Artigos, Notícias › 06/11/2021

Ser Santo: Um Chamado de Deus

Celebramos o triunfo de todos os santos, os nossos heróis. Afinal, olhamos para a meta da nossa existência, para a qual fomos criados e vemos os que já chegaram. Os declarados solenemente pela Igreja e também muitíssimos outros que para sempre gozam da glória divina.

A memória litúrgica dedica um dia especial a todos aqueles que uniram com Cristo em sua glória. Eles não nos são indicados apenas como arquétipos, mas invocados também como protetores das nossas ações. Os Santos são os filhos de Deus que atingiram a meta da salvação e que vivem, na eternidade, aquela condição de bem-aventurança expressa por Jesus no Sermão da Montanha, narrado no Evangelho de Mateus (5, 1-12). Os Santos são aqueles que também nos acompanham no nosso percurso de imitação de Jesus, que nos leva a ser pedra angular na construção do Reino de Deus.

 A nossa vocação é para a Santidade! É o que nos atesta São Paulo: “Foi assim que nEle nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos” (Ef 1, 4). “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Tes. 4, 3).

A Igreja recorda a santidade à qual os cristãos são chamados, como apresenta o Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Gaudete et Exultate sobre o chamado à santidade no mundo atual: “O Senhor nos quer santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa” (GE, 1).

“A santidade é o rosto mais belo da Igreja”. “Não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça. No fundo, como dizia León Bloy, na vida “existe apenas uma tristeza: a de não ser santo” (Papa Francisco, GE, 34).

A Igreja convida-nos, hoje, a pensar naqueles que, como nós, passaram por este mundo lutando com dificuldades e tentações parecidas às nossas, e venceram. É essa grande multidão que ninguém poderia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, como nos fala São João em Ap. 7, 2 -14. Todos estão marcados na fronte, revestidos de vestes brancas, lavados no Sangue do Cordeiro (Ap 7, 4). A marca e as vestes são símbolos do Batismo, que imprime no homem, para sempre, o caráter da pertença a Cristo, e a graça renovada e aumentada pelos Sacramentos e pelas boas obras.

Festejamos e pedimos ajuda à multidão incontável que alcançou o Céu depois de ter passado por este mundo semeando amor e alegria quase sem terem consciência disso; recordamos aqueles que, enquanto estiveram entre nós, se ocuparam talvez num trabalho semelhante ao nosso: empregados de escritório, comerciantes, empregadas domésticas, professores, secretárias, trabalhadores da cidade e do campo… Lutaram com dificuldades parecidas às nossas e tiveram que recomeçar muitas vezes, como nós procuramos fazer.

Mas “para que servem o nosso louvor aos santos, o nosso tributo de glória, esta nossa solenidade?” Com esta interrogação tem início uma famosa homilia de São Bernardo para o dia de Todos os Santos. É uma pergunta que se poderia fazer também hoje. E atual é inclusive a resposta que o Salmo nos oferece: “Os nossos santos diz não têm necessidade das nossas honras, e nada lhes advém do nosso culto. Por minha vez, devo confessar que, quando penso nos santos, sinto-me arder de grandes desejos”. Eis, portanto, o significado da solenidade de hoje: contemplando o exemplo luminoso dos santos, despertar em nós o grande desejo de ser como os santos: felizes por viver próximos de Deus, na sua luz, na grande família dos amigos de Deus. Ser santo significa: viver na intimidade com Deus, viver na sua família. Esta é a vocação de todos nós, reiterada com vigor pelo Concílio Vaticano ll, e hoje proposta de novo solenemente à nossa atenção.

 

Todos fomos chamados a alcançar a plenitude do Amor, a lutar contra as nossas paixões e tendências desordenadas, a recomeçar sempre que preciso, porque “a santidade não depende do estado – solteiro, casado, viúvo, sacerdote – mas da correspondência pessoal à graça que a todos nós é concedida” (São Josemaria Escrivá). A Igreja recorda-nos que o trabalhador que todos as manhãs empunha a sua ferramenta ou caneta, ou a mãe de família que se ocupa em seus trabalhos domésticos, no lugar que Deus lhes designou, devem santificar-se cumprindo fielmente os seus deveres.

Agora podemos fazer nossa a oração de Santa Teresa, que ela mesma escutará: “Ó almas bem-aventuradas, que tão bem soubestes aproveitar e comprar herança tão deleitosa…! Ajudai-nos, pois estais tão perto da fonte; obtei água para os que aqui perecemos de sede”.

Nós somos ainda a Igreja peregrina que se dirige para o Céu; e, enquanto caminhamos, temos de reunir esse tesouro de boas obras com que um dia nos apresentaremos a Deus. Ouvimos o convite do Senhor: “Se alguém quer vir após Mim…” Todos fomos chamados à plenitude da vida em Cristo. O Senhor chama-nos numa ocupação profissional, para que ali o encontremos, realizando as nossas tarefas com perfeição humana e, ao mesmo tempo, com sentido sobrenatural: oferecendo a Deus, vivendo a caridade com os nossos colegas, praticando a mortificação de um trabalho perfeitamente terminado, procurando já aqui na terra o rosto de Deus, a quem um dia veremos face a face.

“Para amar a Deus e servi-Lo, não é necessário fazer coisas estranhas. Cristo pede a todos os homens, sem exceção, que sejam perfeitos como o seu Pai celestial é perfeito (Mt. 5, 8). Para a grande maioria dos homens, ser santo significa santificar o seu trabalho, santificar-se no seu trabalho e santificar os outros com o seu trabalho, e assim encontrar a Deus no caminho da vida” (São Josemaria Escrivá).

Vale a pena meditar as palavras de São João Paulo II, apontando a santidade ao alcance de todos: “ São Josemaria foi escolhido pelo Senhor para anunciar a chamada universal à santidade e mostrar que as atividades correntes que compõem a vida de todos os dias são caminho de santificação. Pode-se dizer que foi o santo do cotidiano. De fato, estava convencido de que, para quem vive sob a ótica da fé, tudo é ocasião de um encontro com Deus, tudo se torna um estímulo para a oração. Vista desta forma, a vida diária revela uma grandeza insuspeitada. A santidade apresenta-se verdadeiramente ao alcance de todos” (São João Paulo II).

O que fizeram essas mães de família, esses intelectuais ou operários…, para estarem no Céu? Pois bem, procuraram santificar as pequenas realidades diárias! E é isso o que temos de fazer: ganhar o Céu todos os dias com as coisas que temos entre mãos, entre as pessoas que Deus colocou ao nosso lado. O exemplo dos santos constitui para nós um encorajamento a seguir os mesmos passos, a experimentar a alegria daqueles que confiam em Deus, porque a única verdadeira causa de tristeza e de infelicidade para o homem é o fato de viver longe de Deus.

Encontramo-nos a Caminho do Céu e muito necessitados da misericórdia do Senhor! Para ir ao Céu precisamos fazer a nossa parte. Procurar viver a verdade que Cristo nos deixou e que a Igreja ensina, sendo dóceis à graça divina. No Evangelho (Mt 5, 1-12), Nosso Senhor dá condições espirituais para a santidade. Por exemplo, pobres em espírito são os não apegados aos bens deste mundo, e os aflitos são os que participam da Cruz de Cristo com amor e fé.

“Jesus começa o Sermão da Montanha (Mt 5,3) com a palavra “Bem-aventurados”, que quer dizer Felizes. Somos bem-aventurados (felizes) por encontrar Jesus. É o anúncio principal, de uma felicidade sem precedentes. As bem-aventuranças, a santidade, não é um programa de vida feito apenas de esforço e renúncia, mas é sobretudo a alegre descoberta de ser filhos amados por Deus. Não é uma conquista humana, é um dom que recebemos: somos santos porque Deus, que é o Santo, vem habitar em nossas vidas. Por isso, somos bem-aventurados!

Perguntemo-nos o seguinte: somos cristãos alegres? Espalhamos a alegria ou somos pessoas maçantes e tristes, com uma expressão fúnebre? Lembremo-nos: não há santidade sem alegria!” (Papa Francisco, no Angelus da Festa de Todos os Santos, 01 de novembro de 2021).

A condição para entrar no Céu é fazer a vontade de Deus e do modo como Deus quer. Significa um combate espiritual até o fim da vida, luta pessoal constante em buscar a coerência da vida à fé nas opções a fazer, nas decisões a tomar. Significa empregar os meios, especialmente oração e Sacramentos. O principal é Deus que realiza com a sua graça. O Céu é presente de Deus e está ao alcance da vontade de qualquer um que queira.

A festa de hoje procura nos animar a ir em frente no caminho da santidade, com confiança e coragem. Em resumo, o Céu é a felicidade perfeita e para sempre. Devemos desejá-lo acima de tudo. O que Deus nos oferece é o bem supremo. Cristo nos une ao seu mistério, que é mistério de vitória. Assim como os Santos, se estivermos bem unidos a Cristo, a vitória está prometida. Que a intercessão e o exemplo dos Santos nos ajudem. Eles deixaram-nos seus exemplos, intercedem por nós junto de Deus, e são a nossa torcida.

Invoquemos especialmente Maria, Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela é a Rainha dos santos, a Toda Santa, nos faça ser fiéis discípulos do seu Filho Jesus Cristo! No Céu espera-nos a Virgem Maria, para estender-nos a mão e levar-nos à presença do seu Filho e de tantos seres queridos que nos aguardam. Que Maria nos ajude a caminhar com prontidão na vereda da santidade!

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