Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém celebra 30 anos com gratidão e renovação do compromisso missionário

A fundadora da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém, Verônica Jordão com Dom Joel Portella Amado

Ao celebrar 30 anos de fundação, no dia 26 de agosto, a Comunidade Católica Mater Dolorosa de Jerusalém recebeu o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, que presidiu a Santa Missa de Ação de Graças, concelebrada por diversos sacerdotes, entre eles, o reitor do Seminário Diocesano, Padre Luiz Henrique Veridiano. A fundadora da comunidade, Verônica Jordão, agradeceu a presença do bispo diocesano, dos sacerdotes e dos seminaristas, mas dirigiu um agradecimento especial aos membros da comunidade, afirmando que, sem o “sim” deles, nada faria sentido.

Manifestando sua alegria por celebrar os 30 anos da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém, Dom Joel agradeceu todo o trabalho realizado pela comunidade ao longo dessas três décadas. Ao celebrar o sacramento do Batismo de Sofya, no sábado anterior à festa de 30 anos da comunidade, o bispo afirmou: “A comunidade faz aniversário, mas quem ganhou o presente fui eu, ao batizar a pequena Sofya”. E concluiu, frisando: “Se fosse apenas uma criança ao longo deste período, já teria valido tanto”.

Dom Joel e os padres com os membros da Comunidade Mater Dolorosa de Jeresulém

Para o bispo diocesano, o trabalho realizado pela comunidade por meio do Projeto Mater Acolhedora, que atende mulheres e gestantes em situação de vulnerabilidade social, é uma resposta e um testemunho da missão da Mater Dolorosa de Jerusalém. Refletindo sobre a missão da comunidade, Dom Joel a definiu como o testemunho de que, diante das cruzes do mundo, a postura do cristão é “ficar de pé”, inspirado pela Virgem Maria, que permaneceu de pé diante da cruz, vendo seu Filho ser crucificado. “Mesmo nas quedas inevitáveis da caminhada, o carisma convoca a levantar e continuar o caminho sob a condução do Senhor”, afirmou.

Dom Joel destacou ainda que a celebração dos 30 anos da comunidade ocorre no ano do jubileu de 80 anos da diocese, estabelecendo uma relação simbólica e histórica entre a instituição diocesana e o carisma inspirado em Maria, aos pés da cruz. Durante a homilia, o bispo destacou que a trajetória da comunidade é fruto da resposta generosa de pessoas dispostas a colaborar com a obra de redenção de Deus. Ao longo de três décadas, essa caminhada resultou na formação de famílias, no surgimento de vocações sacerdotais e no fortalecimento da vida comunitária.

Comunidade e missão

Ao refletir sobre a missão da CMDJ, Dom Joel relacionou a Palavra de Deus aos desafios do mundo contemporâneo. A partir das leituras da celebração — que abordavam a crítica de São Paulo à ociosidade e a denúncia de Jesus contra a hipocrisia —, o bispo afirmou que a comunidade não deve se deixar desanimar diante das dificuldades e da realidade de sofrimento presente na sociedade.

Para Dom Joel, o amor de Deus não abandona a humanidade, mesmo diante do pecado e da hipocrisia. Nesse contexto, os carismas e as Novas Comunidades são chamados a tornar visíveis, no cotidiano, sinais do Reino de Deus.

O bispo também ressaltou a criatividade do Espírito Santo no Brasil, onde as chamadas Novas Comunidades se desenvolveram de maneira expressiva. Segundo ele, a vida comunitária e a ação missionária são dimensões inseparáveis: a força da missão nasce da experiência de comunhão.

Dom Joel, Verônica Jordão com os padres, seminaristas, diáconos, os membros e amigos da Comunidade

A espiritualidade da cruz

A identidade da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém está vinculada à imagem de Maria aos pés da cruz. Para Dom Joel, essa referência sintetiza a missão da CMDJ de anunciar a cruz como manifestação de um amor que não desiste.

O bispo afirmou que, diante das dores e das cruzes do mundo, a postura cristã deve ser a de “ficar de pé”, a exemplo de Maria. Mesmo diante das quedas e limitações próprias da caminhada, o carisma da comunidade convida seus membros a se levantarem e continuarem o caminho sob a condução de Deus.

A espiritualidade também se expressa na disposição de permanecer em comunhão com a Igreja e com o pastoreio diocesano. A CMDJ se compreende como uma pequena porção do povo de Deus, chamada a servir, permanecer unida e levar adiante sua missão.

Mater Acolhedora atua na preservação da vida

Um dos pontos centrais da celebração foi o trabalho desenvolvido pelo Projeto Mater Acolhedora, também conhecido como Casa da Mãe Acolhedora. A iniciativa oferece acolhimento e suporte a gestantes em situação de vulnerabilidade, com atuação voltada à preservação da vida e à prevenção do aborto.

Dom Joel classificou o projeto como uma resposta necessária diante de uma sociedade marcada pela cultura do descarte e por situações que ameaçam a dignidade humana. Para o bispo, o trabalho da comunidade representa uma forma concreta de permanecer “de pé” diante das cruzes do mundo, oferecendo cuidado, paciência e esperança.

A fundadora da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém, Verônica Jordão

A fundadora da CMDJ, Verônica Jordão, afirma que a criação da Mater Acolhedora foi uma resposta a uma necessidade apresentada pela própria Igreja. Desde então, o projeto passou a integrar a missão da comunidade junto às pessoas que mais precisam de apoio.

Durante a homilia, Dom Joel mencionou com emoção a pequena Sofya, batizada por ele no sábado anterior à celebração dos 30 anos da comunidade. O bispo também relatou que Sofya e seu irmãozinho não sorriram durante o encontro. O fato o levou a refletir sobre as marcas deixadas pelo sofrimento e pelas situações de vulnerabilidade. Para ele, a cena reforça a importância do acolhimento e do trabalho contínuo para devolver esperança e dignidade a crianças e famílias.

Atuação em diferentes frentes

Além do Projeto Mater Acolhedora, a Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém desenvolve outras ações pastorais e sociais em comunhão com a Diocese de Petrópolis. Entre as iniciativas estão:

  • missão junto a crianças em situação de vulnerabilidade em bairros periféricos;
  • trabalho pastoral com pessoas encarceradas nos presídios de Magé;
  • formação integral de jovens por meio da Escola de Evangelização de Jovens São Josemaría Escrivá;
  • acompanhamento, aconselhamento e formação;
  • realização de retiros;
  • participação em conselhos diocesanos, com o objetivo de fortalecer a comunhão e a colaboração na Igreja.

Essas atividades refletem a proposta da comunidade de contribuir para a formação dos filhos de Deus até a maturidade de Cristo, tendo a espiritualidade da cruz como referência.

Amigos e membros da Comunidade durante a celebração dos 30 anos

Renovação do compromisso missionário

Ao final da celebração, Dom Joel incentivou a CMDJ a continuar sua atuação na Mater Acolhedora e nas demais frentes de evangelização e serviço. O bispo pediu que a comunidade permaneça disponível para servir onde a graça de Deus a enviar, especialmente junto aos mais necessitados.

A fundadora, Verônica Jordão, também foi lembrada por sua entrega e perseverança diante das dificuldades. Dom Joel destacou seu “sim” e sua capacidade de permanecer firme no chamado, mesmo no “claro-escuro da fé”.

A comemoração dos 30 anos terminou com um sentimento de gratidão pela história construída e com a renovação do compromisso de seguir servindo à Igreja e à sociedade, sob a proteção de Nossa Senhora das Dores.

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