“O que é ter fé? É se apaixonar por Jesus porque Ele já se apaixonou por mim”: Dom Joel na celebração da Crisma na Paróquia do Rosário

A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Petrópolis, foi palco, no dia 20 de junho, de uma celebração marcada pela alegria e pela profundidade espiritual. Durante a missa em que conferiu o sacramento da Crisma a jovens e adultos da comunidade, o bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, dirigiu uma homilia que convidou os fiéis a redescobrirem o sentido da Confirmação como experiência de encontro com o Espírito Santo e de compromisso de amor com Jesus Cristo.

Desde o início de sua reflexão, o bispo aproximou os crismandos do significado teológico do sacramento, lembrando que a preparação catequética não é mera formalidade, mas caminho para compreender o que Deus realiza no coração de cada um. “O que acontece, teologicamente, quando nós nos crismamos? O Espírito Santo vem aos nossos corações e faz morada — definitiva — no nosso coração”, explicou, ressaltando que a Crisma é a confirmação de uma presença que transforma a vida.

Para tornar essa realidade mais concreta, Dom Joel recorreu à imagem do ar que respiramos, comparando a presença do Espírito Santo àquilo que é essencial, mas muitas vezes imperceptível. “Sem ar a gente não vive. Mas nós nem sempre percebemos que ele está aí”, afirmou. Recordando o sofrimento de tantas pessoas na pandemia de Covid-19, que lutavam para respirar, disse que o Espírito Santo “está presente o tempo todo”, mas que, na Crisma, os fiéis são convidados a tomar consciência dessa presença, a acolhê-la e a cooperar com sua ação.

Nesse sentido, o bispo explicou o lugar da oração “Vinde, Espírito Santo” na vida da Igreja e na liturgia da Crisma. Citando o conhecido canto “A nós descei divina luz, em nossas almas acendei o amor de Jesus”, destacou que o Espírito Santo não apenas ilumina, mas inflama o coração no amor de Cristo: “É isso que o Espírito Santo faz em nós. Ele fortalece a fé. E o que é fortalecer a fé? É fortalecer o amor de Jesus”.

Dom Joel insistiu que a fé não é apenas conhecimento ou cumprimento de normas, mas uma relação de amor com o Senhor. “O que é ter fé? É se apaixonar por Jesus, porque Ele já se apaixonou por mim”, afirmou, recorrendo até à imagem de um samba antigo, cujo refrão diz “É com esse que eu vou”, para ilustrar a escolha por Cristo como referência segura da existência. Do mesmo modo que alguém apaixonado é capaz de doar a própria vida pela pessoa amada, o cristão é chamado a viver uma entrega radical, mas sempre segundo o estilo de Jesus: “Nós dizemos: ‘Por amor eu mato ou eu morro’. Com Jesus é diferente. Qual parte dessa frase Jesus não diz? ‘Eu mato’”.

A partir da segunda leitura da missa, tomada da Carta de São Paulo aos Romanos, o bispo recordou que, se por Adão o pecado entrou na humanidade, em Jesus se revela o amor que salva e permanece fiel até o fim. Relembrando a cena da cruz, sublinhou a força da oração de Cristo: “Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. Para Dom Joel, só a unção do Espírito é capaz de suscitar esse tipo de amor, que perdoa mesmo diante da injustiça e da dor.

Referindo-se à primeira leitura, que apresenta o profeta Jeremias perseguido por causa de sua fidelidade a Deus, o bispo destacou que o caminho do discípulo muitas vezes passa pela incompreensão, pela traição e pelo sofrimento. “Traição dói muito, machuca todos nós”, reconheceu. Porém, Jeremias permanece fiel, não se revolta contra Deus e mantém a esperança, obedecendo ao convite do Evangelho: “Não temais”. Dom Joel observou que o caminho de Jesus pode ser considerado “inútil” ou motivo de deboche por muitos, mas é o caminho em que o amor é preservado acima de tudo. Recordou, inclusive, um ensinamento de sua avó: “Mostra os anéis, ficam os dedos. A gente pode perder tudo, mas não pode perder o amor”.

Ao aproximar-se do rito da Crisma, o bispo ligou sua homilia ao gesto simbólico da vela que os crismandos seguram. Pediu que levantassem suas velas e chamou a atenção para o fato de que uma vela apagada “não tem muita utilidade”, servindo apenas como objeto. O momento de acendê-las, especialmente a partir do círio pascal, torna-se sinal da decisão de deixar que a luz de Cristo ilumine a vida. “Isso é a Crisma. É isso que daqui a pouco vocês vão fazer”, afirmou, indicando que o sacramento selará, na vida daqueles jovens e adultos, o compromisso de viver a fé como amor apaixonado por Jesus, guiados pela força discreta e constante do Espírito Santo.

A homilia de Dom Joel Portella Amado marcou profundamente a celebração na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, reforçando que a Crisma é mais do que um rito de passagem: é um chamado à maturidade na fé, à coragem de seguir o caminho de Jesus e à certeza de que, mesmo nas dificuldades, o Espírito Santo permanece como presença viva, luz que acende em nós o amor de Cristo.

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