Bispo de Petrópolis destaca simplicidade e grandeza da Eucaristia em missa de Corpus Christi

Na tarde de quinta-feira, 4 de junho, durante a Solenidade de Corpus Christi, celebrada na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, destacou a importância da Eucaristia como manifestação do amor de Deus e como expressão pública da fé. A celebração reuniu grande número de fiéis das paróquias do Decanato São Pedro de Alcântara.

Logo no início da homilia, Dom Joel saudou os presentes, dirigindo uma acolhida especial aos que vieram de outras cidades.

“Sejamos todos bem-vindos. O altar não segrega, não distingue ninguém. Quando chegamos diante do altar, vivemos de modo muito claro aquilo que somos, pelo amor de Cristo, no dia a dia: todos irmãos e irmãs”, afirmou.

O bispo lembrou que, embora Corpus Christi seja um dia de festa e de preceito, a Eucaristia é realidade cotidiana na vida da Igreja.

“Nós sabemos que todo dia é dia de Eucaristia. Você pode e deve, não como uma obrigação exterior, mas como uma necessidade, estar diante do altar, se alimentar da Palavra, se alimentar do Corpo e, quando possível, do Sangue do Senhor, e se alimentar do convívio dos irmãos e irmãs em torno do altar”, explicou.

Dom Joel ressaltou que, ao longo do ano, dois momentos ganham destaque particular no mistério eucarístico: a Quinta-Feira Santa, quando a Igreja celebra a instituição da Eucaristia, e a Solenidade de Corpus Christi.

“Hoje, Corpus Christi, quando já passou o tempo da Páscoa, nós percebemos que o que acontece sobre o altar e vem até nós é grande demais. E, por ser grande demais, precisa ser dito às outras pessoas. Na Quinta-Feira é recolhimento, é oração; hoje é testemunho público”, destacou.

Ao falar sobre a procissão de Corpus Christi, o bispo explicou que não se trata de uma obrigação externa, mas de uma necessidade interior de quem experimenta o amor de Deus.

“Não é uma obrigação que nasce do exterior, como uma obrigação que me é imposta. É uma necessidade que brota do coração, de um coração que descobre a beleza, a grandeza”, disse, destacando ainda o crescimento, em todo o Brasil, do costume de confeccionar tapetes para a passagem do Santíssimo.

Dom Joel insistiu na grandeza do mistério celebrado. “O que nós estamos comemorando hoje, o que estamos celebrando nesta data, é grande demais. Porque aqui nós descobrimos o que mais o céu nos quis dizer em Jesus”, afirmou. Citando o salmista e Santo Agostinho, lembrou que o coração humano tem sede de Deus e encontra na Eucaristia uma resposta concreta. “Se nós trazemos em nós esse desejo de Deus, essa busca de Deus, a Eucaristia é uma resposta imensa, porque nela Jesus se entrega por toda a humanidade, e em cada missa renova essa entrega”, acrescentou.

O bispo enfatizou que a Eucaristia é a forma mais radical de proximidade de Cristo com os fiéis.

“No fundo, o que Jesus quer dizer pra nós é: ‘Eu amo vocês tanto que eu me entrego por vocês’. (…) O amor de Jesus não é apenas nos substituir na cruz ou ficar ao nosso lado; é ficar dentro de nós, ficar em nós”, afirmou, comparando esse amor a um “carinho” que vai além de qualquer gesto humano.

Um dos pontos marcantes da homilia foi a insistência na simplicidade da Eucaristia.

“Jesus não complica, quem complica somos nós. Se alguma coisa ligada à Eucaristia é complicada, nós é que complicamos. Jesus simplifica. (…) Façamos o mais simples, o mais breve, o mais rápido, para que mais pessoas possam ser, mais rapidamente, alimentadas”, disse, lembrando que a Igreja oferece alternativas pastorais, inclusive para pessoas com restrições alimentares, e que a adoração ao Santíssimo é um caminho acessível a todos.

Dom Joel também destacou o cuidado que a Igreja tem com as espécies eucarísticas, citando a tradição de conservar as hóstias consagradas em âmbulas cobertas por véus, como sinal de respeito à presença real de Cristo.

“Por isso não se desfaz do farelo, nem do vinho; por isso todo cuidado, toda cautela, como cuidado e cautela se tem com qualquer pessoa, ainda mais com aquelas pessoas que amamos”, explicou.

Em tom pastoral, o bispo comparou a vivência da fé com a expressão de alegria em eventos esportivos nacionais, lembrando que, ao contrário da Copa do Mundo, a Eucaristia é um dom cotidiano.

“Eucaristia, com todo respeito, não é como Copa: não é de quatro em quatro anos. É todo dia. E, a todo momento, você pode entrar numa igreja, e, estando a luzinha vermelha acesa, você olhar para Ele, Ele olhar para você, e você dizer: ‘Esse mistério é grande demais’”, afirmou.

Ao final da homilia, Dom Joel convidou os fiéis a um instante de silêncio para recordar as pessoas que os ajudaram a descobrir o amor de Deus na Eucaristia – como catequistas, familiares e amigos – e a agradecer por elas. Concluiu conduzindo a assembleia a um momento de adoração e gratidão:

“Agradeçamos a Deus todas aquelas pessoas que nos ajudaram a descobrir esse imenso amor. Graças e louvores se deem a todo momento”.

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