“O sentido da vida é o amor”: Dom Joel destaca ação do Espírito Santo em missa de Crisma no Sagrado Coração de Jesus

Na tarde do dia 30 de maio, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, presidiu a missa com o rito da Crisma e dirigiu aos crismandos e à comunidade uma homilia centrada no mistério da Santíssima Trindade e na vocação cristã ao amor.

Logo no início, o bispo manifestou a alegria de ver a igreja cheia e de saber que muitas pessoas acompanhavam a celebração pelas redes sociais. “Encontrar a igreja tão cheia é uma alegria, e maior ainda é saber que tem muito mais gente nos acompanhando pelas redes sociais”, disse. Ele destacou, em seguida, a presença dos crismandos: “Entre todos os motivos que nós trazemos hoje diante do altar, há alguns irmãos e irmãs que vão se crismar.”

Dom Joel recordou também a multiplicidade de intenções trazidas pelos fiéis: aniversários, falecidos recentes e tantas outras situações, inclusive “aquelas intenções que a gente guarda lá dentro e que, muitas vezes, só nós e o Senhor conhecemos”. Tudo isso, afirmou, se reúne na celebração da solenidade da Santíssima Trindade: “Deus é um só em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.”

Ao tratar do mistério trinitário, o bispo reconheceu a dificuldade humana em compreendê-lo plenamente: “Fica sempre a pergunta: como é que eu vou entender esse negócio? (…) Enquanto estivermos nesta vida, compreender esse mistério, que tem uma linguagem tão estranha, tão diferente, só tem um jeito: olhando os sinais da presença de Deus.” Ele recorreu à imagem do sol para explicar: ninguém consegue olhar diretamente para o sol, mas todos reconhecem sua presença pelos raios de luz, pelo amanhecer, pela claridade mesmo em dias nublados. “O que nós podemos, enquanto estivermos nesta vida, é perceber esses sinais do amor de Deus, os sinais da presença de Deus, os sinais da existência de Deus”, explicou.

A partir da Palavra de Deus, Dom Joel lembrou a afirmação bíblica “Deus é amor” e destacou que o maior sinal de quem Deus é se revela na experiência do amor: “É como se você abrisse uma janelinha do céu e olhasse lá dentro.” Ele sublinhou que o amor é algo próprio do ser humano e foi enfático: “A pior experiência que alguém pode passar na vida é a experiência de nunca ter sido amado e, consequentemente, nunca amar.”

O bispo observou a diversidade presente na assembleia – pessoas rezando pelos falecidos, aniversariantes, crismandos, quem acompanhava pelas redes – e afirmou: “Independentemente da situação que nós estejamos vivendo, nós somos convidados aqui a amar-nos uns aos outros como Jesus nos amou. ‘Quem ama viu a Deus, porque Deus é amor’.”

Retomando o tema da Trindade, Dom Joel lembrou que, enquanto se vive nesta vida, “a certeza é a da fé, não é da ciência, não é da matemática”. Reforçou, então, o chamado a um compromisso profundo de amor, mesmo que seja necessário “abrir mão de muita coisa, para que as nossas mãos fiquem livres para poder amar”. Usando uma imagem do cotidiano, afirmou que quem entra em uma viagem “cheio de malas e bolsas” acaba se atrapalhando e atrapalhando os outros, e relacionou isso com o despojamento cristão: “Abrir mão, deixar tudo, ser despojado… Para quê? Despojado para amar.”

Dirigindo-se novamente aos crismandos, pediu que levantassem o braço e interpretou o que, em última análise, eles estavam professando: “O que vocês estão dizendo, e, por meio de vocês, todos nós aqui, é que o sentido da vida não está em outra coisa que não seja o que nós chamamos de amor: amor a Deus, amor ao próximo, como a nós mesmos. É a plenitude, é a totalidade do amor.”

Dom Joel reconheceu que muitos colocam o sentido da vida em bens, dinheiro, vaidade, orgulho, ódio, violência e guerra, mas fez um lembrete: “Nada disso é levado quando partimos desta vida.” E recordou que a fé cristã está centrada em Jesus, que ressuscitou “como expressão maior desse amor do Pai, na força do Espírito”.

“Confirmar a fé é dizer: ‘a razão da minha vida é o amor a Deus e o amor ao próximo’”, afirmou o bispo, explicando o que significa receber a Crisma. Ele descreveu o gesto litúrgico do sacramento: “Vocês sabem que é uma cruz com óleo que é feita na testa.” Recordou o antigo uso do mertiolate, comparando-o ao cuidado de Deus, e atualizou a imagem: “O Senhor trata de nós com um óleo que protege, quase hoje a imagem de um protetor solar, que protege contra tudo aquilo que pode nos impedir de amar.”

Comentando o óleo da Crisma, preparado na Quinta-feira Santa, Dom Joel mencionou a tonalidade levemente amarelada e disse considerar muito bonito ver quem se crismou sair “com uma cruz, uma marca de brilho na testa”. E partilhou a oração que faz interiormente: “Que os teus olhos brilhem de amor, como a tua testa brilha pelo óleo; que o teu coração brilhe de amor, como a tua testa brilha com esse óleo; que você inteiro, você inteira brilhe da graça de Deus, com o Espírito Santo no coração de vocês.”

Na preparação imediata para o rito, o bispo convidou os crismandos a erguerem suas velas: “Levanta a vela bem alto.” Perguntando à assembleia “o que está faltando?”, ele mesmo indicou a resposta: “Para ficarmos bonitos na fé, para fazermos bonito na fé? A luz de Cristo, a presença do Espírito.” Em seguida, explicou que as velas seriam acesas na luz de Cristo e citou um trecho de música: “Que a luz de Deus, que um dia em mim brilhou, jamais se esconda.”

Concluindo a homilia, Dom Joel desejou que toda a comunidade, e não apenas os crismandos, renovasse o compromisso com a fé: “Que Deus abençoe a todos nós e que, ainda que muitos não se crismem aqui, possamos sair desta missa com o coração confirmado.”

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