O arcebispo de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias, presidiu, no sábado (15), a missa em homenagem a Nossa Senhora da Ajuda, padroeira de Guapimirim, e em comemoração aos 80 anos da Diocese de Petrópolis. A celebração foi realizada na Paróquia Nossa Senhora da Ajuda e reuniu sacerdotes, diáconos, autoridades, paroquianos e fiéis da comunidade.
Em sua homilia, Dom José Francisco destacou a alegria da celebração e recordou que a solenidade de Nossa Senhora da Assunção, celebrada no mês de agosto, está relacionada a diferentes momentos importantes da vida da Igreja, como o mês vocacional, a Semana Nacional da Família e a oração pelos religiosos, religiosas, consagrados e consagradas.
A Semana Nacional da Família tem como tema “Família, torna-te aquilo que és” e como lema “O amor jamais acabará”. O arcebispo também recordou São Maximiliano Maria Kolbe, cuja memória litúrgica é celebrada em agosto, ressaltando seu testemunho de fé, entrega e serviço ao próximo.
A celebração também marcou os 80 anos da criação da Diocese de Petrópolis, desmembrada da Diocese de Niterói. Dom José Francisco destacou a importância da trajetória da diocese e da participação de todos os que contribuíram para a construção dessa história de fé.
O significado da Assunção de Maria
Durante a reflexão, o arcebispo explicou que o dogma da Assunção da Virgem Maria foi proclamado pelo Papa Pio XII, no Ano Santo de 1950. Segundo ele, porém, a devoção à Assunção possui raízes nos primeiros séculos do cristianismo.
Dom José Francisco recordou a passagem do livro do Apocalipse que apresenta “uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”. Para o arcebispo, a imagem representa a luta entre o bem e o mal e aponta para a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte.
Em sua homilia, Dom José afirmou que Jesus é o novo Adão e Maria, a nova Eva, que participa de maneira singular da obra da salvação. Segundo ele, Maria foi elevada ao céu em corpo e alma porque acolheu plenamente a vontade de Deus.
“Faça-se em mim segundo a tua palavra” foi a resposta de Maria ao chamado divino. Para o arcebispo, essa atitude demonstra a profunda identificação da Virgem Maria com o projeto de Deus.
Dom José Francisco ressaltou ainda que Maria não se afastou da realidade humana. Como mulher do povo, esposa e mãe, ela percorreu um caminho de fé, acolhimento e serviço. “Maria foi assumida no céu porque decidiu caminhar em direção aos irmãos, revelando-se como uma mulher solidária”, afirmou.
Maria, mulher do serviço
A partir do relato bíblico da visita de Maria à sua prima Isabel, o arcebispo destacou o exemplo de serviço deixado pela Virgem. Mesmo depois de receber o anúncio de que seria a mãe do Salvador, Maria dirigiu-se apressadamente à região montanhosa da Judeia para ajudar Isabel.
Dom José Francisco afirmou que o gesto revela uma fé que não permanece fechada, mas se transforma em cuidado e solidariedade. Segundo ele, Maria, por ser serva de Deus, também se tornou servidora dos irmãos.
O arcebispo relacionou o exemplo de Maria à missão dos cristãos nos dias atuais. Para ele, os fiéis são chamados a colocar a própria vida a serviço do projeto de Deus, acolhendo as causas defendidas por Maria e seguindo seu exemplo de dedicação ao próximo.
“Quem faz a experiência do serviço gratuito já está experimentando a vida como uma existência chamada também a ser assumida no céu”, destacou.
Esperança para a humanidade
Dom José Francisco também refletiu sobre o significado da Assunção em um mundo marcado pela falta de sentido, pelo pessimismo e pela ausência de esperança. Segundo ele, a solenidade convida os cristãos a olhar para a vida e para o futuro com confiança.
Para o arcebispo, a Assunção aponta para a felicidade plena alcançada por Maria, mas também ilumina a caminhada dos cristãos no tempo presente. Ele afirmou que a vida definitiva começa a se realizar quando as pessoas se colocam a serviço dos irmãos.
Dom José explicou que viver o mistério da Assunção significa permitir que os dons recebidos de Deus sejam colocados a serviço do bem. “Esse esvaziamento não significa anular a nossa pessoa, mas deixar Deus agir por meio dos nossos dons e da nossa capacidade de fazer o bem”, afirmou.
O arcebispo destacou também que a fé cristã exige proximidade com a humanidade ferida e excluída. Segundo ele, o caminho para Deus passa pelo compromisso com a realidade concreta e pela presença servidora junto aos mais necessitados.
“Vivemos a Assunção quando sonhamos o sonho de Deus e procuramos ir ao encontro da humanidade ferida e excluída”, disse.
Diocese de Petrópolis celebra 80 anos
Ao final da homilia, Dom José Francisco agradeceu pela história construída ao longo dos 80 anos da Diocese de Petrópolis. Ele recordou todos os que participaram do crescimento da diocese e ressaltou que as novas gerações também são chamadas a continuar essa caminhada de fé.
O arcebispo pediu que Nossa Senhora da Ajuda seja um farol para a comunidade de Guapimirim, conduzindo os fiéis à luz e à paz de Jesus Cristo.
“Iluminados por Cristo e com o dom da sua paz, sejamos também construtores de paz e de alegria neste mundo em que vivemos”, concluiu Dom José Francisco.










