Monsenhor Mário Corrêa Ferreira

Monsenhor Mário Corrêa Ferreira faleceu em 28 de agosto de 2007, em Petrópolis (RJ), aos 87 anos, deixando um legado marcante como sacerdote, professor, chanceler e cuidador atento da história e dos documentos da Diocese de Petrópolis. Nos últimos anos de vida, residiu no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, onde foi celebrada a missa de corpo presente; seu sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Petrópolis.

Nascido em 11 de maio de 1920, na cidade do Rio de Janeiro, ingressou em 1934 no Seminário Arquidiocesano de São José, concluindo o seminário menor em 1938. No ano seguinte, foi para São Paulo, onde cursou Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição, no Ipiranga. Foi ordenado sacerdote em 1º de dezembro de 1946, na Catedral do Rio de Janeiro, pelo Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara.

Na Arquidiocese do Rio de Janeiro, desempenhou diversas funções como pároco, vigário paroquial e professor do seminário até 1951, quando, por motivos de saúde, pediu licença para buscar um clima mais favorável. Nesse mesmo ano, escolheu a recém-criada Diocese de Petrópolis, então sob a direção de Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, para continuar seu ministério.

Ministério em Petrópolis

Na Diocese de Petrópolis, Monsenhor Mário exerceu múltiplos encargos pastorais e administrativos:

  • Vigário paroquial da Paróquia de Itaipava, em Petrópolis (nomeado em 1952);
  • Administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Bemposta, Três Rios (nomeado em 1953);
  • Capelão do Sanatório Infantil São Miguel, em Nogueira, função que desempenhou por cerca de 30 anos;
  • Chanceler da Cúria Diocesana de Petrópolis (nomeado em novembro de 1959);
  • Chanceler Emérito da Diocese de Petrópolis (nomeado em 14 de dezembro de 2004).

Sua atuação como chanceler foi decisiva para a preservação da memória da Diocese. Durante décadas, cuidou com rigor e carinho dos documentos oficiais, arquivos, registros e publicações, sempre consciente de sua importância para a história da Igreja local.

Revista Ação e serviço à cultura

Entre 1953 e 1984, Monsenhor Mário foi um dos principais redatores da Revista Ação, órgão oficial da Diocese. Encadernou todos os números da publicação e zelou por sua conservação, compreendendo que ali se registrava a vida pastoral, cultural e espiritual da Igreja em Petrópolis.

Quando a revista voltou a ser publicada em 2005, escreveu um editorial resgatando sua história e sublinhando sua relevância para a Diocese. Sua sensibilidade histórica o fazia ver, nos textos e documentos, não apenas informações, mas o testemunho vivo da caminhada do povo de Deus. Por isso, segundo quem o conheceu, certamente não ficaria feliz em saber que a revista deixou de ser editada.

Títulos e reconhecimento

Pelo zelo e pela dedicação ao ministério, recebeu diversos títulos honoríficos:

  • Cônego Honorário da Catedral de Petrópolis (nomeado em maio de 1958, recebendo as insígnias em 29 de junho daquele ano);
  • Monsenhor – Prelado de Honra de Sua Santidade, título concedido pelo Papa Paulo VI em dezembro de 1970, por ocasião de seus 25 anos de sacerdócio.

Em março de 1978, foi convidado pelo reitor do Seminário, Padre Jorge Facchin, para lecionar; exerceu a função de professor até 1990, tornando-se formador de gerações de seminaristas. Em 2004, após décadas à frente da chancelaria, foi nomeado Chanceler Emérito por Dom Filippo Santoro, então bispo de Petrópolis.

Memória viva no Seminário

Depois de seu falecimento, o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino manteve viva a memória de Monsenhor Mário. Em 11 de maio, dia em que completaria 100 anos, foi celebrada missa presidida pelo reitor, Padre Luiz Henrique Veridiano, recordando o sacerdote que dedicou boa parte de seu ministério à preservação da história da Diocese.

Na celebração, o ex-seminarista Rogério Lima relembrou a convivência com o monsenhor: contou que, em uma noite cultural, Monsenhor Mário organizou atividades para cada seminarista e o convidou a declamar uma poesia, incentivando-o e acreditando em sua capacidade. Rogério afirmou não ter dúvidas de que ele era “um exemplo de sacerdote”, destacando a importância de manter viva sua lembrança.

O bispo diocesano à época de seu falecimento, Dom Filippo Santoro (hoje arcebispo emérito em Taranto, Itália), declarou: “A Diocese perdeu um grande sacerdote, que além do anúncio do Evangelho, da preocupação com o povo de Deus, também dedicou parte da sua vida sacerdotal ao cuidado com os documentos e a história da Igreja em Petrópolis”.

Legado

Monsenhor Mário Corrêa Ferreira permanece na memória da Diocese de Petrópolis como sacerdote culto, discreto e profundamente fiel. Pastor, professor, redator, chanceler, capelão, foi, sobretudo, guardião da história e da identidade da Igreja local.

Seu legado está nos arquivos que preservou, na Revista Ação que ajudou a construir, nos seminaristas que formou, nas crianças assistidas no Sanatório São Miguel, nas comunidades de Itaipava e Bemposta que acompanhou e na certeza de que a história da Diocese foi cuidadosamente registrada graças ao seu trabalho silencioso e perseverante.

Ao lembrar sua vida, a Igreja reconhece nele um sacerdote que compreendeu que evangelizar também é conservar a memória, registrar os passos, valorizar as pessoas e os acontecimentos, para que o testemunho de fé das comunidades não se perca no tempo.