Diocese, Notícias › 29/04/2021

Quarenta horas de adoração ao Santíssimo na Comunidade Mater Dolorosa

Com objetivo de contribuir para que os fiéis possam adorar ao Senhor, vivo e presente na Eucaristia, e ao mesmo resgatando uma antiga tradição, a Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém promove as 40 horas de Adoração ao Santíssimo Sacramento, recordando assim as 40 horas em que Nosso Senhor Jesus Cristo esteve no sepulcro. Devido a pandemia, causada pela Covid-19, a Comunidade passou a disponibilizar a adoração pelos meios on-line em todas as suas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e Youtube. Neste tempo de pandemia a Adoração não está aberta ao público devido as restrições, mas sem aglomerações é possível.

Com a transmissão on-line, qualquer pessoa pode participar de sua casa e até mesmo do trabalho ou em outro local onde estiver. Os turnos são divididos por todos aqueles que desejam participar e reza-se por uma intenção em particular. A Comunidade inicia às 40 horas todas as quartas-feiras às 22h com intervalo entre a Santa Missa que ocorre diariamente às 7h e o Núcleo de oração que ocorre na quinta-feira às 19h30, encerramos a adoração na sexta-feira às 15h. A Adoração acontece em Nossa Capela dedicada a Exaltação da Santa Cruz na Casa Sede da CMDJ, que fica na sede da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém (Rua Dr. Agostinho Goulão, 1211 – Corrêas, Petrópolis, Telefone: (24) 2221-1793).

A Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém já realiza as 40 horas de Adoração a muitos anos e tem o privilégio de ver e experimentar as maravilhas de Deus na vida de seus membros, vocacionados, amigos e benfeitores. Pois a Eucaristia é a fonte da vida cristã. Durante essas horas somos convidados a viver a Adoração aos Santíssimo sacramento em profundo silêncio e não esquecendo de rezar pelas intenções dos Sumo Pontífice, das igrejas locais e pelos sofredores, agonizantes e pelas almas dos fiéis defuntos.

As 40 horas é uma forma de expressar ao mundo a vivência de sua espiritualidade e o carisma da CMDJ. A Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém, por seu carisma, quer estar com Maria aos pés da Cruz pela redenção da humanidade. Assim como Maria no Calvário assume a Igreja como Mãe educadora, a Comunidade quer acolher os membros e a todos os que forem atraídos à ela, por Maria, oferecendo um caminho que leve à maturidade de Cristo.

O povo do Calvário, são chamados a viver em profunda união de amor com o Senhor Crucificado, a exemplo da Virgem Dolorosa que está, de pé, junto ao seu Filho na Cruz, para que a vida, entregue em oblação ao Pai, pelos méritos de Jesus Crucificado, possa alcançar o maior número possível de almas para saciar a sede de Jesus na Cruz. A vida de um membro da Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém precisa ser marcada pelo mistério da Cruz que é amor ao Pai até o esquecimento de si próprio e zelo por sua glória. A Cruz de Jesus e a presença de Nossa Senhora aos seus pés nos convidam a fazer de Jesus o Senhor, submetendo tudo a Ele, vivendo para Ele e para os irmãos. A Cruz é modelo de vida, escola de vida, fonte de vida e de graça.

 Origem da Devoção das 40 Horas

A origem dela não é clara, em termos de precisão de tempo. Enquanto alguns a colocam no século XIII em Roma, outros a colocam no século XVI em Milão. A iniciativa romana deu a ela um caráter expiatório pelos pecados da humanidade, lembrando o tempo aproximado de quarenta horas que Cristo permaneceu desde sua morte na cruz, na Sexta-feira Santa, até que ressuscitar na madrugada do terceiro dia, Domingo de Páscoa. Aparentemente, aquela iniciativa não passou dali.

Os que situam a origem dessa prática em Milão, durante o primeiro terço do século XVI, partem das amostras de devoção à Eucaristia, em torno da corrente da reforma espiritual dentro da Igreja, que abarcava o alto e baixo clero, os mosteiros e os leigos.

Teve seus momentos mais importantes entre os anos de 1527 e 1537. Foi nessa ocasião, quando, realmente, as Quarenta Horas se transformaram em prática de devoção popular, enraizando-se entre o povo, e abrindo seu caminho até receber a aprovação de alguns Prelados Diocesanos, e mais dos Romanos Pontífices.

Teve uma notável influência neste movimento, renovador, a Venerável Arcângela Panigarola, Monja Agostiniana do Mosteiro de Santa Marta, da cidade de Milão. Foi uma alma carismática, dotada de altos dons sobrenaturais. Várias vezes Priora e Mestra de Noviças, escrevem os historiadores da época escrevem que teve revelações extraordinárias, para renovação da vida cristã, em virtude da qual ela fundou o Cenáculo da Eterna Sabedoria, em seu próprio mosteiro, onde se reuniam para orar diante do Tabernáculo. Ela morreu com fama de santidade, em 17 de janeiro de 1525.

O Pe. Juan Antonio Bellotti, “Comendatário” da Abadia de San Antonio de Grenoble, diretor espiritual da Serva de Deus, escreveu sua biografia, e nela descreve as numerosas graças de que foi objeto. Ele mesmo participou ativamente naquele Cenáculo da Eterna Sabedoria, lugar de oração eucarística.

Santo Antônio Maria Zacaria alude em um sermão, à profecia da Soror Arcângela, segundo a qual a Eterna Sabedoria havia suscitado “novos ministros que, com seu esforço apostólico e com a exemplariedade de suas vidas, haviam revitalizado a disciplina dos eclesiásticos e dos costumes do povo”. O santo sente uma íntima satisfação, ao ver cumprida em parte essa profecia, e, com isso, estimula seus companheiros a seguir a renovação espiritual sem desalento.

Nesse contexto, renasce com força o culto eucarístico das Quarenta Horas, no qual tomam parte ativa algumas das pessoas indicadas como promotoras desta forma de adoração e contemplação da Eucaristia.

Pelo visto, o iniciador foi o mencionado Juan Antonio Bellotti, célebre pregador, enviado por Santa Joana de Valois, irmã do rei da França Carlos VIII, para colocar a paz entre os soldados e o povo milanês.

Vários autores consideram Bellotti como Religioso Agostiniano. Talvez por sua relação com o Mosteiro das Agostinas de Santa Marta, e à direção espiritual que brindava à venerável Arcangela.

Bellotii começou por atrair os fiéis mais fervorosos da Eterna Sabedoria ao Cenáculo animado pela Monja Agostiniana, amante da Eucaristia. Refere em sua biografia que esta Venerável Monja via Jesus na Santa Hóstia e a chamava para ir até ele.

A oração do grupo que formava o Cenáculo, se concentrava em Cristo Crucificado, Ressuscitado e presente no Sacrário, como também no Apostolado dos Sagrados Corações Unidos de Jesus e Maria.

No ano de 1527, enquanto Bellotti pregava a Quaresma, contam que recomendou aos seus ouvintes, permanecer quarenta horas seguidas diante do Santíssimo Sacramento para suplicar a Deus pela cessação da guerra.

Em vista da generosa resposta dos fiéis, o exercício foi repetido mais quatro vezes durante aquele ano: na Páscoa, Pentecostes, Assunção e Natal. Nos anos seguintes, o mesmo foi feito na catedral e nas paróquias de Milão.

Por aqueles anos, entrava em Milão, Santo Antônio Maria Zacaria, o enamorado do Crucifixo e da Eucaristia. (É importante referir que assim se revela a Manuel de Jesus, como o Sagrado Coração Eucarístico:Crucificado e mostrando seu Coração dentro da Santa Hóstia), o Santo Antônio Zacaria chamava ao Santíssimo Sacramento de Crucifixo vivo, animado por seu grande espírito renovador.

O santo fundador dos Barnabitas, ou Ordem dos Clérigos Regulares de São Paulo e das religiosas Angélicas de São Paulo, tomou das mãos de Bellotti, o que este cultivou e fomentou entre pequenos grupos mais fervorosos. Antonio Maria deu-lhe forma mais solene e o estendeu a todos os fiéis.

“A partir do mês de maio daquele ano, ele consegue que a prática das Quarenta Horas se faça solenemente, por turnos, em todas as igrejas da cidade”.

Na mesma linha trabalharam, desde aquele ano de 1537, Frey Bono e o frade capuchinho José Piantanida de Fermo, e mais tarde São Carlos Borromeo, que estabeleceu a prática das Quarenta Horas em toda sua diocese, por meio de uma legislação sancionada por normas emanadas de sínodos diocesanos.

No sínodo de 1565, dá umas orientações “para a oração, que chamam das Quarenta Horas diante do Santíssimo Sacramento, às quais o povo muito frequentemente costuma ir, por sua piedade e religião”.

Em Roma, a introduz e fomenta São Felipe Neri, que as celebrou pela primeira vez por volta de 1550, na Igreja da Santíssima Trindade dos Peregrinos. Em 30 de novembro de 1539, com a Bula Dominus Noster, o Papa Paulo III aprova esta e outras Confrarias em torno do Corpo e Sangue de Cristo para toda a Igreja.

Outros Papas a aplaudiram, enriquecendo-as com graças e indulgências. Mas seria Clemente VIII quem, por meio da Constituição Graves Diuturnae, de 25 de novembro de 1592, estabeleceria uma normalização institucionalizada, do que o documento chama de piedosa e saudável oração das Quarenta Horas.

Dispõe que se estabeleçam turnos de vários dias em todas as Igrejas da cidade, de tal maneira, que dia e noite se mantenha a oração diante do Senhor sem interrupção.

No início, a finalidade imediata das Quarenta Horas era reafirmar a fé na presença real de Cristo na Eucaristia, diante da atitude irreverente de alguns, sobretudo dos Protestantes, na primeira metade do século XVI. Logo procurou-se, então, reparar as profanações de alguns setores, e os esquecimentos ou menosprezo entre muitos cristãos, de que foi objeto o “Sacramento do altar”.

Fomentar a renovação da vida cristã e, com isto, superar o relaxamento dos costumes, foi outro dos fins desta prática. Também foi procurado pelos fiéis, contemplar a Sagrada Hóstia, ver as espécies sensíveis sob cujo véu está o Senhor.

O Papa Clemente VIII, em sua constituição de aprovação já citada, declara expressamente como finalidade destes atos de culto “aplacar a ira de Deus provocada pelas ofensas dos cristãos; para compensar os esforços e maquinações dos turcos, inimigos do cristianismo, para sua destruição.” E acrescenta o Santo Padre: “para conseguir a concórdia entre príncipes e governantes cristãos, pela paz entre as nações e pelo próprio Papa.”

O Concílio de Trento reafirma a legitimidade e a necessidade do culto da Eucaristia, tanto na celebração da Missa, como fora dela. Na sessão XIII confirma a aprovação da festa de Corpus Christi e, implicitamente, as Quarenta Horas e outras formas de exposição pública do Santíssimo Sacramento.

Recorda-nos o Vaticano II, que a Eucaristia é fonte e o cume de toda a vida cristã: “Ela aparece como a fonte e o cume de toda evangelização”. Com Santo Agostinho, acrescenta que é “um Sacramento de Piedade, um Sinal de unidade e um Vínculo de caridade”. Em consequência, se vai ao seu encontro pela oração e contemplação; pelo louvor e pela súplica. Enfim, vai-se render-lhe culto de adoração.

Com razão, Santo Antonio Maria Zacaria unia o sacrifício do Crucifixo com a exposição da Eucaristia. O culto da Eucaristia é levar o homem ao Crucifixo Vivo; ao Mistério Pascal de Cristo.

O crucificado e a Eucaristia, para Antonio Maria, estão intimamente ligados a todo processo de conversão, ou seja, a uma renovação da vida. Daí que se ponha todo o seu afinco em viver na contemplação de Cristo no Sacrário, ou exposto em custódia durante as Quarenta Horas.

Tais expressões, diante da Eucaristia, nos diz São João Paulo II: está dirigida a Deus Pai, por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo.

Esse culto deve encher nossas igrejas, inclusive fora das Missas, porque foi instituído por amor, e nos faz presentes a Cristo, Digno de ação de graças e culto. Por isso, acrescenta que a adoração a Cristo neste Sacramento deve encontrar expressão adequada em diversas formas de devoção, entre elas as Quarenta Horas.

Tendo em conta as atuais normas gerais, podemos ver alguns exemplos de como ela sobrevive e floresce, em meio a outras expressões, talvez mais amplas, quais são a festa de Corpus Christi com suas solenes procissões; Adoração Noturna e Diurna, as Quintas-feiras Eucarísticas, adoração perpétua de muitas comunidades, como o Sagrado coração Eucarístico de Jesus, em diversos chamados de Amor e de Conversão, se expressou a Manuel de Jesus, que o Apostolado dos Sagrados Corações Unidos é uma Obra dedicada também à adoração permanente ao Santíssimo Sacramento.

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