6ª-feira da 7ª Semana da Páscoa – Mons. Paulo Daher

6ª-feira da 7ª Semana da Páscoa

Em Atos, 25, 13-21, o tribuno romano Festo ao receber o rei Agripa falou sobre Paulo e tudo o que havia acontecido.  Falou da reunião de teve com os chefes judeus e não encontrou nenhum crime em Paulo. Falavam sobre questões religiosas deles e de um certo Jesus morto, mas que Paulo disse estar vivo. Perguntei a Paulo se queria ir a Jerusalém. Mas Paulo apelou para ser julgado pelo imperador. Assim eu o mantive preso até que eu o envie ao imperador César.

  1. Paulo conhecia bem as leis romanas que eram rígidas e não iam atrás do disse-me-disse dos fariseus. Preferiu cair nas mãos dos romanos a nas dos judeus que fizeram o que quiseram no julgamento de Cristo.

Hoje nós estamos vivendo numa sociedade em que seu julgamento é mais segundo o que é relativo, não importa a verdade.

E esta mentalidade entra também no campo religioso, mais moral.

Para orientar as pessoas que vem conversar seja com leigos bem formados seja com os sacerdotes, tem-se de ter uma paciência muito grande para ouvir, tentar raciocinar, ajudar a compreender o verdadeiro valor de posições, às vezes até em coisas muito sérias e comprometedoras.

O melhor meio para se conseguir um pouco de atitudes mais definidas e sérias é mesmo ouvir, ponderar, comparar, mostrar outros casos que conhecemos, para na prática tentar ajudar as pessoas.

Quando Jesus disse que a verdade nos tornará livres (Jo 8,32) quis ajudar-nos a entender que sendo verdadeiros não deveremos ter medo de nada. Mesmo sofrendo pela verdade, ela é soberana, pois é o reflexo da Palavra eterna que é Jesus. (Jo 1,4)  Se não somos verdadeiros seremos como um caniço agitado pelo vento(Mt 11,7b), sujeitos a correr atrás de toda a novidade, sem rumo, sem definição.

Ser verdadeiro é refletir a luz de Deus: eu sou o que sou (Ex 3,14; Jo 1, 14c).  Nenhum relacionamento humano terá sentido sem a verdade. Não poderemos usar dos bens da natureza sem a verdade. As forças e capacidades dos seres não mudam porque eu quero: a água sempre terá sua função, o fogo também, o sol manifestará sua influência, a gravidade normal terá de ser respeitada, a estrutura íntima dos seres manifestará seu destino natural etc.  A liberdade humana terá também de respeitar seus limites no relacionamento entre as pessoas.

As leis morais estabelecidas por Deus em nossas consciências e mais esclarecidas com os mandamentos religiosos, não são obstáculos à liberdade, pelo contrário dão melhor sentido a todas as nossas escolhas, com a ajuda maravilhosa da religião, da graça do amor de Deus.

 

Em João, 21, 15-19, estamos na praia depois da ressurreição de Cristo, após a pesca milagrosa. Jesus pergunta três vezes a Pedro se o ama. Este responde que sim. Mas Pedro na 3ª. vez fica triste. Nas três vezes Jesus pede que apascente as ovelhas e os cordeiros. No final previne com que morte vai ter para dar glória a Deus. Termina dizendo:” segue-me.

Jesus conhecia seus apóstolos, confiava neles até após suas fraquezas, por isso foi ao encontro deles, faz mais um milagre e provoca a situação, em parte de constrangimento a Pedro, para ele diante de todos se definir.

Em geral nós somos gente que perdemos com facilidade a confiança nas pessoas após uma atitude “errada”. Muitas vezes a qualificamos como sempre erradas e que sempre vai errar de novo. Deus não é assim.

Ele é como uma verdadeira professora de crianças que estão começando a aprender as coisas. Os erros não são ocasião para humilhar o aluno, nem para já qualificá-lo de incapaz de aprender alguma coisa. É mais como aquela mestra que vendo a mãozinha insegura traçando as letras de forma desengonçada, segura-a firme e carinhosamente e ajuda-a a seguir as linhas certas e escrever as letras, as palavras.

Ou como quando recebe a folha do desenho que pediu ao aluno para fazer e elogia as cores distribuídas de maneira garranchadas em figuras que a criança vê seu pai, sua mãe, sua professora sua irmãzinha em formas  artísticas em que só ela possa dizer: este é meu pai, esta minha mãe, esta minha irmãzinha e esta aqui é você, professora querida.

Deus já está acostumado com nossos garranchos, com nossas obras de arte e enxerga além até do que vemos e apresentamos. Ora se ele pode nos fazer pegando um pouco de barro, emoldurando um bonequinho, e soprando sobre ele dizendo: meu filho, apareça. E lá viemos nós chorando, esperneando, abrindo os bracinhos para Ele e já dizendo: meu Pai!…

Pedro tu me amas? Paulo tu me amas, Maria tu me amas?

Que vamos responder? Não demores a dar sua resposta. A dele já ouvimos: Eu te amo muito como filho/a querido/o sempre. Acreditemos!

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Monsenhor Paulo Daher

É natural de Salvador, Bahia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1931, adotou Petrópolis por sua terra, onde exerceu várias funções como padre e atualmente era Vigário Geral. Em 1970, recebeu do Papa Paulo VI o título de Cônego e em 1980, o título de monsenhor do Papa João Paulo II.

Ordenado sacerdote em março de 1955, continuou em Roma até setembro do mesmo ano, quando retornou a Diocese. Ao chegar, iniciou seu ministério sacerdotal ajudando na Catedral. No ano seguinte, 1956, foi nomeado pelo Bispo, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra para trabalhar no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, onde ficou por 11 anos. No Seminário foi diretor espiritual e professor, contribuindo com a formação dos novos padres.

Em 1967, também por nomeação de Dom Cintra, assumiu como Pároco da Catedral, onde ficou por 19 anos. Durante este período desenvolveu vários trabalhos pastorais nas comunidades da paróquia e teve participação em outros movimentos e eventos na cidade, como no Grupo Ação, Justiça e Paz, onde foi eleito secretário no ano de 1979, deixando o cargo em março de 1980, quando foi eleita nova diretoria.

Monsenhor Paulo Daher durante toda sua vida sacerdotal exerceu com zelo todos os serviços que lhe foram confiados, mas sempre dedicou seu tempo e entusiasmo ao anúncio do Evangelho, através da orientação espiritual de diversas pastorais e movimentos, entre eles a Catequese, Pastoral Familiar, Equipes de Nossa Senhora, Renovação Carismática Católica, Legião de Maria e os fiéis, através da orientação espiritual e confissão.

Com total dedicação, monsenhor Paulo foi professor da Universidade Católica de Petrópolis durante mais de 30 anos e ainda nos últimos anos era orientador e capelão do Colégio Santa Isabel. Como Coordenador Diocesano das Pastorais, cargo que exerceu por muitos anos, monsenhor Paulo Daher teve um carinho especial na participação dos leigos, dando-lhes espaço e apoio para que possam exercer o serviço que lhes fora confiado.

Uma das preocupações de Monsenhor Paulo Daher é com a formação dos leigos, seja através da catequese ou cursos e encontros e para ajudá-los, escreveu diversos livros de formação teológica e catequese, mas com uma linguagem acessível a qualquer pessoa. Estes livros, com edições alternativas e limitadas são utilizados ainda hoje, principalmente na formação das catequistas.

Monsenhor Daher foi Administrador Diocesano, de janeiro a desembro de 2012 até a posse de Dom Gregório Paixão, OSV, no dia 16 de dezembro de 2012.

Uma de suas paixões foi a educação e por isso exerceu com total zelo o cargo de assessor eclesiástico da Pastoral da Educação, dedicando-se as escolas paroquiais. Nos últimos anos de sua vida, conseguiu realizar um de seus sonhos, criar uma escola de formação musical para as crianças e adolescentes das comunidades carentes de Petrópolis, alunos da rede pública de educação. A instituição ficou denominada Espaço Artístico Monsenhor Paulo Daher.

Monsenhor Paulo Daher faleceu em 30 de março de 2019

 

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