Monsenhor José Caiuby Crescenti faleceu no dia 28 de abril de 2012, aos 81 anos, em Santos (SP), vítima de infarto agudo do miocárdio e choque cardiogênico. Sacerdote de sólida formação intelectual e longa trajetória pastoral, destacou-se pelo serviço à Igreja em diversas dioceses, pela atuação nos tribunais eclesiásticos e pela dedicação ao ensino e à liturgia.
Nascido em 12 de junho de 1930, em Rio Claro, distrito de Piracicaba (SP), era filho de Pedro Crescenti e Helena Caiuby Crescenti. Em agosto de 1934, mudou-se com a família para Santos, cidade que se tornaria referência em sua vida e ministério. Aos 12 anos, ingressou no Seminário Diocesano de Campinas, onde iniciou seus estudos filosóficos, preparando-se para o sacerdócio.
Prosseguiu a formação na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, onde concluiu o mestrado em Teologia em 1953. No dia 5 de julho do mesmo ano, foi ordenado presbítero na Basílica dos Santos Doze Apóstolos, em Roma, pelas mãos de Monsenhor Luigi Traglia, então arcebispo vice-gerente da Diocese de Roma. Em junho de 1955, concluiu o mestrado em Direito Canônico na mesma universidade e, em seguida, retornou ao Brasil, iniciando intensa atividade pastoral e acadêmica.
Ao longo de sua vida sacerdotal, Monsenhor Crescenti exerceu função de Juiz Instrutor em tribunais eclesiásticos nas dioceses de Santos, São Carlos, Petrópolis e Rio de Janeiro, contribuindo de maneira significativa para a aplicação do Direito Canônico. Também lecionou em diversos centros de formação: Seminário Diocesano de Santos, Seminário Diocesano de São Carlos, Seminário Diocesano de Petrópolis, Universidade Católica de Petrópolis e Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro, formando gerações de sacerdotes e agentes de pastoral.
Em Santos, participou de comissões diocesanas de Liturgia, Arte Sacra e Museu de Arte Sacra, evidenciando seu apreço pela beleza litúrgica e pela preservação do patrimônio religioso. Durante o Concílio Vaticano II, prestou serviço direto à Igreja como secretário particular de Dom Idílio José Soares, então bispo de Santos, acompanhando de perto um dos momentos mais importantes da história recente do catolicismo.
Sua trajetória pastoral é marcada por múltiplos encargos. Foi vice-chanceler (1957) e, em seguida, chanceler da Diocese de Santos (1958–1963), além de reitor da Reitoria São João Batista, em Santos (1959–1963). Atuou em diversas paróquias: São Vicente Mártir (São Vicente), Nossa Senhora das Graças (Praia Grande), Catedral de Santos (como vigário substituto entre 1963 e 1966 e, posteriormente, como pároco). Em 1967, tornou-se pároco da Paróquia São João Batista, em Santos, onde construiu a atual sede paroquial.
Seu serviço foi reconhecido pela Santa Sé: em 1962, recebeu o título de monsenhor do Papa João XXIII; em 1968, foi nomeado Capelão de Sua Santidade pelo Papa Paulo VI. Sempre discreto, manteve seu trabalho pastoral e acadêmico com grande seriedade e disciplina.
Entre 1970 e 1971, foi capelão do Colégio São José, em Santos; de 1972 a 1975, pároco da Igreja do bairro Vila Nery, na Diocese de São Carlos (SP). Em 1976, iniciou uma importante etapa em Petrópolis (RJ): foi vice-reitor e depois pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário (1976–1980), pároco da Igreja São Pio X (1985–1993) e, posteriormente, pároco da Igreja São Charbel (1994–1997). Em paralelo, assumiu encargos diocesanos como diretor espiritual da Escola de Dirigentes dos Cursilhos de Cristandade (nomeado em 1981), assistente dominical da Igreja São Pio X (nomeado em 1985) e da Igreja São Charbel (nomeado em 1994).
Seu interesse pelo Direito Canônico o levou, em 1989, a concluir o doutorado nessa área na Universidade de Navarra, na Espanha, consolidando-se como referência na disciplina no meio eclesial brasileiro.
Entre 2000 e 2009, já de volta à Diocese de Santos, atuou como reitor da Igreja Nossa Senhora do Amparo, em São Vicente, onde foi posteriormente reconhecido como reitor emérito. Em 2009, transferiu-se para a Casa São José do Padre Idoso, em Santos, dedicando seus últimos anos à oração, à convivência com outros sacerdotes e à discreta colaboração com a vida da Igreja.
Internado na Casa de Saúde de Santos desde 23 de abril de 2012, em decorrência de um infarto, foi submetido a procedimento cirúrgico para avaliação cardíaca no dia 25 e tinha cirurgia programada para o dia 28, às 16h. No entanto, veio a falecer naquela manhã, às 7h45, em consequência de infarto agudo do miocárdio e choque cardiogênico.
O velório ocorreu na Igreja São José Operário, no bairro Macuco, em Santos. A missa de corpo presente foi celebrada no sábado, 28 de abril, às 16h, seguida do sepultamento no Cemitério Memorial de Santos, em clima de gratidão e reconhecimento pelo vasto serviço prestado à Igreja.
A vida de Monsenhor José Caiuby Crescenti deixa um legado de fidelidade ao ministério sacerdotal, amor ao estudo e à disciplina teológica, compromisso com a justiça eclesial e profundo zelo pela liturgia e pela formação de clérigos e leigos. Sua memória permanece viva nas dioceses por onde passou, nas instituições que ajudou a construir e nas muitas pessoas que foram acompanhadas por seu ministério e por sua sabedoria.






