2ª-feira da 10ª Semana do TC – Maria, Mãe da Igreja – Mons. Paulo Daher

A Virgem Maria e o Espírito Santo

A Virgem Maria tem ligação estreita com o Divino Espírito Santo.

Ela concebeu Jesus por obra Dele; é santa e Imaculada por Sua obra;

esteve com os Apóstolos no dia de Pentecostes; e se tornou Mãe da Igreja e Mãe de cada homem e mulher que Jesus resgatou com Seu sangue.

A predestinação de Maria

A Igreja ensina que a Virgem Maria foi predestinada por Deus, desde sempre, para ser a Mãe do Redentor dos homens.

“Deus enviou Seu Filho” (Gl 4,4), mas, para “formar-lhe um corpo” quis a cooperação de uma criatura. Desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, “uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26-27):

A Imaculada Conceição

“Para ser a Mãe do Salvador, Maria foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função.” No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como cheia de graça”.

O dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX diz: “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo,  Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.”

Os Padres da Igreja chamam a Mãe de Deus de “a toda santa”, celebram-na como “imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura”.  Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal durante toda sua vida.

A maternidade divina de Maria

Maria é verdadeiramente “Mãe de Deus”, pois é a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem, que é ele mesmo Deus.

Ela “permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre” (Sto Agostinho, Serm,186,1).

Os Evangelhos a chamam de “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1;19,25); sob o impulso do Espírito, Santa Isabel, já antes do nascimento de seu Filho, a chama de “a Mãe de meu Senhor” (Lc 1,43).

Os judeus só chamavam a Deus de Senhor. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).

S.Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, (em Éfeso em 431), confessaram que “o Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem”:

“Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado, dotado de alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne”.

Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos, então, lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: “Seja feita a vossa vontade”.

A virgindade de Maria

A Igreja ensina que a Virgem Maria, é virgem perpétua; como disse Sto. Agostinho: “Virgem antes, durante e depois do parto”. Sto. Inácio de Antioquia, mártir (†107),diz: “Estais firmemente convencidos que Nosso Senhor, que é da raça de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, verdadeiramente nascido de uma virgem…”.

O Catecismo da Igreja diz que: “O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo “não diminuiu, mas sagrou a integridade virginal” de sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a “sempre virgem” (§499).

O Papa Paulo IV, em 1555, apresentou a perpétua virgindade de Maria entre os temas fundamentais da fé: “A Bem-aventurada Virgem Maria foi verdadeira Mãe de Deus, e guardou sempre íntegra a virgindade, antes do parto, no parto e depois do parto”.

Santo Agostinho afirma: “Cristo nasceu da Mãe que embora sem contato com varão concebeu intacta, e sempre intacta permaneceu, concebeu virgem, dando à luz virgem, virgem morrendo, e desposada com o carpinteiro, extinguiu todo orgulho da nobreza carnal”. “Uma virgem concebe, virgem leva o fruto, virgem dá à luz e permanece sempre virgem”.

São Cirilo de Alexandria (†442), deixou-nos uma bela comparação: Se a luz atravessa a vidraça de um lado para outro sem quebrá-la, não podia o Verbo entrar e sair do ventre de Sua Mãe sem rasgar as paredes?

Assunção ao céu

É dogma de fé que Nossa Senhora, após a sua vida terrena, foi elevada ao Céu de corpo e alma. É a única criatura que já está no céu com o seu corpo, além de Jesus. Todos os santos estão no céu aguardando a ressurreição do corpo na Parusia, quando Cristo voltar.

O Papa Pio XII, em 1 de novembro de 1950, pronunciou o dogma:

“A Imaculada Virgem, preservada de toda mancha da culpa original, terminada sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo.”

A Assunção da Virgem Mari é participação única na Ressurreição de seu Filho e antecipação da ressurreição dos outros cristãos: “Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte […]”. (Liturgia bizantina, festa da dormição de Maria).

Maria – Mãe de Cristo, Mãe da Igreja

Nossa Senhora é verdadeiramente “Mãe dos membros [de Cristo] (…), porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça” (Santo Agostinho).

O próprio Jesus moribundo na cruz, com lábios de sangue, nos deu sua Mãe para ser nossa Mãe espiritual: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26-27).

E o evangelista São João a levou para a sua casa; foram morar em Éfeso numa casinha que existe ainda hoje nas montanhas da cidade.

Após a Ascensão de Jesus Filho, Maria “assistiu com suas orações a Igreja nascente”. Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, “vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com sua sombra”.

O Concílio Vaticano II disse: “De modo especial, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por isso ela se tornou para nós mãe na ordem da graça” (LG, 61).

“Assunta aos céus, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. […] Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira” (LG, 62).

A mediação da Virgem Maria

A mediação de Maria junto a Deus não substitui a única Mediação de Jesus; é mediação subordinada, a Cristo. Sem a Mediação única de Cristo (1Tm 2,4), nenhuma outra tem valor e eficácia.

O Conc. Vaticano II afirma: “A missão materna de Maria pelos homens não diminui a mediação única de Cristo; pois a participação dela  (…) deriva dos méritos de Cristo, e em sua mediação, dela depende sua força.

Nenhuma criatura pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor. Como o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos, pelos ministros, pelo povo fiel, assim a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas cooperação que participa de uma única fonte (LG, 62).

“A Igreja não hesita em proclamar esse poder subordinado de Maria. Pois o experimenta e recomenda-o aos fiéis para que, encorajados por essa maternal proteção, adiram ao Mediador e Salvador” (LG, 62).  Os santos doutores afirmam: a Virgem Maria é medianeira de todas as graças.

São Bernardo, doutor da Igreja, assim diz: “Tal é a vontade de Deus que quis que tenhamos tudo por Maria, pela esperança, graça, saibamos que isto nos vem por suas mãos”.

São Bernardino de Sena: “Todos os dons, virtudes e graças do Espírito Santo são distribuídos pelas mãos de Maria, a quem ela quer, quando quer, como quer, e quanto quer”. “Eras indigno de receber as graças divinas: foram dadas a Maria a fim de que por ela recebesses tudo o que terias”.

Santo Efrém, doutor da Igreja (†373): “Santíssima Senhora, Santa Mãe de Deus, cheia de graças divinas, Distribuidora de todos os bens! Vós sois, depois da Ss. Trindade, a Soberana de todos; depois do Medianeiro, a Medianeira do Universo, Ponte do mundo inteiro para o céu. Olhai benigna para minha fé e meu desejo que me foram inspirados por Deus”.

São Boaventura (1218-1274), bispo e doutor da Igreja: “Deus depositou todo o bem em Maria, para que nisto conhecêssemos que tudo que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós”.

Santo Alberto Magno, doutor da Igreja (†1280): “É anunciada à Santíssima Virgem  tal riqueza de graça, que se tornou por isso a fonte e o canal de transmissão de toda a graça a todo o gênero humano”.

São Pedro Canísio (1521-1597), doutor da Igreja: “O Filho atenderá Sua Mãe e o eterno Pai ouvirá Seu próprio Filho: eis o fundamento de toda nossa esperança”.

São Roberto Belarmino (1542-1621), bispo e doutor da Igreja: “Todos os dons, e graças espirituais que por Cristo, como cabeça, descem para o corpo, passam por Maria que é como o colo desse corpo místico”.

A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.   A Igreja presta a ela um culto chamado de “hiperdulia”, “superveneração”, por ser a Mãe gloriosa e bendita de Deus. Ela mesma anunciou que isso se daria:

“Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48).

(Retirado do Livro: Descerá sobre Vós o Espírito Santo!. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.)

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