Padre Godofredo Bicalho Resende

Padre Godofredo Bicalho Resende faleceu na noite de 17 de outubro de 2016, em Petrópolis (RJ), no Hospital São Lucas, após um período de saúde fragilizada pela idade. Tinha 92 anos, segundo o registro civil, embora familiares afirmem que tenha nascido em 1920. O velório foi realizado no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, a partir das 9h30, com Missa de Corpo Presente às 14h, seguida do sepultamento no Cemitério Municipal de Petrópolis.

Nascido oficialmente em 24 de novembro de 1923, em Passa-Tempo (MG), filho de Godofredo Lara Resende e Maria do Carmo Bicalho Resende, Padre Godofredo foi um dos sete irmãos de uma família simples e profundamente religiosa. Sua certidão de batismo, datada de 1922, e a memória dos parentes indicam que ele teria vindo ao mundo em 1920, o que o tornaria ainda mais longevo em seu ministério.

Por volta dos 12 anos, ingressou no Seminário Salesiano, em São Paulo, onde fez o noviciado. Estudou Filosofia por um ano em Lavrinhas e dois anos em Lorena. Entre o término da Filosofia e o início da Teologia, professou os votos perpétuos e atuou como professor por três anos em Jaciguá (ES). De volta a São Paulo, concluiu os estudos de Teologia, recebendo a ordenação diaconal em 1950 e, no ano seguinte, a ordenação presbiteral, em 8 de dezembro de 1951, na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Bom Retiro.

Logo após a ordenação, retornou a Jaciguá como reitor do seminário onde estudara, função que exerceu por quatro anos, acumulando também, por três anos, a direção do colégio da cidade. Nesse período, construiu um novo seminário e uma igreja, marcando desde cedo seu perfil de missionário construtor.

Depois foi enviado para São João del-Rei (MG), para a Escola Padre Sacramento, então orfanato, onde permaneceu por quatro anos. Ali reformou um pavilhão do seminário, construiu outro e ergueu mais uma igreja. Em seguida, foi enviado a Brasília, onde construiu o Santuário Dom Bosco, uma das igrejas mais famosas da capital federal e até hoje ponto de visita obrigatória para turistas e peregrinos.

No Rio de Janeiro, atuou em Engenho Novo como professor e, ao mesmo tempo, cursou três faculdades: Direito (Universidade do Catete), Psicologia (Universidade Gama Filho) e Orientação Pedagógica (Universidade Santa Úrsula). Essa formação ampla o ajudou no atendimento de confissões, na docência e até na elaboração de processos judiciais em defesa de fiéis que o procuravam precisando de auxílio. Nesse período, deu apoio intenso à paróquia local, celebrando cerca de 4 mil casamentos em aproximadamente três anos, já que muitos casais escolhiam aquela igreja pelas condições favoráveis à celebração dos matrimônios.

Em seguida, passou dois anos na Igreja Santa Teresinha, no Túnel Novo, e depois foi enviado à paróquia de Guaratiba, onde reconstruiu uma capela em um quartel e uma igreja no alto de um morro. Serviu ainda na Igreja Nossa Senhora de Copacabana, por um ano, e na região do Leblon, onde permaneceu cerca de dois anos. Posteriormente, foi para o Largo do Machado, onde morou por nove anos. Nesse período sofreu um acidente, fraturando a perna e permanecendo hospitalizado por cerca de três meses. Depois foi enviado a um orfanato, onde continuou o serviço pastoral mesmo enfrentando sérios problemas de saúde: pneumonia, suspeita de câncer, cirurgia no pulmão e, em pouco tempo, outra cirurgia por fratura de fêmur.

Transferência para Petrópolis e ministério diocesano

Durante o tratamento e já em fase de recuperação, Padre Godofredo transferiu-se para a Diocese de Petrópolis. Passou a residir em um apartamento próximo à Catedral São Pedro de Alcântara, onde viveu por cerca de nove anos. Nessa época, celebrava a missa em um colégio de religiosas próximo de sua casa.

Em 2006, foi convidado pelo Padre Claudiney de Mello para auxiliar como vigário paroquial na Paróquia São José e São Charbel, em Pessegueiros, Teresópolis, passando a morar junto à Igreja de São José, em Água Quente. Exerceu por sete anos seu ministério pastoral nas comunidades de São José (onde residiu), São Pedro e São Paulo e Serra do Capim, sempre com grande proximidade ao povo.

Ao longo da vida, foi conhecido como sacerdote trabalhador e incansável. Ele próprio dirigia tratores nas obras que coordenava e se responsabilizava por conseguir os recursos financeiros para muitas das construções: seminários, pavilhões, igrejas, capelas. Em 2001, celebrou seu Jubileu de Ouro Sacerdotal (50 anos de ordenação) em sua cidade natal, Passa-Tempo, momento de grande alegria para a família e para a comunidade que o viu nascer.

Nos últimos anos, devido à idade avançada e aos problemas de saúde, residia no Lar São João de Deus, em Itaipava (Petrópolis), onde recebia cuidados e continuava, na medida do possível, a exercer seu ministério com a oração e a presença junto aos demais residentes.

Legado

Com sua morte, em 17 de outubro de 2016, a Diocese de Petrópolis e a Igreja no Brasil se despedem de um sacerdote cuja vida foi marcada pela missão, pelo estudo, pela construção de espaços de fé e pela proximidade com o povo. De Jaciguá a São João del-Rei, de Brasília ao Rio de Janeiro, de Petrópolis a Teresópolis, Padre Godofredo deixou sinais concretos de seu trabalho: igrejas, seminários, pavilhões, mas sobretudo comunidades vivas, pessoas atendidas, casamentos celebrados, fiéis defendidos e vocações encorajadas.

Sua trajetória permanece como testemunho de um sacerdote que uniu espiritualidade, inteligência, coragem e disposição para servir, até que a idade e a saúde o levaram ao recolhimento. Agora, aqueles que o conheceram creem que aquele que tanto se dedicou à Igreja e às pessoas foi acolhido por Deus no descanso eterno, depois de uma vida inteira entregue ao serviço do Evangelho.