Semana Nacional da Família: Padre Manoel fala sobre a importância da família e o despertar vocacional para o sacerdócio

Padre Manoel da Silva Gouvêa, Assessor Eclesiástico para Pastoral Familiar, conversou com a Webtv Amor Divino e falou sobre a Semana Nacional da Família, que será realizada de 9 a 15 de agosto, com o tema “Família, torna-te aquilo que és” e o lema “O amor jamais acabará”.

Ele afirmou que a família é uma vocação, uma Igreja doméstica e um dom de Deus, ressaltando a importância da oração, do diálogo, do perdão e do compromisso entre seus membros. Ele também falou sobre a união entre pastorais e movimentos que atuam em favor da vida e da família.

Padre Manoel explicou como a Semana Nacional da Família está organizada e acontecerá na Diocese de Petrópolis, com encontros, celebrações, momentos de oração e outras atividades. A entrevista também aborda a participação do padre Manuel no Simpósio Nacional das Famílias, em Aparecida, que reuniu representantes de diversas iniciativas católicas e recebeu uma mensagem do Papa Leão XIV.

Por fim, o padre recorda sua trajetória vocacional e ordenação sacerdotal, incentivando os jovens a não terem medo de responder ao chamado de Deus. Ao concluir, reforça que a família deve ser protegida e valorizada, pois “é maior do que os problemas” e o amor jamais acabará.

Rogério Tosta: Padre Manoel qual a importância de celebrarmos e termos uma semana inteira dedicada à celebração da família?

Padre Manoel da Silva Gouvêa: A Semana Nacional da Família, que neste ano chega à sua 30ª edição, já é celebrada há 30 anos. Ela acontece dentro do contexto do mês de agosto, o mês das vocações.

Deus nos chama à vocação à santidade, obviamente, mas também nos chama a vocações específicas aqui na Terra. Nesta primeira semana, por exemplo, celebramos as vocações ao ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. Tivemos o Dia do Padre na última terça-feira, dia 4, e teremos o Dia do Diácono na próxima segunda-feira, dia 10, memória de São Lourenço.

Na segunda semana de agosto, começando com o Dia dos Pais — que também é uma comemoração familiar —, iniciamos todos os anos a Semana Nacional da Família. Fazemos isso para que a família, a Igreja doméstica e o santuário da vida possam resgatar a sua vocação.

Ser família é uma vocação. Ser família é ser instrumento de Deus, porque Deus é família: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é relação perfeita. Por isso, desejamos que as famílias cristãs possam olhar para Deus e também ser exemplo de unidade, comunhão, amor e acolhida.

As famílias, hoje, precisam reafirmar cada vez mais essa vocação que vem de Deus, uma vez que existem tantos ataques contra a família e contra o ser humano. A Igreja, sempre a favor da vida e da família, defenderá a dignidade da família, que é criação e obra de Deus para o bem-estar do ser humano.

Rogério Tosta: O tema da Semana Nacional da Família é “Família, torna-te aquilo que és”. Qual é a importância desse tema? O que ele quer dizer para todos nós?

Padre Manoel da Silva Gouvêa: O tema deste ano é “Família, torna-te aquilo que és”, com o lema “O amor jamais acabará”, da Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 13, versículo 8.

O tema deste ano está fundamentado em duas grandes comemorações: os 45 anos da Familiaris Consortio, um grande documento de São João Paulo II sobre a família, publicado em 1981, quando o mundo vivia outro contexto e outra realidade; e os dez anos da Amoris Laetitia, documento mais recente, elaborado pelo nosso saudoso Papa Francisco, em 2016.

Isso é importante porque a família sofre muitos ataques atualmente. Existem tantos preconceitos e, para não dizer críticas extremas, muitas pessoas querem criar novas formas de família e novos modos de ser família, quando, na verdade, Deus criou a família. Deus é o criador da família, dessa vocação e dessa Igreja doméstica.

A Igreja, como mãe e mestra da verdade e como corpo místico de Cristo, tem a obrigação de reafirmar esse dom de Deus para a vida da sociedade.

Assim, inspirados em São João Paulo II, em 1981, e no Papa Francisco, em 2016, e fundamentados nessa bonita tradição e nesse resgate da nossa fé católica, queremos reafirmar o dom da família.

“Família, torna-te aquilo que és” significa: família, seja de Deus; seja a vocação de Deus; seja instrumento do céu para a sociedade. Afinal, sem a família, como poderemos construir uma sociedade saudável?

Todos nós somos frutos de uma casa, de um lar. Todos somos frutos do amor de um casal. Por isso, devemos reafirmar a beleza da família, para que a sociedade não se perca e para que essa Igreja doméstica não seja destruída.

Rogério Tosta: Como será a celebração da Semana Nacional da Família na diocese? Quais serão os principais eventos?

Padre Manoel da Silva Gouvêa: O atual casal coordenador da Pastoral Familiar em nossa diocese é o diácono Wagner e sua esposa, Vanessa. Eles são naturais da Paróquia de Santo Aleixo, na Baixada, e estão liderando toda a coordenação dos trabalhos da nossa Pastoral Familiar.

O diácono permanente Vagner e sua esposa, Vanessa, com o Padre Manoel no encontro em Aparecida

É claro que cada decanato tem a sua realidade própria. Portanto, todos estão muito livres para realizar as atividades.

Aqui, por exemplo, no Decanato Santa Teresa, em Teresópolis, existe uma tradição própria da cidade. A cada dia da Semana da Família, todos se reúnem em uma paróquia específica.

Por exemplo, no próximo domingo, dia 9, a abertura será na Paróquia de São Judas Tadeu, em Agriões. Assim, todos irão para Agriões nesse dia. Na segunda-feira, será na Paróquia de São Charbel, em Pessegueiros. Todos irão para lá, e assim seguirá durante toda a semana. Em Teresópolis, temos essa tradição.

Já em outros decanatos, a Semana da Família acontece em cada paróquia, com atividades próprias.

O mais importante é utilizar o livrinho Hora da Família, que traz o tema, o lema e todo o desenvolvimento das atividades. Todos os temas foram muito bem escolhidos.

Nada impede, porém, que a Semana da Família também seja realizada de acordo com a criatividade do povo brasileiro. Podemos fazer, por exemplo, uma semana de cura pelas famílias, um simpósio teológico, algo mais intelectual ou um aprofundamento teológico.

Também pode ser realizado um Cerco de Jericó pelas famílias, com uma proposta mais carismática. Dentro da criatividade do povo de Deus, o mais importante é que a Semana Nacional da Família seja bem celebrada.

Esperamos que a Pastoral Familiar, unida ao Encontro de Casais com Cristo, às Equipes de Nossa Senhora, à Missão em Casais Restaurados, à Experiência de Amor para Casais e a todos os grupos que trabalham pela família, assim como à Comissão Diocesana em Defesa da Vida, possa unir forças para que a Semana da Família seja uma bênção para toda a nossa diocese.

Esperamos, portanto, que, do próximo domingo até o dia 15 de agosto — do dia 9 ao dia 15 —, tudo aconteça muito bem nos quatro decanatos da nossa diocese.

Rogério Tosta: Essa participação comunitária é importante. O senhor citou vários movimentos e a Pastoral Familiar. Qual é a importância desses movimentos e da Pastoral Familiar no trabalho junto às famílias da sociedade, principalmente hoje, quando vemos muitas famílias se desestruturarem por problemas que poderiam ser superados?

Padre Manoel da Silva Gouvêa: Exatamente. A integração de todos os grupos em prol da vida e da família é importante porque estamos vendo muitas famílias desintegradas. Casais de namorados ou noivos chegam ao matrimônio sem ter uma noção clara sobre a vida a dois e sobre o compromisso para uma vida inteira.

Essa é a grande crise do mundo contemporâneo: o compromisso para a vida inteira. As pessoas estão acostumadas à cultura do descartável, ou seja, do provisório. Algo dura apenas um, dois ou cinco anos e, se eu não aguentar, “chuto o balde” e vou embora.

Não é assim. É preciso haver todo um ensinamento sobre o amor verdadeiro, a paciência, o perdão, a compreensão e o compromisso para a vida inteira. É necessário ter um coração dilatado no amor de Deus, para que tudo isso seja resgatado, especialmente entre as novas gerações.

O Jubileu das Famílias que aconteceu em 2025 no Santuário Bom Jesus de Matosinhos

Pedimos que os avós e os pais eduquem seus filhos e netos e transmitam esse legado a eles dentro da vida da Igreja, para que saibam da importância da família.

A família tem momentos de dificuldade e obstáculos, mas isso é natural. Somos seres humanos e também enfrentamos situações difíceis. Contudo, o amor de Deus sempre supera tudo.

Deus dá a graça, Deus quer e permite todas as coisas, e sempre sustentará aqueles que confiam nele. Esperamos, portanto, que a família seja um local de oração. Se os casais não rezarem, se os filhos não rezarem e se a família não for uma comunidade de oração, é claro que ela realmente não se sustentará.

Insistimos muito nisso porque, hoje em dia, cada pessoa está preocupada com a própria vida, carreira, estudos, trabalho, dinheiro e conforto. Na verdade, a família é um conjunto de fatores. Temos de saber trabalhar em equipe e juntos.

O mundo está muito individualista: cada um pensa apenas em si e vive fechado no próprio mundo. Mas família não é pensar somente em si. É pensar no outro, querer fazer o outro feliz e fazer sacrifícios pelo bem daqueles que amamos.

Esse pensamento altruísta precisa ser verdadeiramente resgatado em nossa sociedade.

Rogério Tosta: Para concluirmos esta parte sobre a Semana Nacional da Família, não posso perder a oportunidade de ampliar um pouco a nossa conversa falando sobre a mensagem do Papa, enviada ao Simpósio Nacional sobre a Família, realizado no Brasil, do qual o senhor participou.

Após o vídeo, gostaria que o senhor comentasse sobre o simpósio, sua importância e o significado de estar presente naquele momento e receber essa mensagem do Papa em português.

Padre Manoel da Silva Gouvêa: Olha, Dom Bruno Eliseu Versari é o bispo da Diocese de Ponta Grossa, no Paraná, e o atual presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB.

Quando ele pegou o microfone e anunciou, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida, que o Papa havia enviado uma mensagem aos participantes do simpósio, todos imaginavam que seria uma mensagem em italiano e que teríamos de ler as legendas em português.

Mas, quando ele exibiu o vídeo e vimos o Papa falando em português, foi uma grande bênção!

Papa Leão XIV COPYRIHHT @ VAICAN MEDIA

Éramos cerca de 4 ou 5 mil pessoas, vindas de todas as partes do Brasil, naquele dia 30 de maio, em Aparecida. Quando o Papa começou a falar em português, todos ficaram estupefatos. Quando o vídeo terminou, as pessoas comemoraram, bateram palmas e gritaram emocionadas, como se fosse um gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.

Foi muito bonito ver a comunhão do nosso querido Papa Leão XIV, que fez esse vídeo demonstrando seu carinho e afeto pela Igreja no Brasil e falando sobre a realidade da família.

O Papa chama a família de célula vital da sociedade e demonstra conhecer as situações pelas quais as famílias estão passando, inclusive as situações difíceis. Precisamos ter misericórdia diante de muitas situações e de muitas pessoas. Há famílias que passam por grandes dificuldades, e os agentes da Pastoral Familiar precisam levar adiante essa missão.

O Papa também destaca a importância da Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Era uma família simples, com um pai trabalhador, carpinteiro, e uma mãe dedicada ao lar. Uma família que viveu na humildade e na pobreza, mas que soube colocar Deus no centro do coração. É isso que as nossas famílias precisam fazer.

A mensagem do Papa foi um grande estímulo e uma grande motivação para todos nós que estávamos naquele simpósio. O vídeo foi rapidamente compartilhado. Eu também o compartilhei nos grupos de WhatsApp da diocese e do clero e o enviei a Dom Joel.

Todos os padres ficaram muito empolgados ao saber que o Papa reza pelas famílias, que se preocupa com elas e que tem essa atenção especial à Igreja no Brasil.

Se o sucessor de Pedro nos motiva, quem somos nós para ficar de braços cruzados, sem fazer nada? Devemos levar adiante esse grande trabalho.

Louvado seja Deus porque o Papa está rezando por nós, pela Igreja no Brasil e pelo simpósio do qual participamos.

Rogério Tosta: Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre o simpósio e sua importância, porque ele também parece traçar um pouco do trabalho da Igreja com as famílias no Brasil.

Padre Manoel da Silva Gouvêa: O simpósio foi um grande encontro realizado no dia 30 de maio. Normalmente, ele acontece no último fim de semana desse mês. Já são dez anos de realização do Simpósio Nacional das Famílias.

O simpósio acontece no sábado, e, no domingo, é realizada a Romaria Nacional das Famílias, no Santuário Nacional. O simpósio ocorre no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, que fica ao lado do Centro de Apoio ao Romeiro.

Ali se reúnem representantes da Pastoral Familiar vindos de todas as partes do Brasil. Uma coisa bonita que pude perceber neste e em outros simpósios dos quais também participei é que não está presente apenas a Pastoral Familiar.

Padre Manoel com outros sacerdotes no Simpósio em Aparecida

Todos os grupos que trabalham em prol da vida e da família, espalhados pelo Brasil inteiro, estavam representados. Havia vários estandes e espaços identificados com os nomes do Encontro de Casais com Cristo, das Equipes de Nossa Senhora, de movimentos e de diversos grupos.

Isso demonstra a diversidade dos dons que o Espírito Santo suscita em prol da vida e da família. Tudo aquilo que trabalha pela família, pelos casais, pelos filhos e pela Igreja doméstica também faz parte da Pastoral Familiar.

Portanto, não é um evento reservado apenas à Pastoral Familiar, como se ela fosse um grupo separado. Na verdade, a Pastoral Familiar abrange todos os grupos do Brasil que trabalham com o tema da família.

Foi um verdadeiro momento de Pentecostes, em que pudemos ver a ação do Espírito Santo, que fala de diversas formas, mas na mesma língua: a língua do amor, da unidade e da comunhão.

É isso que esperamos que a Igreja no Brasil compreenda: os vários grupos que existem na Igreja em prol da família não são rivais nem competidores.

A Pastoral Familiar não é contra o Encontro de Casais com Cristo, nem contra as Equipes de Nossa Senhora. Ao contrário, ninguém é inimigo de ninguém. Não somos competidores. Isso não é um jogo, nem uma disputa. São dons do Espírito Santo, que fala de diversas formas para que a família seja conduzida ao céu.

No simpósio, vimos esse bonito Pentecostes. Participamos de diversas formações, tivemos música, interatividade e também o Simpósio Kids, um momento dedicado às crianças.

O simpósio das famílias não é apenas para casais. É para toda a família: crianças, avôs, avós, sogras, sogros, primos, cunhados, tios. A proposta é levar toda a família, não somente os casais.

Foram muitas crianças, graças a Deus. No final do dia, elas fizeram uma bela apresentação, cantaram e realizaram coreografias. Os pais ficaram emocionados e choraram ao ver os filhos cantando e rezando.

Depois, tivemos um momento muito bonito de adoração ao Santíssimo Sacramento e um show de evangelização com Eliane Ribeiro. Foi um sábado muito especial, com uma programação bem organizada.

No domingo, tivemos a missa às 8 horas da manhã, no altar central da Basílica. Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida, também esteve conosco para o encerramento daquele bonito fim de semana dedicado às famílias.

Valeu muito a pena participar. Tivemos uma boa representação da nossa Diocese de Petrópolis. Já divulgamos a data do próximo simpósio, que será no último fim de semana de maio de 2027, para que as pessoas possam se programar com antecedência e também estar conosco.

Além dos casais e das famílias, muitos padres e bispos estiveram presentes. Foi um evento muito bonito, que realmente valeu a pena.

 Rogério Tosta: Padre, já estamos começando a concluir este momento de conversa com o senhor. Estamos no mês vocacional, o mês de agosto, dedicado às vocações: sacerdotal, religiosa, à vida consagrada e também à família, especialmente porque é na família que nasce toda vocação.

Por isso, gostaria que o senhor contasse um pouco da sua história: como aconteceu o despertar vocacional para o sacerdócio e de onde o senhor vem, já que não é natural da Diocese de Petrópolis, mas de outra região do estado.

Padre Manoel da Silva Gouvêa: Muito bem. Neste ano, completei 15 anos de padre, no último dia 15 de maio. São 15 anos de sacerdócio.

Minha caminhada vocacional começou efetivamente quando entrei para o seminário, em 2002. Eu tinha entre 15 e 16 anos. Sou natural da Paróquia de São Sebastião, em Austin, na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, pertencente à Diocese de Nova Iguaçu.

Fui coroinha em minha paróquia entre 1999 e 2000. Eu tinha 13 ou 14 anos. Como qualquer adolescente daquela idade, não pensava em ser padre. Ao contrário, imaginava que teria uma família e seguiria uma vida comum.

Ordenação sacerdotal do Padre Manoel pelo então bispo de Petrópolis, Dom Filippo Santoro

Com o passar do tempo, trabalhando no altar, sendo coroinha e acompanhando o padre nas missas, comecei a refletir sobre a vocação. Naquele período, também surgiu na televisão o padre Marcelo Rossi, um padre jovem e animado. Tudo isso foi um conjunto de fatores que me levou a pensar: “Será que Deus quer algo diferente para mim? Será que Deus também está me chamando para o sacerdócio?”

Mas eu continuava com dúvidas: “Será que vou? Será que não vou?”

Em 2001, quando eu tinha 15 anos, estava bastante engajado na paróquia. Também sou congregado mariano e participava da Congregação Mariana. Naquela época, eu tinha um amigo chamado Ivan Chicanel, que era o presidente da congregação. Em outubro de 2001, ele me falou sobre um seminário mariano.

Perguntei: “Que seminário mariano é esse?”

Ele explicou que era um seminário onde havia uma Congregação Mariana entre os seminaristas. Perguntei onde ficava, e ele respondeu:

“Fica em Petrópolis, na diocese de Dom Vaz.”

Dom Vaz era muito conhecido pelos congregados marianos. Além de bispo de Petrópolis na época, ele também era vice-assistente eclesiástico nacional da Congregação Mariana. Por isso, participava dos eventos da congregação, celebrando missas e estando sempre presente conosco.

Ivan me falou sobre isso em outubro de 2001, mas deixei o assunto passar. Passaram-se novembro, dezembro e janeiro de 2002. Então, Ivan se aproximou de mim com um papel, dizendo:

“Liguei para o seminário de Petrópolis, e você vai falar com este padre: o padre José Maria Pereira, do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, na Estrada União e Indústria.”

Eu perguntei:

“Ivan, você vai comigo?”

Ele respondeu:

“Não poderei ir, porque será no dia 6 de fevereiro, uma quarta-feira, e estarei trabalhando. Você irá com sua mãe e conversará com o padre José Maria.”

Conversei com minha mãe e também com meu pai sobre a questão vocacional. Graças a Deus, eles aceitaram muito bem, especialmente minha mãe, que já me acompanhava nas missas.

No dia 6 de fevereiro, fui ao Seminário Diocesano. Fui sozinho. Naquele dia, eu nunca tinha ido a Petrópolis, então estava bastante inseguro e até com um pouco de medo, mas segui as orientações.

Naquela época, a rodoviária ainda não funcionava no Bingen; ficava na avenida, no Centro. Peguei o ônibus 700, que terminava em Itaipava, e desci em frente ao seminário.

Quando vi aquele prédio rosa, do outro lado da rua, pensei: “Deve ser ali.” Atravessei a rua e subi até o seminário. Era um lugar muito bonito e silencioso, porque o pessoal estava de férias.

Quando cheguei, vi um padre correndo de um lado para o outro no pátio. Era o padre José Maria, hoje nosso querido Dom José Maria, que está no Rio de Janeiro.

Ele me acolheu, conversou comigo e me mostrou os três andares do prédio do Seminário Diocesano. Depois, realizou uma entrevista com uma série de perguntas:

“O que você acha que é ser padre? Por que você está aqui?”

Ao final, disse que eu entraria para o seminário no dia 28 de fevereiro. Eu deveria apresentar uma carta de recomendação do meu pároco e recebi a lista do enxoval para iniciar o seminário.

Eu entraria para fazer o segundo ano do Ensino Médio, no seminário menor. Saí radiante do seminário, voltei para casa, conversei com meu pároco, em Austin, e falei com minha família. Começaram, então, os preparativos.

No dia 28 de fevereiro, entrei no Seminário Diocesano. Éramos muitos seminaristas naquela época: cerca de 70. O seminário estava bastante cheio.

Assim começou a minha vocação. Em 2002 e 2003, cursei o Ensino Médio. Depois, no seminário maior, fiz a faculdade de Filosofia, em 2004, 2005 e 2006, e a faculdade de Teologia, em 2007, 2008, 2009 e 2010.

Fui ordenado diácono no dia 1º de agosto de 2010, por Dom Filipo Santoro, na Catedral de São Pedro de Alcântara. Nove meses depois — uma verdadeira gestação espiritual —, no dia 15 de maio de 2011, fui ordenado padre pelo mesmo bispo, também na Catedral.

Fui o último padre ordenado por Dom Filipe Santoro. Naquele ano de 2011, em maio, fui ordenado padre. Em julho, o então monsenhor Gilson foi nomeado bispo auxiliar de Salvador, na Bahia. Em novembro, Dom Filipe foi nomeado arcebispo na Itália.

Tudo aconteceu ao longo daquele ano de 2011. Desde então, seguimos caminhando em nossa Igreja diocesana. Já passei por várias paróquias e exerci diversas funções.

Agora, em 2026, estamos aqui em Teresópolis, na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, na Barra do Imbuí, e também como assessor da Pastoral Familiar Diocesana.

São 15 anos de padre. Louvado seja Deus pela vocação que me confiou. Tudo começou quando eu era jovem, adolescente, e agora já estou com 40 anos de idade, bastante experiente. Seguimos levando adiante a nossa vida e a nossa vocação para a santidade.

Que o Senhor Jesus continue me usando, assim como a tantos padres e presbíteros, como instrumentos de evangelização na vida de tantas pessoas.

Convidamos todos os jovens, especialmente aqueles que estão nos acompanhando neste momento. Repetimos sempre aquela famosa frase: “Não tenha medo. Vale a pena.”

Diga sim a Deus. Entre para o seminário diocesano. Diga sim ao chamado do Senhor. Seja o rapaz chamado ao seminário; seja a moça chamada ao convento ou à vida consagrada; sejam também os casais chamados à vida familiar, à vocação doméstica e familiar.

Todas são vocações lindas. Portanto, não tenha medo de dizer sim ao chamado que Deus faz a você.

Rogério Tosta: Padre, gostaria que o senhor deixasse uma mensagem final para encerrarmos este momento.

Padre Manoel da Silva Gouvêa: Quero desejar a todos um mês vocacional abençoado. Agosto é o mês das vocações, um período em que somos chamados a olhar para a nossa vocação e dizer a Deus:

“Senhor, obrigado! Obrigado porque me chamaste.”

O Senhor me chamou à vida, chamou-me à existência e chama-me à santidade. Agradeço também pela vocação específica que me concedeu.

Ninguém nasce para ser um zero à esquerda. Ninguém nasce para ser uma pessoa sem vocação ou sem rumo na vida. Muito pelo contrário: todos temos uma vocação, um chamado, uma missão, uma profissão e uma jornada a seguir.

Sigamos adiante, firmes, cada um em sua missão específica.

Rezemos pelas vocações, não apenas no mês de agosto, mas durante todo o ano. Precisamos pedir ao Senhor da Messe, o Pastor do rebanho, que envie mais operários para a Messe.

Seja a vocação para o sacerdócio — como já falamos —, seja a vocação religiosa ou a vida consagrada. Devemos incentivar as vocações sacerdotais e pedir que as pastorais vocacionais e as equipes vocacionais paroquiais, assim como todos aqueles que trabalham pelas vocações, sigam adiante.

Quando anunciamos a vocação, com certeza ela se manifesta. Portanto, não tenham medo dessa vocação maravilhosa.

Temos também a vocação religiosa, os irmãos das congregações religiosas e aqueles que vivem a vida consagrada e fazem os votos de pobreza, obediência e castidade. Essa vocação será celebrada no terceiro domingo deste mês.

Temos ainda a vocação leiga, de nossos leigos que trabalham nas paróquias, nas comunidades, nas pastorais e nos movimentos, especialmente os catequistas. Celebraremos o Dia do Catequista no último domingo de agosto.

Tudo isso é vocação. Tudo isso é chamado de Deus. Tudo isso é motivo de gratidão.

Também quero dizer a você que é parte de uma família: prepare-se bem e viva intensamente a Semana Nacional da Família em sua comunidade, paróquia ou decanato.

Devemos amar nossas famílias e lutar por elas. Não podemos desistir das famílias. Não podemos olhar para os problemas e pensar que eles são maiores do que a família.

Não. A família é muito maior do que os problemas, porque a família é dom de Deus.

A família é dom de Deus e, justamente por ser um dom de Deus, o inimigo tentará atrapalhar e fazer com que desistamos de rezar e lutar por nossos lares.

Lutemos, rezemos e trabalhemos em prol de nossas famílias.

Família, torna-te aquilo que és. O amor jamais acabará.

Diante deste mundo marcado por riscos de guerras, ameaças, violência, feminicídios e tantas outras situações, devemos proclamar, junto com o apóstolo Paulo:

“O amor jamais acabará”, porque Deus é amor. Deus não pode desaparecer do coração das pessoas.

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