O culto ecumênico realizado no final da manhã, dia 29 de junho, no Palácio de Cristal, marcou as comemorações pelo Dia do Colono, feriado em Petrópolis. A celebração, que reuniu descendentes dos colonos e representantes de diferentes confissões cristãs, foi presidida pelo pastor luterano Elton Pothin, pelo padre João Marcos, que representou o bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, e pelo frei Marcos Antônio de Andrade, OFM.
Estiveram presentes o prefeito Hingo Hammes, o vice-prefeito Albano Filho (Baninho), secretários municipais, membros do Clube 29 de Junho, descendentes dos colonos alemães, além de fiéis da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e de outras comunidades católicas e luteranas de Petrópolis. O encontro uniu memória, gratidão e reflexão sobre o futuro da cidade à luz da fé que sustentou os primeiros imigrantes.
Em sua reflexão, padre João Marcos convidou os presentes a recordar a experiência dos colonos que deixaram sua terra natal em busca de uma nova vida no Brasil, destacando o papel decisivo da fé nesse caminho:

“Vem no coração as pessoas que tiveram que deixar suas terras para vir para onde? Viver como? Para as pessoas que não têm fé, isto assusta. Porque nós precisamos de segurança. Tudo que nós planejamos na nossa vida, nós pretendemos não errar.”
Padre João Marcos relacionou essa experiência com o convite de Jesus a seus discípulos, sublinhando que seguir Cristo implica confiar mais em Deus do que nos próprios planos:
“Mas se eu vou te seguir, Jesus, eu vou morar aonde? Onde eu vou almoçar? Onde eu vou comer? Onde eu vou descansar? Sem a fé, nós vamos sempre ter medo, porque vamos contar com nossas vontades, com os nossos planejamentos, com as nossas ideias. Só que Jesus exige daqueles que querem seguir o desprendimento, a confiança, a liberdade de colocar naquele que nos guia, que Ele vai nos levar sempre a um caminho.”
Padre João Marcos lembrou que, no Evangelho, muitos enfrentam a dificuldade de deixar sua segurança para acolher o chamado de Jesus:
“Como é difícil abandonar a segurança. Como é difícil abandonar aquilo que já temos para uma nova proposta. São Pedro estava lá no seu barco, triste porque não tinha pego nada naquela noite, mas Jesus faz para ele uma proposta: ‘Pedro, lança as redes de novo’.”

A partir desse episódio, o sacerdote destacou a importância de aprender a “escutar” e não apenas “ouvir” a voz de Deus:
“É uma grande diferença, irmãos, entre ouvir e escutar. Ouvir é mecânico. Todos nós ouvimos. Escutar é trazer do ouvido para o coração. É meditar, é aprofundar, é tornar meu aquilo que estou escutando. E escutar a Jesus é ouvir uma proposta de mudança de vida, amar o próximo, ser fiel, buscar fazer ao outro aquilo que eu pretendo também para mim. Por isso não é fácil seguir Jesus.”
Ligando a história dos colonos à mensagem do Evangelho, padre João Marcos afirmou que a mesma fé que sustentou os imigrantes alemães deve iluminar os desafios atuais da cidade:
“Mas a fé que trouxe esses homens e mulheres para este lado do oceano é como a proposta que Jesus fez hoje aos seus discípulos: ‘Vão na minha frente que depois eu vou’. E seria belo que, se continuássemos a ler o Evangelho meus irmãos, eles passariam por uma grande tempestade. E, diante do medo, foram de novo a Jesus.”
Ele expressou o desejo de que Petrópolis projete seu futuro ancorada na confiança em Deus:
“Meus irmãos, o que Petrópolis pretende ter um futuro que venha acompanhado da fé. De uma fé que nos tira o medo. De uma fé que nos tira a insegurança, porque quem nos conduz é o Altíssimo.”

Recordando o salmo proclamado na celebração, o padre ressaltou a grandeza de Deus na história do povo e da cidade:
“Como cantávamos no salmo: ‘Os oceanos Ele guardou em reservatórios, juntou os mares em um lugar’. E dizíamos nós: ‘Todos vós que obedeceis a Deus e ao Senhor, alegrai-vos por causa daquilo que Ele tem feito’. E quanta história foi feita neste lugar. Quantos homens e mulheres dedicaram sua vida para que hoje pudéssemos estar aqui, olhando o passado, mas contemplando o futuro. O que nos espera do outro lado do mar.”
Dirigindo-se às autoridades presentes, padre João Marcos fez referência ao papel dos governantes como “condutores” do povo, pedindo a bênção de Deus sobre eles:
“E aqui temos o comandante da cidade, aquele que vai guiar esse barco. Que o Senhor o ilumine. Como aqueles que trouxeram homens e mulheres, não só trabalhadores, mas quantos religiosos também atravessaram este mar para vir para uma terra desconhecida, com somente um propósito: encontrar felicidade. Esse é o desejo de todos nós.”
O culto ecumênico do Dia do Colono, assim, não apenas celebrou a memória dos primeiros imigrantes, mas convidou a cidade a reencontrar na fé a coragem, o desprendimento e a confiança que marcaram a história de Petrópolis desde seus primórdios.






