Cristo, mas também em comunhão com Cristo, isto é, na posse daquilo que espera. Isto nos recorda o tempo do Advento.

Para manter este estado de vigília, é necessário lutar, porque a tendência de todo homem é viver de olhos cravados nas coisas da terra.

Fiquemos alertas! Assim será, se cuidarmos com atenção da oração pessoal, que evita a tibieza e, com ela, a morte dos desejos de santidade; estaremos vigilantes se não abandonarmos os pequenos sacrifícios, que nos mantêm despertos para as coisas de Deus. Diz-nos São Bernardo: “Irmãos, a vós, como às crianças, Deus revela o que ocultou aos sábios e entendidos: os autênticos caminhos da salvação. Aprofundai no sentido deste Advento. E, sobretudo, observai quem é Aquele que vem, de onde vem e para onde vem; para quê, quando e por onde vem. É uma curiosidade boa. A Igreja não celebraria com tanta devoção este Advento se não contivesse algum grande mistério”

Procuremos afastar os motivos que impedem a acolhida do Senhor:

– os prazeres da vida: a pessoa mergulhada nos prazeres fica alienada… No domingo, dorme… passeia… pratica esportes… mas não sobra tempo para a Missa.

– trabalho excessivo: a pessoa obcecada pelo trabalho esquece o resto: Deus, a família, os amigos, a própria saúde…

Como desejo me preparar para o Natal desse ano?

Apenas programando festas, presentes, enfeites, músicas?

Preparemos numa atitude de humildade e vigilância a chegada de Cristo que vem.

Fiquemos vigilantes! Porém, não vigiar apenas com as forças humanas, mas na oração para que Deus nos ajude a estar vigilantes!

Maria Santíssima, Virgem do Advento, permita que vivamos este tempo de Graça, vigilantes e ativos, na expectativa do Senhor. Com a sua ajuda materna, tornemo-nos dóceis à ação do Espírito Santo, para que o Deus da paz nos santifique plenamente, e a Igreja se torne sinal e instrumento de esperança para todos os homens.

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