São Josemaria: a Santidade que Nasce no Cotidiano e Floresce na Entrega – Pe. Anderson Alves

Homilia na festa de São Josemaria Escriva,

Queridos irmãos,

Hoje contemplamos a figura luminosa de São Josemaria Escrivá, um homem que descobriu — e ensinou ao mundo — que Deus passa pelas portas simples da vida. Ele não buscou a santidade em experiências extraordinárias, mas naquilo que todos nós vivemos: o trabalho, a família, as pequenas lutas de cada dia.

São João Paulo II chamou-o de “o santo do cotidiano”, porque São Josemaria soube contemplar uma verdade simples e decisiva: todas as realidades honestas da vida, quando vividas com fé, amor e retidão de intenção, podem tornar-se lugar de encontro com Deus. Essa verdade, tão simples e tão profunda, ainda precisa transformar a vida de cada cristão e de toda a Igreja.

São Josemaria nos recorda que a felicidade nasce da fidelidade: fidelidade à graça do Batismo, ao trabalho bem-feito, ao amor concreto ao próximo. Ele desejava que o cristão pudesse terminar o dia dizendo ao Senhor: “Hoje só pensei nos outros, por amor a Ti.” Que programa de vida! E que caminho seguro para a santidade.

As leituras de hoje nos ajudam a compreender essa missão.

No Gênesis, vemos que o trabalho não é castigo, mas vocação originária. Deus colocou o homem no jardim “para o cultivar e guardar”. O trabalho é participação na Providência, colaboração com o Criador, ocasião de servir e amar. O pecado trouxe a fadiga e a morte; mas o trabalho, em si mesmo, permanece como um dom e uma missão. Quantas vezes pensamos que Deus está longe, quando, na verdade, Ele nos espera justamente ali: na mesa de trabalho, na sala de aula, na cozinha, na oficina, no trânsito, na rotina que tantas vezes nos pesa.

Na Carta aos Romanos, contemplamos o coração da espiritualidade de São Josemaria: a certeza de que somos filhos de Deus. Filhos amados, acompanhados, fortalecidos. Quem vive como filho não teme a cruz, porque sabe que ela não é abandono, mas caminho de união com Cristo. Por isso o cristão pode ser profundamente otimista: Deus é Pai e está sempre perto de nós. A cruz elevada sobre a terra atrai todos a Cristo e, por Ele, ao Pai. São Josemaria gostava de repetir: “Deus abençoa com a cruz”.

No Evangelho, Jesus nos diz: “Avança para águas mais profundas.” É o convite ao apostolado. Não basta conservar a fé: é preciso fazê-la frutificar. Não basta ser bom: é preciso lançar as redes. São Josemaria repetia essas palavras como um chamado de coragem para o mundo moderno: Duc in altum! Vai mais longe! Confia mais! Ama mais! Lança as redes em nome de Cristo.

Quando olhamos para o último dia da vida de São Josemaria, vemos que ele viveu exatamente assim. Morreu como havia vivido: oferecendo a vida pela Igreja e pelo Papa. Segundo o relato de Dom Álvaro del Portillo, naquela manhã de 26 de junho de 1975, São Josemaria celebrou a Missa com devoção, às 7:53 da manhã, visitou suas filhas espirituais em Villa delle Rose e, ao retornar a Villa Tevere, depois de saudar o Senhor no oratório com uma genuflexão feita com amor, entregou a vida como sempre a oferecera: trabalhando, servindo e amando.

Naquele dia, em Villa delle Rose, contemplou também um quadro de Nossa Senhora com o Menino Jesus, imagem que pertencera à sua família. Esse detalhe simples comoveu aquele coração sacerdotal, filial e profundamente mariano. Em tudo, mesmo nos gestos pequenos, ele via a presença de Deus e o carinho de sua Mãe.

São Josemaria morreu como filho, como apóstolo, como trabalhador de Deus. Pedia a graça de servir até o último instante; desejava morrer “com os sapatos calçados”, trabalhando até o fim. Nos últimos anos, dizia que talvez pudesse ajudar mais a Obra, a Igreja e o Papa a partir do Céu. Dom Álvaro recordava que ele temia ser um peso, quando, na verdade, era para todos um tesouro inestimável.

Meus irmãos, diante desse testemunho, a pergunta que o Senhor nos faz hoje é simples e direta: queremos realmente a santidade? Como está o nosso apostolado? Como está a nossa confiança de filhos? Levamos Cristo aos ambientes onde vivemos? Procuramos fazer crescer a obra de Deus no coração das pessoas?

Talvez pensemos que a santidade seja para poucos. São Josemaria responde: é para todos. Talvez achemos que o trabalho nos afasta de Deus. Ele responde: o trabalho pode ser caminho para Deus. Talvez sintamos medo da missão. Ele responde: lançai as redes, avançai para águas mais profundas — o milagre é de Cristo.

Peçamos hoje a graça de viver essa santidade simples e profunda: santificar o nosso trabalho, transformar o cotidiano em oração e viver como filhos amados de Deus.

Lancemos, pois, as redes da Palavra de Deus com coragem nesse mar que é o nosso mundo. E procuremos terminar cada dia com o mesmo desejo que ardia no coração de São Josemaria: “Senhor, não sei o que dizer de mim mesmo; hoje eu só pensei nos outros, por amor a Ti.”

Que São Josemaria interceda por nós e nos ensine a transformar a vida comum em vida santa, o trabalho em oração, a cruz em amor e cada dia em caminho seguro para Deus. Amém.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *