Na noite do último sábado, 13 de abril, a Diocese de Petrópolis celebrou, com intensa participação dos fiéis, a missa em ação de graças pelos 80 anos de sua criação e pela ordenação diaconal de Cássio Smanioto Castilho. A celebração aconteceu no Ginásio Jesus, Maria e José, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Raiz da Serra, e foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado.
Logo no início da homilia, Dom Joel destacou a alegria e a emoção pelo momento vivido: “É com muita alegria – e não falo só por mim, penso que falo por vocês também – que a gente se reúne hoje aqui, neste ginásio, para agradecer a Deus, para bendizer a Deus, pelos 80 anos da nossa diocese.”

O bispo recordou que, embora a Igreja tenha uma história muito maior que 80 anos, este é o “tempo” e a “história” próprios da Igreja particular de Petrópolis, motivo de profunda ação de graças: “Em oito décadas, nós temos muito a agradecer a Deus. Temos muito a agradecer a quem serviu, a quem por aqui passou, a quem construiu os primeiros momentos da vida dessa diocese, a quem hoje está na diocese, servindo nos mais diversos locais. E o Senhor já recebe nossa ação de graças por aqueles que, no futuro, Ele vai mandar para nos substituir.”
Jubileu, relíquias e vocações
Dom Joel lembrou que a celebração dos 80 anos da Diocese teve início ao término do Jubileu da Esperança, vivido recentemente pela Igreja: “Quando, na Catedral, agradecendo por aquele tempo tão bonito de esperança, nós começávamos a dizer: agora é a nossa vez, a vez da nossa diocese, de recolher tudo aquilo que foi o Jubileu passado e celebrar esse tempo que vai até dezembro deste ano.”
Entre os diversos momentos preparados para este jubileu diocesano, o bispo destacou a presença, na celebração, das relíquias de dois santos e uma beata, como expressão do chamado universal à santidade: “As relíquias dos dois santos e uma beata que hoje estão aqui entre nós representam um pouco daquilo a que todos nós somos chamados a ser, na nossa história de 80 anos e até a eternidade.”

Dentro deste contexto jubilar, a Providência de Deus, segundo Dom Joel, quis marcar a comemoração com um gesto particularmente significativo: a ordenação diaconal de Cássio: “Hoje, quis a Providência divina iluminar o coração e a mente daquela comissão que pensou essa celebração e marcá-la com algo muito significativo: a ordenação diaconal do Cássio.”
O bispo não escondeu a alegria pela história vocacional da Diocese de Petrópolis: “Uma história que me dá um orgulho grande e uma alegria imensa de perceber o quanto a nossa diocese trabalha e cuida das vocações.”
“O que eu vos mando: amai-vos uns aos outros”
As leituras escolhidas para a celebração foram indicadas pelo próprio Cássio, o que, para Dom Joel, tornou o conteúdo bíblico ainda mais eloquente para a vida da diocese e para o ministério do novo diácono:
“As leituras que nós ouvimos hoje brotam do coração do Cássio, mas, por uma daquelas ações bonitas do Espírito Santo, expressam, de um modo fabuloso, aquilo que nós somos, aquilo que o Senhor nos chama a ser.”

O bispo chamou particular atenção para a última frase do Evangelho proclamado: “Vocês lembram a última frase do Evangelho? ‘O que eu vos mando: amai-vos uns aos outros.’ Aqui começa o encontro com Cristo, aqui começa a vida de comunidade. Amar ao Senhor é o ponto de partida de tudo: da entrega, das renúncias, do enfrentamento corajoso e firme das dificuldades, da alegria de hoje. É o ponto de partida de tudo.”
Dom Joel recordou que o amor ao Senhor se concretiza no amor aos irmãos e irmãs na fé, cujos laços, segundo ele, superam até mesmo os vínculos de sangue: “Se os laços de sangue são fortes e falam profundamente ao nosso coração, quanto mais os laços da fé. Pois os laços da fé geram em nós uma outra relação, parecida com a relação de família, mas muito mais forte, porque se fundamenta no amor ao Senhor, na presença do Ressuscitado entre nós.”
“Onde dois ou mais estiverem reunidos…”
Partindo da realidade concreta da diocese, o bispo explicou a beleza da vida eclesial que nasce nas pequenas comunidades: “Aqui começa a comunidade, muitas vezes pequena, no sonho, na dedicação de uma pessoa ou outra, naquela pessoa que cede a casa, na outra que abre e fecha a capela. O que é uma paróquia, senão o conjunto de comunidades maduras na fé? E o que é a diocese? Uma parcela de toda a Igreja, o conjunto de todas as paróquias, que são o conjunto de todas as comunidades, que, por sua vez, são o conjunto de cada pessoa.”

Perguntando “Quem é a Diocese de Petrópolis?”, Dom Joel respondeu apontando para a fé simples e firme do povo: “A Diocese de Petrópolis é aquela parcela da Igreja de Deus, dos que amam o Senhor, que, em meio a todas as dificuldades que a vida apresenta, seguem firmemente o Senhor e respondem a Ele aquilo que Pedro respondeu: ‘Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.’ Isso constrói a Igreja.”
Tesouro em vasos de barro
Comentando a segunda leitura, o bispo alertou para os riscos de uma vivência da fé centrada em interesses pessoais, mas reafirmou que nada disso é capaz de destruir uma Igreja que ama o Senhor: “Mesmo que encontremos testemunhos que não são dos melhores, como a segunda leitura coloca para nós – gente preocupada em viver a fé voltada para o bolso, para o status –, se nós amamos o Senhor, não será o negativo que vai nos destruir.”
Retomando a imagem paulina, ele recordou: “Se nós amamos o Senhor, assumimos que trazemos esse ‘tesouro em vasos de barro’. O tesouro é Cristo; o vaso somos todos nós. Não cuidamos mais do vaso, cuidamos do tesouro. Se cuidamos do vaso, é porque queremos preservar o tesouro; se cuidamos dos aspectos acidentais da Igreja, é para preservar, na Igreja – no nosso caso, na Diocese de Petrópolis – esse amor profundo pelo Senhor.”
80 anos: desafios que passam, amor que permanece
Olhando para a história da diocese, criada em contexto próximo ao Concílio Vaticano II, Dom Joel lembrou as mudanças vividas pela Igreja e pelo mundo, situando a Diocese de Petrópolis dentro desse cenário:

“É possível que, olhando a história, você diga: ‘Meu Deus do céu, quanta coisa mudou no mundo, quanta coisa mudou na Igreja.’ A nossa diocese já passou por todos os momentos que a Igreja passa. Mas nenhum desses momentos é mais importante do que o amor do Senhor. O que fica, o que é eterno na Igreja, é o amor ao Senhor. O que vai mudando é o jeito como esse amor é traduzido no anúncio do Evangelho.”
Para ilustrar o ardor missionário, Dom Joel recorreu a uma comparação bem-humorada com a paixão de um torcedor de futebol que deseja “ganhar” novos torcedores para o seu time, destacando que, na fé, o anúncio se faz não por manipulação, mas pelo testemunho e pela inquietação de quem ama: “Anunciar o Evangelho não é manipular, mas apresentar o Senhor pelo testemunho, por todas as pastorais, por esse coração inquieto que nunca está acomodado com aquilo que já faz, mas que quer fazer mais. Porque quem ama quer transbordar no amor.”
“Uma vez diácono, sempre diácono”
Ao se dirigir diretamente a Cássio, o bispo retomou a natureza permanente do serviço diaconal: “Cássio agora vai ser ordenado diácono, e eu desconfio que você já sabe o que eu vou te dizer: uma vez diácono, sempre diácono. Nenhum padre, uma vez ordenado presbítero, deixa de ser diácono; nunca mais o bispo deixa de ser diácono. Em cima, na base de todos os serviços do ministério ordenado, está o diaconato, expressão desse amor de Deus.”
Recordando o próprio dia de ordenação diaconal, Dom Joel deu testemunho de gratidão a Deus pelo ministério de serviço que sustenta toda a vida ordenada.
“Na simplicidade do meu coração…”
Ao final da homilia, Dom Joel destacou uma característica que ele diz reconhecer em Cássio: a pureza e a humildade de coração. Cássio havia escolhido como lema uma passagem do Livro das Crônicas, que o próprio bispo aprofundou: “Cássio escolheu um texto do Segundo Livro das Crônicas; ele colocou no convite como Primeiro Livro das Crônicas: ‘Na simplicidade do meu coração, alegre vos dei tudo o que tenho.”

Dom Joel então propôs uma pequena mudança na frase, ampliando seu sentido vocacional: “Posso mexer um pouquinho na frase? ‘Na simplicidade do coração, alegre vos dei tudo o que sou.’” E convidou toda a assembleia a repetir, em forma de oração: “Na simplicidade do coração, alegre vos dei tudo o que sou.”
O bispo concluiu, consagrando a vida e o ministério de Cássio, e toda a Diocese de Petrópolis, ao amor ao Senhor que permanece como o grande tesouro desses 80 anos de história.




