A Diocese de Petrópolis celebrou, no domingo, 5 de julho, os 50 anos do Encontro de Casais com Cristo (ECC) com um Congresso Diocesano que reuniu centenas de casais no Ginásio Jesus, Maria e José, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Raiz da Serra. O evento, realizado ao longo de todo o dia, foi encerrado com missa presidida pelo Vigário Geral da Diocese, Padre Paulo César Rodrigues Magalhães.
Além do Vigário Geral, concelebraram a Eucaristia o assessor diocesano do ECC, Padre Gustavo de Oliveira, o pároco de Raiz da Serra, Padre Marcelo Alvarenga, e o Padre Leonardo João. Participaram também missionários da Comunidade Canção Nova – Carrerete e Suely, Rafael e Priscila – e os Ministérios de Música Imaculada e Amor Divino.
“Cristo é o centro”: testemunho e gratidão
Padre Gustavo de Oliveira recordou que toda a história do ECC se resume na afirmação de que “Cristo é o centro”. Em sua fala, ele destacou que a espiritualidade do movimento é o motivo da perseverança dos casais e das famílias ao longo de cinco décadas na Diocese.
“Cristo é o centro, Cristo é o motivo de todas as coisas, Cristo é a razão pela qual nós estamos aqui reunidos”, afirmou, dirigindo-se aos casais presentes e àqueles que, por compromissos, não puderam permanecer até o final. “Tudo tem valido a pena, esses 50 anos valeram a pena. Eu nem tenho 50 anos, mas, com 41, posso experimentar a graça e a alegria de ser família ECC”, completou.
O sacerdote também partilhou sua experiência pessoal, reconhecendo o papel decisivo do ECC em sua vocação: “O meu berço cristão está lá no ECC. Meu pai e minha mãe, por muitos anos, trabalharam no ECC. A gente bebeu dessa fonte, da família unida, da família que realmente está cheia de Deus. O ECC tem um papel fundamental na minha vocação sacerdotal”.
Padre Gustavo ressaltou ainda que o movimento “está mais vivo do que nunca” e agradeceu ao conselho diocesano do ECC pelo empenho contínuo. “O resultado dessa vibração de vocês por este encontro tão maravilhoso, por esta escola evangelizadora tão maravilhosa, está aqui: o resultado. Eles merecem palmas, e muitas palmas”, disse.
Homenagens e presença de casais históricos
Durante o encontro, foram homenageados os dois casais que participaram do primeiro ECC realizado em Petrópolis: Dona Sílvia e seu Billy, e Dona Vera e seu Luciano, que se colocaram de pé diante da assembleia ao serem lembrados pelos organizadores. “Os dois casais do primeiro encontro em Petrópolis: 50 anos de ECC”, destacou-se, em clima de emoção e gratidão.
Também estiveram presentes Sérgio e Renata, casal coordenador regional do ECC, cuja trajetória de amizade com a Diocese foi recordada. O assessor diocesano e os coordenadores agradeceram o carinho e o apoio constantes dos representantes regionais.
Entre os muitos agradecimentos, teve destaque o reconhecimento ao pároco de Raiz da Serra, Padre Marcelo Alvarenga, que acolheu o Congresso na paróquia. “Quando a gente pediu que abrisse as portas de sua casa, ele prontamente fez questão que fosse aqui. Este lugar é realmente um lugar onde a gente consegue celebrar, e celebrar bem, com alegria”, foi ressaltado durante a missa.
Mensagem dos coordenadores: cinco décadas de famílias evangelizadas
Na mensagem oficial dos coordenadores do ECC, lida ao final da celebração, foram recordados os frutos dos 50 anos de presença do Encontro de Casais com Cristo na Diocese de Petrópolis. “Ao encerrarmos esta celebração tão especial, elevamos nossos corações a Deus em profunda ação de graças. Foram cinco décadas de evangelização, de famílias restauradas, de casais fortalecidos na fé e de incontáveis testemunhos do amor de Cristo, transformando lares e comunidades”, dizia o texto.
Os coordenadores enfatizaram que esta história foi construída “por muitas mãos, muitos corações e, sobretudo, pela graça de Deus”, e agradeceram aos ministérios de música, diáconos e padres presentes – entre eles, Padre Léo, Padre Paulo, Padre Gustavo e Padre Marcelo, “que nos apoiou com tanto carinho nesta paróquia, abrindo as portas da casa para que pudéssemos viver este momento de comunhão, fraternidade e fé”.
Também foi registrada a colaboração da Prefeitura de Magé para a realização do Congresso, bem como a dedicação de todos os “encontreiros” da Diocese, responsáveis por manter viva a chama do ECC ao longo de meio século. “Cada casal, cada diretor espiritual, cada equipe de trabalho faz parte desta linda história de serviço ao Reino de Deus”, afirmou a mensagem, que também recordou com gratidão aqueles que iniciaram o movimento na Diocese.
Padre Afonso Pastore: legado vivo na história do ECC
De modo especial, o texto prestou homenagem ao saudoso Padre Afonso Pastore, reconhecido como figura fundamental na caminhada do ECC. “Sua dedicação, visão evangelizadora e amor às famílias deixaram marcas profundas. Seu legado permanece vivo em cada encontro realizado, em cada casal evangelizado, em cada família que encontra em Cristo a razão de sua esperança”, registraram os coordenadores.
A mensagem concluiu com um apelo à continuidade da missão: “Que possamos continuar formando famílias evangelizadas para evangelizar, levando a presença de Cristo a todos os lares. Que a Sagrada Família de Nazaré continue abençoando nossas famílias, nosso ECC e toda a Diocese de Petrópolis”.
“Vinde, tomai, aprendei” – o chamado de Cristo às famílias
Na homilia da missa de encerramento, Padre Paulo César Rodrigues Magalhães estruturou sua reflexão sobre o Evangelho em três palavras: “Vinde”, “Tomai” e “Aprendei”. Segundo o Vigário Geral, essas expressões sintetizam o convite de Cristo e orientam a vida das famílias e dos casais.
Ao comentar o “Vinde”, destacou que o Senhor chama cada pessoa a se aproximar d’Ele diariamente, desde o despertar até o adormecer: “Vinde significa não ter medo de segui-lo, porque Ele nos ama como ninguém é capaz de nos amar. O Senhor se interessa mais por mim do que eu mesmo, e mais por você do que você poderia se interessar pela sua vida”.
Padre Paulo advertiu contra a acomodação espiritual: “Uma alma que não caminha para o Senhor é uma alma ‘defunta’, porque vai se decompondo, vai perdendo a graça de Deus”. Por isso, insistiu que Jesus precisa estar no centro da vida, do pensamento e, particularmente, do coração da família e dos casais.
Sobre o “Tomai”, o sacerdote explicou que tomar o jugo de Cristo é assimilar sua vida e seus pensamentos: “Quando nós trazemos a vida do Senhor e a colocamos integralmente em nossa vida, ela adquire uma leveza que só o céu é capaz de explicar”. Ele ressaltou que, pelo Batismo, todos participam do mistério da vida de Cristo, e que tomar o jugo também significa partilhar com Jesus alegrias, dificuldades, certezas e incertezas, lançando sobre Ele todas as preocupações.
Ao refletir sobre o “Aprendei”, Padre Paulo lembrou que, num mundo cheio de mestres e influenciadores, Cristo deve ser o Mestre principal: “Nós não podemos ter outro mestre acima de Cristo, porque Ele é o Mestre que ensina a verdade”. Ser discípulo, segundo o Vigário Geral, é “ser um Evangelho que caminha pelo mundo”, ensinando a família, o esposo e a esposa com a vida impregnada pelo amor de Deus.
Para ilustrar essa ideia de “impregnação”, o padre citou uma experiência pessoal no Mar Morto, descrevendo como a roupa usada ali permaneceu impregnada de sal, óleo e algas, mesmo após dois anos de lavagens. A metáfora foi aplicada à vida cristã: “Assim também deve ser o cristão no mundo: impregnado de Deus, que nada consiga tirar Deus da nossa vida”.
Desafios contemporâneos e defesa da família
Na parte final da homilia, Padre Paulo abordou os desafios que o mundo moderno apresenta à fé e à família, afirmando que, historicamente, sempre houve tentativas de “matar Deus” na vida dos cristãos, desde as perseguições das primeiras comunidades até as estratégias mais sutis de hoje.
Segundo ele, a atual “estratégia do mundo” é fazer o cristão acreditar que pode viver “com um pé no altar e um pé no mundo”, diluindo a referência a Deus na vida familiar e enchendo as pessoas de vazios. “Quando arrancam Deus da família, fazem da família o que querem e o que não querem; quando arrancam Deus dos casais, fazem com os casais aquilo que querem e o que não querem”, advertiu.
Diante disso, convidou os casais a testemunharem um amor conjugal sólido: “O casamento não é apenas um ideal, mas a regra do verdadeiro amor entre um homem e uma mulher: um amor total, fiel, fecundo, capaz de resistir às agressões contra a família”. E concluiu com um apelo à confiança: impregnados da presença viva de Deus, as famílias serão capazes de enfrentar qualquer ameaça, mantendo-se firmes na fé.
Encerrando sua homilia, Padre Paulo recordou a esperança final de todo cristão: ouvir do Senhor, no céu, a frase do Evangelho – “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor” – e desejou que todas as famílias e casais do ECC, perseverando na presença de Deus, possam um dia acolher essa mesma palavra.












