Durante a Missa de Finados, celebrada no dia 2 de novembro, na Igreja Sant’Ana, no bairro Bananal, em Guapimirim, Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano, refletiu sobre a saudade, o luto e a esperança cristã diante da morte. Ao final da celebração, depositou flores em três túmulos e abençoou os túmulos e todas as pessoas que estavam visitando o Cemitério Municipal de Guapimirim.
A Santa Missa aconteceu no ginásio municipal, que fica em frente ao Cemitério Municipal, e foi concelebrada pelo padre Caio Martins Faria, administrador paroquial de Nossa Senhora Aparecida, em Parada Modelo, e pelo padre Luan de Souza Gonçalves, administrador paroquial de Nossa Senhora da Ajuda, ambas em Guapimirim. O seminarista Anderson, os diáconos permanentes das duas paróquias, os ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, os coroinhas e as goretinhas ajudaram na celebração.
Padre Caio Martins agradeceu a presença do bispo diocesano, por ter aceitado o convite para celebrar a Missa de Finados em Guapimirim. Ele agradeceu a presença do padre Luan e dos paroquianos de Nossa Senhora da Ajuda, assim como a dos paroquianos de Parada Modelo. Dom Joel destacou a comunhão das duas paróquias de Guapimirim na celebração do Dia de Finados.
Ao iniciar a homilia, o bispo recordou que a saudade não está limitada ao Dia de Finados. “Saudade não tem calendário”, afirmou, destacando que esse sentimento pode se fazer presente a qualquer momento, independentemente da data ou do lugar.
A partir de uma experiência pessoal, Dom Joel contou que, ao sentir o aroma ou provar um bolo semelhante ao que sua mãe preparava, não sente apenas saudade do alimento, mas principalmente dela. Segundo ele, situações simples do cotidiano podem despertar a lembrança daqueles que já partiram.
O bispo também alertou para a importância de respeitar o processo de luto. Para ele, não se deve dizer às pessoas que não chorem ou que não sintam saudade após a morte de alguém. “Nós não somos pedra. Nós não somos madeira. Nós não somos granito, para ficarmos indiferentes à morte”, afirmou.
Ao relacionar a reflexão com as leituras proclamadas na celebração, Dom Joel recordou a figura de Jó, que, mesmo diante da dor e da perplexidade, professou sua fé em Deus. Também mencionou o relato da morte de Lázaro, no qual Jesus manifesta tristeza e compaixão diante do sofrimento de Marta e Maria.
Para o bispo, a saudade é uma expressão do amor que permanece após a morte. “Se houve amor, vai ter saudade. Se tem saudade, é porque houve amor”, explicou. Nesse sentido, destacou que o amor a Deus e ao próximo deve ser vivido intensamente ainda nesta vida, como caminho para superar a indiferença e evitar o remorso.
Dom Joel também refletiu sobre a esperança na ressurreição, recordando as palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Segundo ele, a ressurreição de Lázaro foi um sinal, mas a vida eterna representa a promessa definitiva de Deus para aqueles que atravessam a porta da morte.
Durante a homilia, o bispo compartilhou ainda uma lembrança dos últimos momentos de vida de sua mãe. Ao perceber que estava próxima da morte, ela pediu a uma pessoa próxima que não deixasse seu filho sozinho. Após o falecimento, essa mulher permaneceu ao lado de Dom Joel durante os preparativos do enterro e até o cemitério, cumprindo o pedido que havia recebido.
Para o bispo, aquela experiência revelou concretamente a força do amor e do cuidado com o outro. Ele ressaltou que a oração fortalece e ajuda a manter viva a memória daqueles que marcaram a vida de cada pessoa.
Ao final da celebração, Dom Joel convidou os fiéis a recordarem, em silêncio, as pessoas pelas quais sentiam saudade e a agradecerem a Deus por suas vidas. Também propôs uma oração de perdão por aqueles que deixaram marcas negativas, lembrando que todos necessitam da misericórdia divina.
A celebração foi concluída com um convite à vivência do mandamento do amor a Deus e ao próximo, apresentado como o maior sinal da fé cristã e como caminho de esperança diante da morte.











