“A beleza da igreja-gente completa a beleza da igreja-prédio”, afirma Dom Joel durante celebração na Capela Sagrada Família

O bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, presidiu a missa de bênção da reforma e restauração da Capela Sagrada Família, pertencente à Paróquia Sant’Ana e São Joaquim, em Cascatinha, Petrópolis. Durante a homilia, o bispo destacou que a beleza do templo restaurado deve estar associada à vida da comunidade, chamada a ser uma verdadeira família na fé.

Dom Joel afirmou que participar de celebrações em comunidades que inauguram ou restauram seus espaços religiosos tem sido um presente. Segundo ele, embora a festa seja da comunidade, a conquista também representa uma alegria para todas as pessoas que contribuíram para a realização do trabalho.

“É uma missa como esta, na qual, em ação de graças, nós bendizemos a Deus por um prédio. Ou é um prédio novo ou, na maioria das vezes, um prédio reformado, restaurado. E isso tem sido, para mim, muito significativo”, afirmou.

O bispo elogiou a estrutura da capela e os detalhes da restauração, mas ressaltou que a Igreja não pode ser compreendida apenas como um prédio. “Por mais bonito que o prédio seja, ele, igreja-prédio, existe para a igreja-gente. Existe para a igreja-comunidade. Existe para a igreja-família.”

Para Dom Joel, a união entre o espaço físico e a comunidade é o que confere verdadeiro significado ao templo. “A igreja fica muito mais bonita quando a comunidade está bem”, destacou.

Igreja como família

Ao recordar a dedicação da capela à Sagrada Família, o bispo ressaltou que a comunidade deve refletir o modelo de uma família unida pela fé. Ele observou que, diferentemente das famílias formadas por laços de sangue, a comunidade cristã é constituída principalmente pela fé e pela caminhada comum.

“Uma igreja dedicada a qualquer santo, a qualquer santa, ainda mais à Sagrada Família, precisa ser uma igreja-comunidade, uma igreja-família.”

Dom Joel também destacou a presença da capela entre as casas dos moradores. Segundo ele, embora esteja integrada ao cotidiano do bairro, a igreja se diferencia por sua arquitetura e por sua missão de ser um sinal da presença de Deus no meio da comunidade.

“A igreja está presente juntinho das casas das pessoas, mas ela não é igual às casas das pessoas”, afirmou.

O bispo explicou que a capela deve ser reconhecida não apenas por sua torre ou por sua aparência, mas principalmente pelo modo como os fiéis vivem e testemunham a fé.

Perdão e convivência

Durante a homilia, Dom Joel abordou os desafios da convivência comunitária. Ele lembrou que, como em qualquer família, também podem existir dificuldades, desentendimentos e conflitos entre os membros de uma comunidade de fé.

A partir do Evangelho proclamado na celebração, que trata do perdão, o bispo refletiu sobre a pergunta feita por São Pedro a Jesus: quantas vezes é necessário perdoar. Segundo Dom Joel, a resposta de Cristo aponta para um perdão sem limites. “O perdão não tem limite. O dia em que o perdão tiver limite, o amor acabou.”

O bispo ressaltou, no entanto, que perdoar não significa necessariamente esquecer o que aconteceu. “Na maioria das vezes, você não esquece. Por isso, você perdoa. Essa é a diferença.”

Para Dom Joel, a experiência da restauração da capela também pode ser compreendida como um convite à renovação da vida comunitária. Assim como o prédio foi reformado, os relacionamentos precisam ser continuamente reconstruídos por meio do perdão, da acolhida e da fraternidade. “As pessoas, assim como enxergam uma igreja-prédio bonita, precisam enxergar uma igreja-comunidade, uma igreja-família”, afirmou.

Portas abertas para a comunidade

Ao final da homilia, Dom Joel incentivou os fiéis a manterem a capela aberta e atuante, mesmo nos momentos em que não houver missa. Ele citou a adoração ao Santíssimo Sacramento, a leitura da Palavra de Deus e a oração comunitária como formas de fortalecer a presença da Igreja no bairro.

O bispo alertou que uma igreja bonita não deve permanecer fechada, mas precisa ser um espaço de acolhimento, oração e encontro. “Não construam uma igreja tão bonita para deixá-la fechada.”

Dom Joel afirmou que, quando uma comunidade mantém suas portas abertas, transmite uma mensagem de alegria, respeito e união às pessoas que passam pelo local. “Olha como aquele pessoal é feliz. Olha como ali é uma verdadeira família!”, declarou.

Concluindo a reflexão, o bispo deixou um convite à comunidade da Capela Sagrada Família: “Abram os corações e abram as portas.”

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