O bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, presidiu, na sexta-feira (14), uma missa na Capela Nossa Senhora da Glória e São Sebastião, localizada na Estrada Hermogênio Silva, em Três Rios. O templo pertence à Paróquia Nossa Senhora das Dores, de Areal, e passou por um processo de restauração.
Durante a homilia, Dom Joel agradeceu a Deus pelo trabalho realizado e destacou que a recuperação da capela representa não apenas a revitalização de um prédio, mas também a força da comunidade que se uniu para preservar sua história e sua fé.
Segundo o bispo, a Igreja é formada por duas dimensões que se complementam: o espaço físico, que ele chamou de “igreja prédio”, e a comunidade, formada pelas pessoas que se reúnem para celebrar a fé. Para Dom Joel, a restauração do templo só foi possível porque os moradores e fiéis assumiram juntos a responsabilidade pelo local.
“São bonitas as duas igrejas: a igreja prédio e a Igreja viva”, afirmou o bispo, ressaltando que, embora o espaço físico seja importante, a comunidade é essencial para manter viva a presença de Deus.
A capela como sinal de fé
Dom Joel também destacou a localização da capela, às margens da estrada. Para ele, a cruz, a iluminação e a própria presença do templo funcionam como sinais para as pessoas que passam pelo local.
O bispo observou que, diariamente, circulam pela estrada motoristas, passageiros, trabalhadores e famílias. Cada pessoa, segundo ele, pode atravessar momentos diferentes — de alegria, tristeza, preocupação ou esperança — e a capela permanece como um sinal de acolhimento e da presença de Deus.
“Este prédio é um sinal de que existe uma comunidade”, explicou Dom Joel, destacando que a capela também anuncia, para quem passa pela estrada, que “o Senhor está no meio de nós”.
Palavra de Deus e união comunitária
Ao refletir sobre a função dos pilares de uma construção, Dom Joel fez uma comparação com a vida comunitária. Assim como os pilares sustentam um prédio, a Palavra de Deus, a Eucaristia e a oração sustentam a comunidade cristã.
O bispo afirmou que a manutenção de uma igreja não deve se limitar aos cuidados com a estrutura física. Também é necessário preservar a união, a fé e o compromisso dos fiéis.
A partir da leitura do profeta Ezequiel e do Evangelho proclamado na celebração, Dom Joel falou sobre o amor de Deus, que não desiste mesmo diante da infidelidade e da traição. Ele também refletiu sobre o episódio em que Jesus é questionado a respeito do divórcio.
De acordo com o bispo, os interlocutores de Jesus não estavam verdadeiramente preocupados com a família ou com o casamento, mas tentavam colocá-lo à prova. Nesse contexto, Jesus denuncia a dureza do coração humano e ensina sobre a necessidade de cultivar relações baseadas no amor, no respeito e na dignidade.
Dom Joel ressaltou que a comunidade cristã é chamada a transformar o coração, superar a indiferença e aprender com o exemplo de Jesus.
Exemplo de São Maximiliano Kolbe
Na parte final da homilia, o bispo recordou a vida de São Maximiliano Maria Kolbe, cuja memória litúrgica é celebrada em 14 de agosto. O sacerdote e religioso polonês foi preso durante a Segunda Guerra Mundial no campo de concentração de Auschwitz.
Dom Joel contou que Kolbe se ofereceu para morrer no lugar de um prisioneiro que era pai de família e havia sido escolhido pelos nazistas para morrer de fome. Para o bispo, o gesto do santo expressa um amor capaz de colocar a vida do outro acima da própria.
A lembrança de São Maximiliano Kolbe serviu como ponto de partida para uma reflexão sobre os conflitos e as ameaças presentes no mundo. Dom Joel afirmou que os cristãos são chamados a promover a paz não apenas em situações de guerra, mas também nas relações cotidianas.
Ao concluir, o bispo pediu que a comunidade mantenha um coração semelhante ao de Jesus, marcado pela acolhida, pelo perdão, pela solidariedade e pelo compromisso com a paz.










