Monsenhor Francisco Gentil da Costa

Monsenhor Francisco Gentil da Costa faleceu em 2 de abril de 1982, em Petrópolis (RJ), aos 83 anos, deixando um legado profundamente ligado à vida eucarística, à organização da Igreja local e à criação da Diocese de Petrópolis. Nascido em 5 de setembro de 1898, em Parati (RJ), foi ordenado sacerdote em 24 de setembro de 1921, na Arquidiocese de Niterói, iniciando uma trajetória que faria dele uma das figuras centrais da história religiosa petropolitana.

Em 1924, passou a servir como secretário do Bispado de Niterói. No dia 2 de setembro de 1928, foi nomeado vigário de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, assumindo a principal paróquia da cidade ainda vinculada à Arquidiocese de Niterói. Em 3 de setembro de 1946, foi nomeado vigário geral da recém-criada Diocese de Petrópolis e, com a posse do primeiro bispo, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, teve seu papel confirmado: em 30 de maio de 1948, recebeu oficialmente o encargo de Vigário-Geral da Diocese, que exerceu com dedicação até o fim da vida.

Ao longo desse período, Monsenhor Gentil empreendeu diversas iniciativas pastorais e estruturais. Entre elas, destaca-se a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, obra concluída em 30 de abril de 1978 e elevada à condição de paróquia em agosto de 1980. A igreja, situada no bairro do Rosário, tornou-se símbolo de sua atuação e de seu desejo de fortalecer a presença da Igreja entre o povo.

No campo da fé e da pastoral, seu trabalho ultrapassou fronteiras paroquiais. Foi responsável pela orientação espiritual de grande número de fiéis – crianças, jovens e adultos – e por coordenar importantes momentos da vida eucarística da cidade. Dois grandes congressos eucarísticos ocorreram em Petrópolis com sua liderança.

O primeiro Congresso Eucarístico realizou-se em maio de 1943, quando a cidade ainda pertencia à Arquidiocese de Niterói, em comemoração ao centenário de Petrópolis. Teve como tema “O pão dos anjos – pão dos homens, a Eucaristia e a sociedade cristã”. O segundo, já diocesano, aconteceu em maio de 1955, na Diocese de Petrópolis. Em ambos, Monsenhor Gentil se destacou pela capacidade de envolver toda a sociedade petropolitana, levando paroquianos, autoridades e cidadãos a participar ativamente das celebrações.

Na inauguração dos trabalhos do Secretariado do Congresso de 1943, sua visão espiritual ficou registrada no discurso que pronunciou:

“Quem há de inspirar também o trabalho da colheita desta messe promissora, arrastando assim todas as almas aos pés de Nosso Senhor Eucarístico e convencendo os nossos paroquianos de que só há uma solução para os grandes problemas sociais da vida – a Eucaristia! E só há uma solução para que reine Nosso Senhor nas almas e na sociedade – a comunhão frequente e quotidiana! Este é o fruto que queremos obter do Congresso.”

Esse entusiasmo se manteve no Congresso Eucarístico Diocesano de 1955, quando, em entrevista à imprensa, sublinhou o papel peregrino de Nossa Senhora do Amor Divino no evento: “Depois de percorrer todas as paróquias, Nossa Senhora do Amor Divino, a primeira peregrina do Congresso”.

Além de seu papel no fortalecimento da vida eucarística, Monsenhor Gentil foi figura fundamental na campanha que levou à criação e consolidação da Diocese de Petrópolis, cujo impulso inicial remonta justamente ao período pós-Congresso Eucarístico de 1943.

Memória e homenagem

Décadas após sua morte, a memória de Monsenhor Francisco Gentil continua viva na comunidade do Rosário. No dia 7 de setembro, com a presença de familiares e pessoas que conviveram com ele, foi inaugurado um memorial dedicado ao sacerdote dentro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. No local foram depositados seus restos mortais, agora guardados em ambiente de oração e lembrança.

Durante a solenidade, um vídeo preparado pela Escola Paroquial Monsenhor Gentil foi apresentado, narrando a história da instituição e a influência do sacerdote em sua criação. O pároco do Rosário, Padre Luiz Mello, destacou a alegria em homenageá-lo, ressaltando sua atuação tanto nas áreas espirituais quanto sociais. Ele confessou que conhecia pouco a história da igreja e, ao pesquisar, ficou encantado ao perceber o quanto a vida de Monsenhor Gentil estava ligada à construção do templo e à própria história da Diocese de Petrópolis.

Os familiares manifestaram grande emoção, como o sobrinho-neto José Paulo Miranda, então com 79 anos, que não conteve as lágrimas ao recordar seus últimos momentos de convivência com o tio, agora oficialmente reconhecido pela comunidade como figura histórica e espiritual de referência.

Legado

Monsenhor Francisco Gentil da Costa é lembrado como sacerdote de intensa devoção eucarística, organizador incansável, pastor atento e articulador de grandes momentos da fé na cidade. Seu nome permanece ligado à Catedral de São Pedro de Alcântara, à Igreja do Rosário, aos congressos eucarísticos e à campanha que culminou na criação da Diocese.

Com seu falecimento, em 2 de abril de 1982, Petrópolis se despediu de um dos grandes construtores de sua identidade religiosa. Seu legado, porém, permanece vivo no templo que ergueu, nas estruturas diocesanas que ajudou a consolidar, nas palavras que pronunciou em defesa da Eucaristia como resposta às grandes questões sociais e na fé do povo que continua a recordar, com gratidão, o “Monsenhor Gentil” que marcou a história da cidade e da Igreja local.