Dom Joel fala sobre liberdade e ação do Espírito Santo em Nogueira

Na noite de 29 de maio, na Paróquia Santo Antônio e Santo Agostinho, em Nogueira, Petrópolis, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, presidiu a Santa Missa com o rito da Crisma. Durante a homilia, dirigindo-se aos crismandos e à comunidade, ele insistiu no verdadeiro sentido do sacramento, afirmando que “Crisma não é formatura” e explicando, a partir das leituras do dia, o que significa receber o Espírito Santo.

“Irmãs e meus irmãos, eu tenho certeza de que o pessoal que vai se crismar, por ter passado pela preparação e pela vida mesma, vida de fé, mas também todos nós que aqui estamos, sabemos o que é e o que significa a Crisma”, iniciou o bispo. Ele recordou que “há várias maneiras de se descrever a Crisma: confirmação, tornar-se cristão adulto”, e propôs: “Eu penso que, a partir das leituras de hoje, nós possamos destacar um ponto, um aspecto: o que é e o que significa, para nós, receber o Espírito Santo. Eu posso mudar a pergunta: o que é que o Espírito Santo faz em nós?”

Dom Joel então questionou por que a Crisma é tão valorizada na Igreja: “Por que se dá tanto valor assim, a ponto de se fazer uma celebração festiva, a ponto de o bispo vir e, só em último caso, autorizar um padre a crismar? O que há de tão grande aqui?” E respondeu, lembrando o mistério de Deus: “Deus é Trindade, esse mistério que nós não compreendemos totalmente enquanto estivermos nesta vida. Portanto, quando falamos do Espírito Santo, nós estamos falando do próprio Deus em nós.”

A partir daí, lançou a pergunta central da homilia: “Se é Deus presente no meio de nós, em tudo, o que muda na nossa vida? É a grande pergunta que eu queria fazer para vocês.” E chamou a atenção para uma compreensão equivocada comum do sacramento: “A gente precisa parar e dizer assim: Crisma não é formatura.”

Referindo-se ao clima festivo que costuma marcar a celebração, o bispo observou: “Pelo caráter festivo, às vezes acaba dando essa impressão: o ‘uniforme’ de formatura, a camiseta, a foto. A gente se prepara um pouquinho melhor, põe umas coisas aqui para ficar mais bonito na foto, vai ganhar um certificado. Mas, cuidado. Como é muito parecido com formatura, a gente pode achar que hoje acabou: ‘estou pronto’.”

Em seguida, Dom Joel explicou que “a Crisma é aquele momento em que nós exercemos um dos maiores presentes que o céu nos dá: a liberdade. Os antigos diriam ‘livre-arbítrio’. Não entro nessa briga, gosto de falar de liberdade. Ninguém vem à Igreja para se crismar obrigado, forçado. Vem porque descobriu um grande amor de Deus por você.”

Partilhando algo que chamou de “marca pessoal”, o bispo disse: “Quando alguém diz para mim ‘eu te amo’, eu só posso dizer: ‘eu te amo também’. Quando eu descubro que Jesus me ama, eu só posso dizer para Ele: ‘eu te amo também’. Só que, para Jesus, tem uma fórmula para dizer isso: ‘eu creio, eu tenho fé’. Por isso é tão grande ter fé: é encontrar-se com Jesus. Encontrar-se com Jesus é ganhar Ele – que grande presente é o Espírito Santo.”

Ao explicar o que o Espírito Santo faz na vida do cristão, Dom Joel voltou às leituras do dia: “É só ouvir a Palavra de Deus. Na primeira leitura, as línguas. Na segunda leitura, o corpo. No Evangelho, a paz e o perdão dos pecados. Se você juntar línguas, corpo, paz, perdão dos pecados, pelo menos eu acho assim: dá para entender bem o que nós estamos fazendo aqui.”

Sobre a primeira leitura, comentou que, muitas vezes, as pessoas se impressionam com o falar em línguas estranhas. O ponto central, explicou, está no final do texto bíblico: “Quando os estrangeiros começam a perguntar: ‘não são todos galileus? – considerados até não muito inteligentes – como é que eles estão falando?’ Olha que interessante: ‘cada um de nós está entendendo na sua própria língua’. Nós somos diferentes, falamos idiomas diferentes, mas nós estamos nos entendendo. Esse é o grande milagre. É isso que o Espírito faz em nós: Ele é força para superar tudo aquilo que nos separa, que nos divide.”

Passando à segunda leitura, ele destacou a imagem do corpo: “Por isso a imagem do corpo, na segunda leitura. Somos diferentes. Deus não faz cópia. Fotocópia não existe. Não há ‘fotocopiadora’ no céu: uma criatividade linda, bonita. Somos diferentes. Mas nós não somos ostras, fechadas em si. O que é a beleza do Espírito? Ele nos abre. Com toda a beleza que cada um de nós é, Ele nos abre à comunhão, ao convívio, à imagem do corpo.”

Já sobre o Evangelho, Dom Joel recordou: “Você encontra aquela palavra que Jesus disse no Evangelho: ‘A paz esteja com vocês’. A paz de Jesus não é a paz da guerra, não é a paz do ódio, não é a paz da violência. É a paz da fraternidade. Uma coisa bonita que Jesus disse no Evangelho: ‘A quem perdoardes os pecados…’ – é a paz do perdão. É isso que o Espírito Santo faz em nós. Gera o amor, gera a fraternidade, gera a paz, gera o perdão.”

Provocando a assembleia, o bispo prosseguiu: “Talvez você pergunte para mim: ‘mas é isso?’ Eu pergunto para vocês: tem coisa mais sublime? O resto… Você está assustado? Fica só entre nós: o resto a gente não leva quando partir desta vida.”

Ao falar do mandamento do amor, Dom Joel reconheceu as dificuldades concretas: “Esse amor vivido, acolhido: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Amar às vezes é difícil, não é? Aí é que entra o Espírito: Ele é força para a gente continuar amando, mesmo quando é difícil. Ele é aquela recarga. Agora eu tenho que fazer as propagandas mais contemporâneas: tudo, como um bom carro elétrico, tem um tempo de duração. O Espírito Santo, nunca.”

Retomando o tema central, reforçou: “Por isso, a Crisma não é formatura.”

Na parte final da homilia, o bispo convidou os crismandos a uma participação concreta no gesto litúrgico: “Vocês têm vela aí? Peguem a vela e levantem o mais alto que vocês puderem. Está faltando alguma coisa? Claro: vela que não acende não serve para nada.”

A partir dessa imagem simples, aplicou à vida de fé: “É isso: nós somos essa vela. Assim como agora vocês vão receber a luz de Cristo e deixá-la acesa, daqui a pouco é o Espírito Santo que vai transformar em realidade aquilo que aconteceu. É, sim. Por isso, parabéns para quem vai se crismar.”

A homilia de Dom Joel, profundamente baseada na própria fala que dirigiu à assembleia, ressaltou a Crisma como exercício da liberdade diante do amor de Deus, acolhida do Espírito Santo e compromisso de viver a fé na comunhão, na paz, no perdão e na fraternidade dentro da Igreja e da comunidade.

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