Dom Joel inicia Visita Pastoral ao Decanato São Pedro de Alcântara e destaca missão, coragem e humildade da Igreja

Na manhã desta quinta-feira, com missa às 8h na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, deu início à Visita Pastoral ao Decanato São Pedro de Alcântara. A celebração contou com a presença de grande número de fiéis e da maioria dos padres do decanato, que concelebraram ao lado do decano, padre Gustavo Passos de Oliveira, do pároco da Catedral, padre Thomas Andrade Gimenez Dias, e do monsenhor Luís Garcia Mello e assistência do diácono Cássio Smanioto.

Em sua homilia, Dom Joel explicou que a visita pastoral é uma dimensão essencial da missão do bispo diocesano. “A visita pastoral é uma das funções, das responsabilidades, um dos modos pelos quais o bispo diocesano cumpre a sua missão: estar junto às diversas realidades da Igreja diocesana, a Igreja para a qual o bispo foi enviado”, afirmou.

O bispo também recordou que, desde o ano passado, optou por realizar as visitas não mais por paróquia, mas por decanatos, o que permite uma visão mais ampla da vida diocesana. A Diocese de Petrópolis é composta por quatro decanatos, e o de São Pedro de Alcântara abrange boa parte do município de Petrópolis, com 15 paróquias.

Visita pastoral não é fiscalização, mas presença missionária

Ao destacar o sentido da visita pastoral, Dom Joel enfatizou que o objetivo não é inspecionar ou buscar problemas. Inspirando-se na ação missionária de São Paulo, o bispo lembrou que o apóstolo não apenas fundava e escrevia às comunidades, mas também as visitava, reforçando vínculos e animando na fé. “Daí vem esse costume que, para o bispo, é uma responsabilidade”, disse.

Partindo do Evangelho do dia, que apresenta Jesus entrando em um barco, Dom Joel afirmou que a imagem remete à Igreja em saída, sempre em missão. Segundo ele, a visita pastoral deve ajudar cada comunidade a se perguntar “até que ponto nós, como Igreja da diocese de Petrópolis, como decanato São Pedro de Alcântara, estamos vivendo e cumprindo a missão”. Lembrando que Jesus “não tinha sequer onde reclinar a cabeça”, o bispo alertou: “Nós não podemos ser uma Igreja acomodada”.

Resistência nas dificuldades e fé no cotidiano

Retomando a primeira leitura, sobre o profeta Amós, o bispo destacou que um dos obstáculos à missão é a rejeição à Palavra de Deus. Amós, chamado por Deus e enviado a falar em seu nome, encontra resistência e expulsão. “A Igreja, ao longo de toda a sua história, enfrenta essa dificuldade, não apenas enquanto conjunto, mas cada um de nós, até nas nossas casas”, afirmou.

Dom Joel relacionou essa experiência bíblica com a vida dos fiéis hoje: “Quantos de nós temos a dificuldade de viver a fé lá onde estamos: na casa, no trabalho, na escola, no dia a dia, com os amigos”. Nesse contexto, a visita pastoral também tem a finalidade de encorajar os “Amós” dos nossos dias, aqueles que, às vezes incompreendidos, permanecem firmes na vivência e no testemunho do Evangelho. “Não desanima, vai em frente”, resumiu, evocando o exemplo do profeta que não desistiu de sua missão.

Humildade e conversão constante

Comentando o Evangelho, que apresenta a cena de um paralítico e dos mestres da Lei diante de Jesus, Dom Joel ressaltou o risco da falta de humildade. Na época, a doença era frequentemente vista como castigo de Deus, enquanto os mestres da Lei se consideravam perfeitos a ponto de julgar os outros e, inclusive, o próprio Messias.

“A visita pastoral, tendo essa Palavra de Deus como iluminação, diz para nós: cuidado, não se iluda achando-se perfeito”, advertiu o bispo. Ele insistiu na necessidade de “humildade, revisão de vida constante, nada de prepotência em nos acharmos perfeitos”, lembrando que toda vez que alguém se julga acima da conversão, “é como se rasgasse a fé”.

Dom Joel também chamou a atenção para situações atuais em que a prepotência de algumas pessoas tenta se impor sobre a comunhão da Igreja, reforçando que a vida eclesial deve ser vivida em unidade, humildade e abertura à ação de Deus.

Pedido de oração e apelo à comunidade

Ao final da homilia, o bispo diocesano convidou os fiéis a acompanharem espiritual e ativamente a Visita Pastoral, que se estende até segunda-feira. Ele pediu orações pelas intenções apresentadas na missa, pelas necessidades de cada fiel, por aqueles que acompanham pelas redes sociais e pela rádio, e especialmente por quem “não tem ninguém que reze por eles”.

“Rezem pela visita, para que Deus envie o seu Espírito sobre nós e possamos viver intensamente, com firmeza, a visita pastoral”, pediu Dom Joel.

Concluindo, o bispo sintetizou o apelo da Visita Pastoral em três atitudes que deseja ver fortalecidas no decanato e em toda a diocese:

  1. Não ser uma Igreja acomodada;
  2. Ser uma Igreja corajosa, que não teme as dificuldades;
  3. Ser uma Igreja humilde, que sabe reconhecer os próprios erros e se deixar transformar pelo Senhor.

A Visita Pastoral ao Decanato São Pedro de Alcântara segue com encontros, celebrações e momentos de escuta, reforçando a proximidade do bispo com as comunidades e a missão evangelizadora da Diocese de Petrópolis.

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