Papa: como Pedro e Paulo, sejamos construtores de unidade

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, numa única solenidade, recordamos São Pedro e São Paulo, padroeiros da cidade e da diocese de Roma: um deles escolhido por Jesus como pastor do seu rebanho e o outro eleito como Apóstolo dos gentios. Neles veneramos duas colunas da Igreja.

Pedro, guardião do Povo de Deus, aparece-nos muitas vezes no Novo Testamento empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. É ele quem, no lago da Galileia, depois de uma noite de trabalho aparentemente inútil, diz ao Mestre: «Nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes» (Lc 5, 5), e volta a fazer-se ao largo, levando os outros consigo. É também ele que, quando muitos se afastam de Jesus, após o duro discurso sobre o Pão da Vida, diz ao Messias: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68), e permanece, com os outros onze. É ainda ele que, em Cesareia, reconhece em Jesus o Filho de Deus e se faz voz de todos na profissão da única fé, como ouvimos no Evangelho (cf. Mt 16, 13-19). Após a Ressurreição, lançando-se à água e precedendo, a nado, os outros nas margens do lago, é ele o primeiro a chegar até Cristo, para renovar humildemente o seu amor e receber a confirmação da sua missão (cf. Jo 21, 1-17).

E a esta missão, Pedro mantém-se fiel, mesmo quando, por exemplo, em Jerusalém, a questão da admissão ao Batismo dos pagãos não circuncisos corre o risco de dividir a comunidade. Ele reúne os irmãos, escuta-os e, por fim, guiado pelo Espírito Santo, toma a decisão, preservando a comunhão e inaugurando uma nova era para todo o Povo de Deus. Afirma ele: «É pela graça do Senhor Jesus que acreditamos que seremos salvos, exatamente como eles» (Act 15, 11).

Esta grandeza de espírito não significa que Pedro seja perfeito. Durante a Paixão, nega o Mestre, para depois chorar lágrimas sinceras de arrependimento (cf. Lc 22, 54-62); e o próprio Paulo, em diversas circunstâncias, repreende-o pela incoerência de alguns dos seus comportamentos (cf. Gl 2, 11-14). Porém, sabe reconhecer os seus erros e arrepender-se, sem desanimar nem desistir da missão de anunciar o Evangelho e reunir o rebanho de Cristo, chegando ao martírio, que recebe precisamente aqui, em Roma, perto donde nos encontramos.

Esta solicitude fiel e paciente pela unidade está bem representada no símbolo das chaves, com o qual frequentemente o identificamos (cf. Mt 16, 19). Com efeito, uma chave não derruba portas, mas abre-as e fecha-as, procurando no seu interior as alavancas certas e acompanhando os seus movimentos, para que os bloqueios desapareçam, os trincos deslizem e as dobradiças girem livremente, unindo os espaços e transformando tantos compartimentos isolados numa única casa acolhedora. Da mesma forma, a comunhão na Igreja não se constrói endurecendo nas próprias posições, mas procurando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento.

Nesta perspetiva, poderíamos interpretar a tarefa confiada pelo Senhor a Pedro e aos seus Sucessores, em benefício de todo o Povo Santo de Deus: escutar, com a Sua ajuda, as vozes de cada um, discernir as inspirações, orientar os caminhos, corrigir os erros, instruir, encorajar, exortar e acompanhar os irmãos para que, dóceis à ação do mesmo Espírito (cf. 1 Cor 12, 1-11), cooperem para a salvação uns dos outros e de toda a humanidade. Porém, o exemplo de Pedro é também um convite a cada cristão se tornar construtor de unidade, colocando Deus no centro da sua existência e aproximando-se dos irmãos, atento às suas circunstâncias e necessidades (cf. Francisco, Catequese, 9 de outubro de 2024), para viver com eles na caridade e assim levar a bom termo o anúncio do Evangelho (cf. 2 Tim 4, 17).

Este é também o ensinamento de Paulo – o outro grande Apóstolo que hoje celebramos –, incansável anunciador da Boa Nova. Também ele tem símbolos distintivos: o livro e a espada, estreitamente unidos entre si. O autor da Carta aos Hebreus explica-o bem, ao escrever: «A palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes», capaz de penetrar «até à divisão da alma e do espírito» e de discernir «os sentimentos e intenções do coração» (Heb 4, 12).

Foi isso que Deus operou no coração do jovem Saulo, alcançando-o (cf. Fl 3, 12) e levando-o primeiro a converter-se ao Evangelho, assumindo um novo nome, depois a anunciá-lo por todo o mundo e, por fim, nesta mesma cidade, a dar testemunho dele até ao dom da vida, tal como Pedro. O Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pelo poder da Palavra de Deus, que o tirou à violência para o conduzir pelo caminho do amor.

Ao comentar a sua conversão e missão, Santo Agostinho dizia: «Enquanto se dirigia [para Damasco] com o coração a fervilhar de ameaças e massacres, foi chamado pelo nome e derrubado por terra pela voz celeste (cf. Act 9, 1-7), ou seja, pelo Verbo que o chamava» (Sermão 299/A augm., 6). E acrescentava: «Deus tomou o perseguidor da Igreja e fez dele um mensageiro da paz. Perdoou-lhe todos os pecados e colocou-o num ministério onde ele pudesse perdoar os pecados dos outros» (ibid.).

Caríssimos, hoje para nós é importante olhar para estes dois santos – Pedro e Paulo – a fim de compreender como, no que nos diz respeito, podemos ser apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade. Com este espírito, preparamo-nos a celebrar o antigo e sugestivo rito da entrega dos pálios aos arcebispos metropolitas. Estas faixas de lã branca, embelezadas com cruzes, expressam, na verdade, o compromisso de cada Pastor – mas também de cada cristão – de tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados, como outros tantos cordeiros do rebanho do Senhor, e de sacrificar por eles forças, tempo, canseiras e até mesmo a vida, para que o Evangelho chegue a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia (cf. Con. Ecum. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 38).

Com estes sentimentos, tenho a alegria de saudar cordialmente os membros da Delegação do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, enviada pelo querido irmão Sua Santidade Bartolomeu e liderada por Sua Eminência Emmanuel, Metropolita de Calcedónia.

Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador. É a via que Ele traçou, pela qual intercedeu ao Pai na Última Ceia (cf. Jo 17, 21-23), a meta que nos ensinou a ansiar com esperança confiante (cf. Bento XVI, Homilia na Missa de imposição do pálio aos novos Metropolitas, 29 de junho de 2012).

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Basílica de São Pedro – Segunda-feira, 29 de junho de 2026

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