Publicadas as orientações para o caminho de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade

O documento esclarece que não se trata de repetir a consulta do Sínodo, nem de acrescentar tarefas adicionais à vida das comunidades, mas de reler o que já foi vivido, reconhecer os frutos e as dificuldades, e disponibilizar a experiência amadurecida numa lógica de troca de dons entre as Igrejas.

As duas primeiras Assembleias (as de nível local e nacional) elaboram dois textos complementares: um documento de releitura — o relatório narrativo para as Dioceses e Eparquias, a relação teológico-pastoral para as Conferências Episcopais — e uma carta às outras Igrejas locais, redigida durante a própria Assembleia. É esta última o instrumento concreto da troca de dons: cada comunidade oferece o que amadureceu e se dispõe a acolher o que as outras Igrejas lhe oferecem. As Assembleias continentais, por sua vez, elaborarão um relatório de perspectiva que servirá para a elaboração do Instrumentum laboris (documento de trabalho) da Assembleia eclesial de 2028.

Todos os materiais serão transmitidos à Secretaria Geral do Sínodo de acordo com um calendário preciso: até 30 de junho de 2027 para a etapa diocesana e eparquial, até 31 de dezembro de 2027 para a das Conferências Episcopais, até 30 de abril de 2028 para a etapa continental, em preparação para a Assembleia eclesial de outubro de 2028.

As palavras do Cardeal Grech

«O que propomos às Igrejas locais — afirma o Cardeal Mario Grech, Secretário- Geral do Sínodo — não é uma tarefa adicional, mas um tempo de discernimento compartilhado e de ação de graças, no qual reler juntos o que o Espírito está fazendo crescer na Igreja e reconhecer os passos que somos chamados a dar. As Assembleias não coincidem, de fato, com uma consulta sociológica nem com uma dinâmica deliberativa, nem são uma verificação técnica, mas sim uma forte experiência eclesial e espiritual de discernimento: um momento de síntese e de relançamento do caminho, para que a troca de dons entre as Igrejas se torne uma experiência concreta e a sinodalidade se traduza cada vez mais em um estilo ordinário da vida eclesial a serviço da missão».

Composição das Assembleias, responsabilidades e metodologia

O documento sublinha que a composição das Assembleias deve ser coerente com o seu objetivo. Na seleção dos participantes, deve-se garantir uma atenção adequada à relação entre homens e mulheres e entre as diferentes gerações, à diversidade cultural e eclesial — incluindo presbíteros, diáconos, consagradas e consagrados, membros de associações, movimentos e novas comunidades, fiéis não inseridos em estruturas organizadas — e à presença de pessoas que vivem situações de fragilidade ou marginalidade. Deve-se dar especial atenção ao envolvimento dos párocos. Quando for oportuno, poderão participar também representantes de outras Igrejas e Comunhões cristãs ou de outras religiões. É essencial, porém, que as pessoas escolhidas estejam dispostas a apoiar o processo inclusive após 2028, contribuindo para garantir sua continuidade.

A responsabilidade pelo processo cabe ao bispo diocesano ou eparquial para as Assembleias locais, ao presidente da Conferência Episcopal para as nacionais ou regionais, e aos responsáveis pelas instâncias continentais para esse nível. As equipes sinodais, ativadas em todos os níveis, cuidam da organização e da coordenação.
Quanto à metodologia, o documento convida a manter a conversa no Espírito, já amplamente difundida e utilizada, como referência metodológica privilegiada.

Ferramentas e acompanhamento

O documento insere-se na fase de implementação do Sínodo, terceiro momento do processo delineado pela constituição apostólica Episcopalis communio, após a consulta ao Povo de Deus (2021-2023) e a fase de celebração, que culminou nas duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023 e outubro de 2024. Iniciada pelo Papa Francisco com a entrega do Documento final, esta fase foi confirmada e promovida pelo Papa Leão XIV. O texto de hoje dá forma mais concreta ao que já havia sido antecipado nas Pistas para a fase de implementação do Sínodo (29 de junho de 2025).

Juntamente com o Documento final e as Pistas, acompanham o percurso também os Relatórios finais dos Grupos de Estudo instituídos pelo Papa Francisco após a primeira Sessão da Assembleia, publicados progressivamente no sitewww.synod.va. A Secretaria Geral do Sínodo disponibilizará, além disso, materiais de trabalho adicionais e organizará encontros formativos online para apoiar os responsáveis pelo processo nas Igrejas locais.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *