“Preparar corações para Cristo”: padre Thomas destaca missão dos fiéis e dos militares na solenidade de São João Batista

Na manhã de quarta-feira, 24 de junho, a Catedral São Pedro de Alcântara foi palco da Missa da Páscoa dos Militares, celebrada na solenidade de São João Batista. A homilia foi proferida pelo pároco da Catedral, padre Thomas Andrade Gimenez Dias, que destacou a missão do santo precursor e a responsabilidade dos cristãos, em especial dos militares, na preparação dos corações para Cristo.

Em sua saudação inicial na homilia, padre Thomas dirigiu-se a todos os presentes, sublinhando a importância da presença das forças de segurança na Igreja-Catedral para celebrar “com alegria o grande mistério da ressurreição do Senhor”.

Tomando como ponto de partida a figura de São João Batista, o pároco recordou o anúncio do anjo a Zacarias, de que Isabel, “velha e estéril”, conceberia um filho que traria alegria a muitos. Ele lembrou que, segundo a tradição e a reflexão teológica, João foi “repleto do Espírito Santo desde o útero materno” e preparado por Deus para uma vida santa e para anunciar “a iminência da chegada de Cristo ao mundo”.

Padre Thomas destacou que a grandeza da missão de João Batista está precisamente no fato de ter preparado os caminhos e os corações para a vinda de Jesus. “Celebramos hoje o nascimento do Precursor que, quando percebeu que se iniciava o ministério público de Jesus, de maneira discreta retirou-se e saiu de cena”, afirmou, citando a famosa frase do Evangelho: “É necessário que Ele cresça e eu diminua”.

O sacerdote relacionou a missão de João com a vocação de todos os batizados. “A missão que Deus confiou a ele, de certa maneira, Deus também confia a nós”, afirmou. Ele ressaltou que, assim como João preparou a primeira vinda de Cristo, os cristãos são chamados a preparar, diariamente, corações capazes de acolher Jesus, especialmente em vista de sua vinda gloriosa no fim dos tempos.

Dirigindo-se de modo particular aos militares presentes, padre Thomas insistiu na necessidade de começar pelo próprio interior. “O primeiro coração que nós devemos preparar é o nosso”, disse, questionando se o coração de cada fiel “está capaz de receber Cristo ou não”. Em seguida, ampliou a reflexão para os ambientes de convivência: “O coração daqueles que convivem conosco — em casa, no trabalho, no batalhão — são corações que estão dispostos a receber Cristo?”.

O pároco afirmou que Deus conta com a colaboração de cada cristão para preparar esses corações, “com a pregação viva, feita com a vida, com o exemplo de um bom católico”. Ele lembrou que Cristo vem espiritualmente ao encontro dos fiéis todos os dias, mas que haverá um encontro especial “no fim da vida e no fim dos tempos”, para o qual é preciso estar preparado.

No contexto da Páscoa dos Militares, padre Thomas retomou o sentido da celebração da ressurreição de Cristo: “Estamos aqui para celebrar a vitória da vida sobre a morte”. Ele convidou os presentes a examinarem se, na vida cotidiana, “a vida ressuscitada de Jesus impera” ou se “as sombras da morte” ainda tentam reinar no coração.

O sacerdote também recordou a origem histórica da Páscoa dos Militares no Brasil, remontando a 1945, quando se acentuou o costume de celebrar a Páscoa em outro momento do ano no meio castrense. Isso porque, nos campos da Segunda Guerra Mundial, muitos militares não puderam celebrar a Páscoa “com toda a pompa e solenidade que merece”, recorrendo posteriormente à Igreja para participar da Missa e receber a Eucaristia.

Ao falar sobre a comunhão pascal, padre Thomas sublinhou que, para os católicos, a Páscoa se concretiza de forma especial na recepção da Santíssima Eucaristia. “O Cristo imolado e ressuscitado, sob as frágeis aparências do pão e do vinho consagrados, entra na minha vida e, ao entrar na minha vida, transforma a minha vida, faz com que a minha vida seja também ressuscitada”, afirmou.

Concluindo a homilia, o pároco invocou a intercessão de São João Batista, “cujo nascimento hoje, em todo o mundo, celebramos”, lembrando que ele foi aquele que apontou “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, que é Jesus ressuscitado”. Padre Thomas encerrou pedindo que o santo rogue a Deus por todos os presentes, especialmente pelos militares, para que perseverem na fé e na missão de testemunhar o Cristo ressuscitado em seus ambientes de serviço e de vida.

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