Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Agradeço as profundas palavras que me dirigiu a senhora Ministra, bem como o Diretor deste Centro.
Hoje, na Igreja, celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que representa para os cristãos o amor misericordioso e infinito de Deus por cada ser humano. Neste contexto, é providencial que possamos encontrar-nos, ver-nos e, acima de tudo, saber que o amor de Deus não conhece fronteiras, não faz distinções, é concedido a todos e nos congrega na unidade, independentemente da nossa origem.
Ao olhar para os vossos rostos e ao ouvir os vossos testemunhos, penso também nos vossos corações, feridos por tantas dificuldades, mas igualmente consolados pelo amor recebido graças a outros corações abertos, generosos e misericordiosos. O Coração de Cristo sofreu e foi traspassado por amor, e também foi confortado por pessoas compassivas que se aproximaram para aliviar a sua dor.
Jesus, para explicar a universalidade do amor, apresentou como exemplo o serviço prestado por um homem que, de outro povo e religião, se compadeceu dum ferido e maltratado (cf. Lc 10, 25-37). Motivados por esse amor de Deus, que nos ajuda a curar as feridas e a ser caridosos com quem sofrem, São Pedro de São José Betancur e São José de Anchieta partiram destas terras canárias para anunciar o Evangelho na América, abrindo novos horizontes missionários. Também eles foram migrantes que se dirigiram para o desconhecido, levando como principal bagagem a fé, a esperança e a caridade.
Naquelas terras desconhecidas, os santos migrantes e missionários souberam dar o que tinham e, ao mesmo tempo, acolher o novo que se lhes era oferecido. Convido-vos também a oferecer o tesouro de humanidade, sonhos e cultura que trouxestes para estas ilhas, e a estar abertos para receber tudo com o qual sois brindados. Devemos viver esta permuta também com responsabilidade, pensando no futuro das gerações vindouras, a quem queremos legar o património duma civilização do amor, na qual as migrações têm uma palavra importante a dizer, porque «podem tornar-se uma oportunidade de encontro e enriquecimento mútuo entre povos» (Magnifica humanitas, 81).
Queridos irmãos e irmãs, todos nós – de certa forma – somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos uns aos outros a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos, contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um. Neste sentido, agradeço a colaboração por parte do Governo, das diversas instituições e de tantos homens e mulheres de boa vontade que tornam possível esta ajuda humanitária concreta, que devolve esperança e dignidade a tantas pessoas.
Chamou-me a atenção o nome deste Centro de acolhimento, que se chama “Las Raíces”. O meu Predecessor, o querido Papa Francisco, que tanto ansiava poder estar convosco, gostava de utilizar a imagem das raízes para indicar a necessidade de não esquecer as origens, de permanecer unidos e de confiar no Senhor. «Com efeito, quem confia no Senhor “é como a árvore plantada perto da água, a qual estende as raízes para a corrente; não teme quando vem o calor, e a sua folhagem fica sempre verdejante” (Jr 17, 8)» (Christus vivit, 133). Que esta imagem das raízes vos ajude também a permanecer firmemente enraizados no Senhor (cf. Col 2, 7), para que nenhuma tempestade vos possa afastar da sua presença, que fortalece e dá vida.
Queridos amigos, levar-vos-ei no meu coração e nas minhas orações. Que Deus vos abençoe, que abençoe as vossas famílias e todos aqueles que vos fazem o bem. E que a Santíssima Virgem Maria, Consoladora dos migrantes, vos acompanhe e sempre vos auxilie com a sua proteção maternal.
Muito Obrigado!
San Cristóbal de La Laguna (Tenerife) – Sexta-feira, 12 de junho de 2026
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