Missa no Trono de Fátima com os seminaristas

Com missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Gregório Paixão, OSB, os seminaristas da Diocese de Petrópolis realizaram a peregrinação anual ao Trono de Fátima no mês vocacional (agosto). Aproveitando a presença do bispo, Padre Manoel Gouvêa, responsável pela Capela, reinaugurou o Sacrário, que foi totalmente restaurado e, na sexta-feira, 13 de agosto, recebeu a benção do bispo diocesano.

A peregrinação anual dos seminaristas ao Trono de Fátima acontece sempre em agosto, celebrando e rezando pelas vocações e aproveitam o dia 13, pois todos os meses nesta data é rezado o terço pela Congregação Mariana e celebrada a missa. Os seminaristas foram acompanhados pelo reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, Padre Luiz Henrique Veridiano e pelo vice-reitor Padre Tiago José.

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Também estavam presentes na missa religiosas e membros da Congregação Mariana, além de fiéis devotos de Nossa Senhora de Fátima e que todos os meses acompanham o terço e a missa. É importante lembrar, que, além do dia 13 de cada mês, o Trono de Fátima tem missa sempre no primeiro sábado de cada mês, às 11h e todos os domingos às 15h.

Em sua homilia, Dom Gregório Paixão lembrou que na teologia é estudado as três formas de se manifestar o amor: Eros, Philia e Ágape. Ele lembrou que o amor Eros é o erótico “nasce pelo encantamento daquilo que nós enxergamos. Geralmente esse amor vem pelos sentidos. É aquele amor que nasce pela beleza do outro, pela voz que o outro tem, pela forma como ele se comporta e assim por diante. É o erótico, que não é pecaminoso como nós entendemos, mas é apenas o encantamento pela beleza que está à nossa frente. A beleza inegavelmente nos encanta”.

Continuando na sua reflexão, Dom Gregório fala sobre o amor Philia “que é filial. É aquele amor em que a gente sente que gosta da pessoa, não porque ela tem algum tipo de atrativo, mas, depois de tirarmos todos os interesses que podemos ter pelo outro fica apenas aquilo que é essencial que é uma profunda amizade”.

Por fim, o bispo diocesano fala sobre o amor Ágape.  Ele afirma que este amor é aquele que faz com você chame “para a sua vida a outra pessoa. Chama para fazer parte e sentar-se a sua mesa aquele que é amigo, aquele que é irmão, aquele a quem você deseja não apenas para dividir o alimento, mas que você deseja também servir. Esse é o amor da caridade e para os antigos é a mais perfeita forma de amor”.

Dentro desses conceitos, Dom Gregório Paixão afirma que podemos entender o Evangelho da liturgia da missa da sexta da 19ª Semana do Tempo Comum. “Jesus está falando sobre a relação entre um homem e uma mulher, de todas as leis e tudo aquilo que entendemos ao longo do Antigo Testamento e diante daquilo que foi perdido com a perda do Paraíso. Nós entendemos uma coisa bem interessante a grande benção que Deus vai deixar para a humanidade. Inegavelmente é a bênção que gera é a benção, que une,  a bênção da vida matrimonial”.

O bispo frisa que Jesus deixa claro que o casamento é indissolúvel e que ninguém pode mudar a palavra do Senhor. “Jesus fala hoje de uma forma muito enfática. Não apenas nesse evangelho mais nos três evangelhos sinóticos. Ele vai falar a mesma coisa, que o casamento é indissolúvel e que ninguém tem direito de dar carta de divórcio para o outro é a lei. Os apóstolos ficam escandalizados com essa palavra de Jesus quando e dizem, se for assim é melhor que a gente não case. Jesus estava falando da necessidade da responsabilidade numa relação com àquele que nós queremos para nossa vida, que faz com que eu seja responsável pela vida do outro e persevere naquilo que a gente iniciou. A vida matrimonial é extremamente difícil porque é uma vida de profundo conhecimento. É o que acontece com todo tipo de vocação ou todo tipo de profissão. Vai exigir de nós uma perseverança muito grande para que a gente consiga realizar o que deve ser realizado. Muito mais na vida a dois quando tudo é dividido e quando às vezes uma das partes quer apenas que o seu lado prevaleça. São dificuldades que nós enfrentamos”.

A carta de divórcio dada por Moisés foi para que o povo parasse de perturbá-lo. “Jesus mostra e diz que a carta de divórcio dada através de Moisés foi por um motivo muito simples, porque o pessoal chateou tanto Moisés querendo se separar que quase enlouqueceu aquele homem. Ele, para não perder as estribeiras, acabou dando uma carta de divórcio porque não aguentava mais aquelas pessoas. Essa é a verdade do evangelho que nós acabamos de ouvir. Pode ser duro, mas é palavra de Jesus.  Ninguém tem autoridade de mudar a palavra do Senhor. Claro que a igreja não obriga ninguém a ficar com outra pessoa num clima de guerra. A separação existe, mas se assumiu com responsabilidade e perseverança a vida matrimonial essa aliança feita diante de Deus é um sacramento e ninguém destrói um sacramento. É a palavra que Jesus nos diz no evangelho de hoje”.

Dom Gregório Paixão afirma que os grandes santos foram capazes de compreender a beleza deste evangelho e amarem todas as pessoas, principalmente aqueles que a sociedade ignora. “Agora, quando olhamos esse evangelho e o que nós estamos aqui fazendo, entendemos algo muito importante. Entendemos que a consagração dos grandes santos, a exemplo da Virgem Maria, de São José e de Santa Dulce dos pobres nos fala meus irmãos e minhas irmãs da grande graça da vida daquele que escolheu amar o corpo. Por incrível que pareça a gente acha que o religioso é alguém incapaz de amar uma presença que está a sua frente. Veja só a grande beleza que nós encontramos na vida dos santos. Eles foram capazes de enxergar o corpo, de amar um corpo e de desejar transformar essa vida num grande louvor a glória de Deus. Quando nós enxergamos o exemplo de Santa Dulce dos Pobres, essa grande santa da Bahia que eu tive a graça de conhecer pessoalmente, nós entendemos quando ela se aproximava de alguém era capaz de amar, não de uma forma erótica, mas de uma forma filial e ao mesmo tempo caritativa aquele corpo que ninguém seria capaz de amar por causa da feiura que apresentava. Eram os viciados, eram os mendigos, eram os abandonados e tantos outros. Essa mulher foi capaz de amar essas pessoas que sendo tão frágil, mas tão frágil, ela foi capaz de ajudar a pessoas que eram mais fortes do que ela. Tão frágil, tão frágil, que foi capaz com aqueles braços mínimos e aquela estatura tão pequena levantar homens, que quando estavam chateados ou quando estavam intoxicados, eram capazes de derrubar até mesmo um touro. Mas, diante daquela mulher que era capaz de amar a simplicidade e a beleza daquele que podia ser restaurado, ela conseguia realizar verdadeiros milagres”.

Par ao bispo, a Virgem Maria e São José também mostraram uma grandeza, pois foram ao extremo do amor. “Ora meus irmãos e minhas irmãs, quando a gente olha o exemplo de Irmã Dulce a gente também olha a sempre Virgem Maria. Ela não apenas gerou um corpo a pedido de Deus, mas foi capaz de amar um corpo de ter a visibilidade de Deus à sua frente para depois, naturalmente, amar essa obra de Deus que ela entendeu perfeitamente por que amou Jesus integralmente. Através dessa grande graça, uma mulher tão frágil de Nazaré juntamente com o seu esposo castíssimo São José, foram capazes nessa mesma fragilidade, pela escolha de Deus, servir a Deus. Imagine, são criaturas humanas que servem ao Senhor do universo. Criaturas humanas que pela santidade perseveram em um profundo amor servindo aquele que era dono de tudo. Que a gente possa enxergar Aquele que criou todas as coisas. É a simplicidade de uma mãe que é capaz de ensinar a Jesus aquilo o que era próprio da sua cultura. E a beleza do evangelho numa outra passagem nos diz que Jesus, Ele, Senhor e Deus, era submisso a Maria e José. Portanto, Deus quiz se submeter à humanidade para que a humanidade pudesse caminhar pelos caminhos divinos. Assim, olhando o exemplo de Maria, dessa outra figura maravilhosa, irmã Dulce dos Pobres entender que isso se dá através de um profundo casamento. O sentido não é outro da palavra entre nós e Deus. Queremos permanecer numa fidelidade junto ao Senhor e que não deve acabar jamais. Nenhum de nós pode dar carta de divórcio a Deus. Nenhum de nós pode querer se separar desse Senhor. Nenhum de nós pode querer quebrar essa aliança, uma aliança que é de amor, é eterna pela certeza de que um lado permanecerá sempre fiel e esse lado é o lado de Deus”.

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