Sábado da 7ª Semana da Páscoa – Mons. Paulo Daher

Sábado da 7ª Semana da Páscoa

Em Atos 28, 16-20.30-31, Paulo está em Roma, em casa, guardado por soldados. Convoca judeus e conta o que acontecera há pouco entre ele e os judeus da Palestina. Então pedem que ele fale sobre o que tem a dizer. Explicou tudo sobre Jesus. Uns aceitam outros não. Paulo lembra Isaías que dizia sobre o coração duro de alguns. Paulo ficou dois anos ali. Recebia a todos os que o vinham procurar. Falava sobre o reino de Deus e ensinava tudo sobre Jesus.

Até em sua prisão em Roma Paulo continua a falar de Jesus.

O verdadeiro apóstolo respira em todos os momentos sua fé contagiante.

Paulo não sossega. Parece que sente sempre dentro dele um fogo que não consegue conter. É a característica do verdadeiro apóstolo, do seguidor de Cristo que tem aceso dentro de si o fogo do Espírito Santo.

Em geral o que todos temos é primeiro a curiosidade de saber das novidades, é como uma coceira que não para. O segundo é: sabendo de uma novidade que poucos sabem, queremos logo passar adiante.

Essa “qualidade” ou impulso irreprimível, torna-se pelo fogo do Espírito Santo um propulsor também incontido no apóstolo ou no cristão fervoroso, de fazer com que todos conheçam Jesus, tornem-se seu amigo, possam ser curados da ignorância que impede realizar uma vida feliz.

Observando S. Paulo podemos entender o porquê de tantos santos que se dedicavam ao reino de Deus, indo incansáveis ao encontro das pessoas. Nada é obstáculo.

Aliás estava pensando: o que parece para alguns cansaços o trabalho apostólico, para o enamorado de Cristo, é razão de sua alegria de viver, da felicidade que nada neste mundo pode nos dar.

Também não precisa ir muito longe. Um pai ou uma mãe que cuidam de seus filhos pequenos, cada dia tem razões para lutar pela alegria e felicidade deles.

A saúde, o carinho, as respostas do dia a dia, parece que estão construindo algo que está dando certo. Nem pensam no cansaço, depois de um dia trabalhoso, ao acolher o abraço amoroso e sincero, o entregar-se confiante dos filhos…

As crianças são sempre espelhos do amor de Deus. A ponto de os evangelhos destacarem o carinho que Jesus tinha para com elas…

Em João 21, 20-25, Pedro ouve Jesus falar para segui-lo. Pedro vê João que os seguia e pergunta: e ele? E Jesus: o que te importa, se que quero que ele fique até que eu venha. Alguns depois pensavam que João não morreria.

João termina aqui o relato de seu evangelho. Pedro pergunta curioso sobre o que aconteceria com João, pois parecia que Jesus teria afirmado que ele, João, ficaria para sempre(?).

João fecha seu evangelho afirmando que escreveu muito sobre Jesus, mas que haveria muito mais coisas a escrever…

Nós nos admiramos com certas passagens da vida pública (três últimos anos) de Jesus, porque uma boa parte dos evangelistas assinalam que Jesus falou para uma multidão de pessoas. Mas não é apresentado o que Cristo falou.

Nossa religião, pela sabedoria que recebe do Espírito Santo, afirma que há verdades da fé cristã e mesmo católicas, que não encontramos assim tão explícitas na Palavra de Deus. E a Igreja Católica nos apresenta além da Palavra de Deus o que ela chama de Tradição. Esta é a fé transmitida e vivida pelos cristãos desde os primeiros séculos. E elas são apresentadas pelos chamados Santos Padres dos primeiros séculos

São santos bispos, sacerdotes e mesmo leigos que receberam oralmente, pela pregação da Palavra de Deus, muitos ensinamentos que não estão claramente apresentados nos evangelhos. Mas verdades fundamentais de nossa fé.

Infelizmente a maioria de nossos irmãos “evangélicos” só se prendem à Bíblia como única fonte das verdades da fé.

Se pensarmos melhor: a Bíblia completa, principalmente a parte do Antigo Testamento, como a temos hoje, foi elaborada em muitos séculos antes e depois de Cristo (muitas vezes em papiros ou couros curtidos) colhendo as “tradições” orais do povo de Deus. Não havia imprensa, nem papel, o que surgiu mais facilmente lá pelos séculos 12 ou 13 (anos 1.000, 1.200), quando se reuniram as tradições escritas (nem sempre completas!) e orais do povo.

O cuidado foi muito sério. Explico rapidamente.

A começar dos evangelhos e cartas dos apóstolos, os que tomavam contato com as comunidades que tinham cópias (à mão, é claro) ficavam lá um tempo e copiavam. Em torno dos bispos, reuniam-se os “poucos” que sabiam ler e escrever e reproduziam os textos. Foi assim que se iniciaram as “escolas” para aprender a ler e escrever para copiar a Palavra de Deus e enviar ou levar para outras comunidades.

Por isso hoje temos uma coleção imensa dos chamados “códices” que são escritos recolhidos no mundo inteiro e com eles, porque eram cópias de várias pessoas de muitos lugares, podemos ter o texto mais fiel.

Foi trabalho em sua grande parte da Igreja Católica!

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Monsenhor Paulo Daher

É natural de Salvador, Bahia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1931, adotou Petrópolis por sua terra, onde exerceu várias funções como padre e atualmente era Vigário Geral. Em 1970, recebeu do Papa Paulo VI o título de Cônego e em 1980, o título de monsenhor do Papa João Paulo II.

Ordenado sacerdote em março de 1955, continuou em Roma até setembro do mesmo ano, quando retornou a Diocese. Ao chegar, iniciou seu ministério sacerdotal ajudando na Catedral. No ano seguinte, 1956, foi nomeado pelo Bispo, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra para trabalhar no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, onde ficou por 11 anos. No Seminário foi diretor espiritual e professor, contribuindo com a formação dos novos padres.

Em 1967, também por nomeação de Dom Cintra, assumiu como Pároco da Catedral, onde ficou por 19 anos. Durante este período desenvolveu vários trabalhos pastorais nas comunidades da paróquia e teve participação em outros movimentos e eventos na cidade, como no Grupo Ação, Justiça e Paz, onde foi eleito secretário no ano de 1979, deixando o cargo em março de 1980, quando foi eleita nova diretoria.

Monsenhor Paulo Daher durante toda sua vida sacerdotal exerceu com zelo todos os serviços que lhe foram confiados, mas sempre dedicou seu tempo e entusiasmo ao anúncio do Evangelho, através da orientação espiritual de diversas pastorais e movimentos, entre eles a Catequese, Pastoral Familiar, Equipes de Nossa Senhora, Renovação Carismática Católica, Legião de Maria e os fiéis, através da orientação espiritual e confissão.

Com total dedicação, monsenhor Paulo foi professor da Universidade Católica de Petrópolis durante mais de 30 anos e ainda nos últimos anos era orientador e capelão do Colégio Santa Isabel. Como Coordenador Diocesano das Pastorais, cargo que exerceu por muitos anos, monsenhor Paulo Daher teve um carinho especial na participação dos leigos, dando-lhes espaço e apoio para que possam exercer o serviço que lhes fora confiado.

Uma das preocupações de Monsenhor Paulo Daher é com a formação dos leigos, seja através da catequese ou cursos e encontros e para ajudá-los, escreveu diversos livros de formação teológica e catequese, mas com uma linguagem acessível a qualquer pessoa. Estes livros, com edições alternativas e limitadas são utilizados ainda hoje, principalmente na formação das catequistas.

Monsenhor Daher foi Administrador Diocesano, de janeiro a desembro de 2012 até a posse de Dom Gregório Paixão, OSV, no dia 16 de dezembro de 2012.

Uma de suas paixões foi a educação e por isso exerceu com total zelo o cargo de assessor eclesiástico da Pastoral da Educação, dedicando-se as escolas paroquiais. Nos últimos anos de sua vida, conseguiu realizar um de seus sonhos, criar uma escola de formação musical para as crianças e adolescentes das comunidades carentes de Petrópolis, alunos da rede pública de educação. A instituição ficou denominada Espaço Artístico Monsenhor Paulo Daher.

Monsenhor Paulo Daher faleceu em 30 de março de 2019

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