Na noite em que a Paróquia de Santo Antônio, no Alto da Serra, em Petrópolis, celebrou simultaneamente a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o encerramento da Trezena em honra ao padroeiro, Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano de Petrópolis, presidiu a missa e ministrou o sacramento da Crisma a 23 jovens e adultos. Em sua homilia, o bispo destacou o amor de Deus como centro da fé cristã e convidou os crismandos a seguirem o exemplo de Santo Antônio.

Logo no início, Dom Joel lembrou o caráter especial da celebração, unindo a Trezena de Santo Antônio, a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e a Crisma, e afirmou que o “mais bonito” da festa acontece no interior da igreja, sobretudo para aqueles que recebem o sacramento. Ele insistiu que o dia da Crisma deve marcar profundamente a vida dos fiéis: “O dia em que a crisma acontece, os gestos, tudo aquilo que é vivido na celebração, tem que marcar a vida da gente”.
Provocando a assembleia, o bispo perguntou o que seria mais importante: a Crisma, Santo Antônio ou o Coração de Jesus. Em seguida, respondeu que todos são igualmente centrais, porque “os três estão no Coração de Jesus”, sublinhando que “tudo aponta para Jesus Cristo”.
Dom Joel recordou que Santo Antônio é importante não apenas pela fama de milagreiro, mas sobretudo porque “amou Jesus, serviu Jesus e tentou viver de acordo com a mentalidade do Evangelho”. Dirigindo-se diretamente aos crismandos, afirmou que quem recebe o sacramento é chamado a seguir o caminho do santo: “Quem se crismar hoje é chamado a ser um outro Santo Antônio, ou uma outra Santa Antônia”, explicou, esclarecendo que isso significa viver como ele viveu, com amor a Cristo e serviço aos irmãos.

O bispo alertou para o risco de se reduzir Santo Antônio apenas às graças e milagres: “O mais importante não é o que Santo Antônio fez, mas por que ele fez”. Segundo ele, a devoção, o título de casamenteiro e até o pão de Santo Antônio só fazem sentido a partir da descoberta fundamental que o santo fez: o amor fiel de Deus, do qual nada pode afastar.
Comentando as leituras proclamadas, Dom Joel destacou a fidelidade de Deus ao longo da história da salvação, desde o Antigo Testamento até a plenitude em Jesus Cristo, “Deus Libertador do Egito, que cura com um gesto de amor”, e o Pai que “faz o sol nascer sobre bons e maus”. “Aqui está o coração da nossa fé, aqui está o coração da nossa vida: Deus nos ama, e nada pode apagar o amor de Deus por nós”, afirmou.
Para ilustrar a resposta humana a esse amor, Dom Joel falou sobre a ingratidão, lembrando que “ingratidão dói”, e relacionou essa experiência com o que a humanidade fez com Jesus, que “passou a vida inteira fazendo o bem: curando doentes, perdoando pecadores, acolhendo rejeitados” e, mesmo assim, foi condenado, apesar de Pilatos declarar: “Eu não encontro mal algum neste homem”.

Ele destacou a atitude de Jesus na cruz, ao pedir perdão por seus algozes – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” – e afirmou que foi exatamente essa lógica do amor e do perdão que Santo Antônio compreendeu e assumiu. “Quando o coração da gente se apaixona, fazemos loucuras de amor. E se nós, humanos, fazemos isso, imaginem quando alguém descobre que Deus é amor”, disse, citando a encíclica Deus Caritas Est, de Bento XVI, para reforçar que Deus é amor verdadeiro e não afasta o ser humano.
Dom Joel também recordou o convite de Jesus: “Vinde a Mim, vós que estais cansados, vós que carregais fardos pesados; Eu vos aliviarei”, explicando que não se trata de um amor irracional, mas de um amor que é “entrega, confiança e doação”. Ele relacionou essa dinâmica com a vida de Santo Antônio, que, à semelhança de Cristo, amou as famílias, preocupou-se para que não faltasse “nem o pão espiritual, nem o pão material” e se dedicou até o esgotamento.

Ao falar diretamente aos crismandos, o bispo insistiu que o sacramento deve ser assumido com seriedade e totalidade: “Quem se crisma, se crisma por inteiro”. E retomou a identidade espiritual do grupo: “Vocês são a turma do Sagrado Coração de Jesus. Se não tiver amor, não tem nada”, afirmou, indicando que a devoção ao Coração de Jesus e de Maria, transpassado na cruz, lembra o amor que se doa até o fim, simbolizado pela água e sangue que a Igreja reconhece como sinais do Batismo e da Eucaristia.
Ao final da homilia, Dom Joel utilizou a imagem da vela como metáfora da vida cristã. Pediu que os crismandos erguessem suas velas e refletissem sobre o que acontece quando ela é acesa: “A vela pode ser bonita, pode ter laço, pode ter fita. Mas, quando é acesa, vai sendo consumida”. A explicação foi clara: assim como a vela se consome para iluminar, o cristão é chamado a deixar-se gastar por amor a Deus e ao próximo, mantendo sempre acesa a chama da fé que receberam naquele dia.






