4ª-feira da 7ª Semana da Páscoa – Mons. Paulo Daher

4ª-feira da 7ª Semana da Páscoa

Em Atos, 20, 28-38, o apóstolo Paulo dirige-se aos cristãos de Éfeso pedindo que sejam fiéis à Igreja de Deus que Cristo adquiriu por seu sangue. “Não ouçam os que vierem falar diferente do que lhes ensinei com lágrimas. Eu os recomendo a Deus e à palavra de sua graça. Nada quis de bens materiais. Eu mesmo me cuidei com meu trabalho. Segui o que o Senhor disse: “há mais felicidade em dar que em receber. “Depois deste desabafo de despedida ajoelhou e orou por todos eles. Todos vieram abraçá-lo chorando também, tristes por saberem que talvez não o vissem mais.

Paulo mostra em suas cartas e na maneira como trata as pessoas que é muito sensível. Aquele ardor que mostrara como fariseu para defender as Leis do Senhor que Moisés tinha deixado, agora se volta para Cristo e para tudo o que faz por amor ao Senhor e pela alegria de poder levar Jesus a todos. Ele não se contém, procurou superar todos os obstáculos para que as pessoas conhecessem aquele Jesus que o escolheu com tanto amor.

Paulo apresenta também imagens fortes da vida para comprovar que iluminado e envolvido pelo amor de Cristo leva a Palavra e o amor de Jesus a todos como se fossem seus filhos. É o que expressa com esta afirmação: meus filhinhos, que entre dores, novamente dou à luz, até que Cristo seja formado em vocês (Gl 4,19)

É comovente esta cena de despedida do apóstolo aos habitantes de

Éfeso. São lágrimas abençoadas.

Tenho conhecido muito tipo de lágrima na vida das pessoas. Umas que mexem muito comigo é quando alguém depois de uma boa confissão em que se percebe a sinceridade de sentimento, se mostra tão agradecida a Deus pelo perdão que é muito mais um abraço forte de Deus à pessoa. Parece que Deus tocou com suas mãos divinas na fibra de seu coração.

Outra situação que nos comove também é quando um sacerdote que deu grande parte de sua vida pelos cristãos de uma paróquia, deve deixá-la para um mais jovem para que continue a realizar o reino de Deus.

Todos nos sentimos altamente comovidos com a atitude do Papa Bento XVI, sentindo-se combalido pela saúde, decidiu entregar a missão de Papa para outro. E estamos assistindo como também o Papa Francisco cumpre sua missão com tanto amor e carinho para com todos.

 

Em João, 17, 11b-19, Jesus orou ao Pai: Pai santo, guarda-os em teu nome para que sejam um como nós. Eu os guardei em teu nome. Vou para ti. Que não tires do mundo, mas os preserves do mundo porque eles não são do mundo. Consagra-os na verdade. Tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo eu os enviei ao mundo. Eu me consagro a ti. Que eles sejam consagrados na verdade.

Orou, pediu pelos apóstolos, no mundo, consagrados pela verdade, enviados como ele.

Todos precisamos orar, orar bastante, unir-nos sempre a Deus. A oração para nossa vida religiosa é como a respiração para o nosso corpo. Sem mim vocês não podem fazer nada (Jo 15, 5). A oração nos une a Deus pela palavra, pelos sentimentos, na alegria, nas tristezas, no sofrimento. É o grito que sobe de todo o nosso ser a cada momento de nossa vida, chamando por Deus nosso Pai.

Jesus pediu pelos apóstolos e por nós que não fujamos de onde vivemos. Estamos no mundo, nesta sociedade de hoje. Não devemos fugir, pois Jesus nos acompanha, caminha conosco. O mundo, as pessoas precisam de nós, de nossa fé de nosso amor e compreensão.

Consagrados pela verdade. Consagrados? Como? A verdade que é Cristo, o bem, o amor, a união com todos, a dedicação a todos. Seja o seu sim, sim, o seu não, não (Mt 5, 37). Não brincamos com a vida com as pessoas. A verdade fortalece nosso espírito, e nos garante a certeza que vale a pena lutar pelo bem, pelo que é certo, pelo que não nos enganar, e vai levar-nos até Deus, até os irmãos.

Consagrados quer dizer marcados, deve estar em nós, em nosso ser, em a nossa vontade, em nossas escolhas. A verdade manifesta um amor sincero e comprometido, não brinca com as pessoas com promessas vãs.

Assim todos terão a certeza de que somos enviados por Deus. Somos seus mensageiros, somos aqueles que levamos a todos o bem, a paz, a felicidade, a razão de nosso viver.

Queremos manifestar a certeza de que Deus nunca se afasta de nós. Ele se faz presente em nossa vida, em nossa palavra em nosso amor sincero.

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Monsenhor Paulo Daher

É natural de Salvador, Bahia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1931, adotou Petrópolis por sua terra, onde exerceu várias funções como padre e atualmente era Vigário Geral. Em 1970, recebeu do Papa Paulo VI o título de Cônego e em 1980, o título de monsenhor do Papa João Paulo II.

Ordenado sacerdote em março de 1955, continuou em Roma até setembro do mesmo ano, quando retornou a Diocese. Ao chegar, iniciou seu ministério sacerdotal ajudando na Catedral. No ano seguinte, 1956, foi nomeado pelo Bispo, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra para trabalhar no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, onde ficou por 11 anos. No Seminário foi diretor espiritual e professor, contribuindo com a formação dos novos padres.

Em 1967, também por nomeação de Dom Cintra, assumiu como Pároco da Catedral, onde ficou por 19 anos. Durante este período desenvolveu vários trabalhos pastorais nas comunidades da paróquia e teve participação em outros movimentos e eventos na cidade, como no Grupo Ação, Justiça e Paz, onde foi eleito secretário no ano de 1979, deixando o cargo em março de 1980, quando foi eleita nova diretoria.

Monsenhor Paulo Daher durante toda sua vida sacerdotal exerceu com zelo todos os serviços que lhe foram confiados, mas sempre dedicou seu tempo e entusiasmo ao anúncio do Evangelho, através da orientação espiritual de diversas pastorais e movimentos, entre eles a Catequese, Pastoral Familiar, Equipes de Nossa Senhora, Renovação Carismática Católica, Legião de Maria e os fiéis, através da orientação espiritual e confissão.

Com total dedicação, monsenhor Paulo foi professor da Universidade Católica de Petrópolis durante mais de 30 anos e ainda nos últimos anos era orientador e capelão do Colégio Santa Isabel. Como Coordenador Diocesano das Pastorais, cargo que exerceu por muitos anos, monsenhor Paulo Daher teve um carinho especial na participação dos leigos, dando-lhes espaço e apoio para que possam exercer o serviço que lhes fora confiado.

Uma das preocupações de Monsenhor Paulo Daher é com a formação dos leigos, seja através da catequese ou cursos e encontros e para ajudá-los, escreveu diversos livros de formação teológica e catequese, mas com uma linguagem acessível a qualquer pessoa. Estes livros, com edições alternativas e limitadas são utilizados ainda hoje, principalmente na formação das catequistas.

Monsenhor Daher foi Administrador Diocesano, de janeiro a desembro de 2012 até a posse de Dom Gregório Paixão, OSV, no dia 16 de dezembro de 2012.

Uma de suas paixões foi a educação e por isso exerceu com total zelo o cargo de assessor eclesiástico da Pastoral da Educação, dedicando-se as escolas paroquiais. Nos últimos anos de sua vida, conseguiu realizar um de seus sonhos, criar uma escola de formação musical para as crianças e adolescentes das comunidades carentes de Petrópolis, alunos da rede pública de educação. A instituição ficou denominada Espaço Artístico Monsenhor Paulo Daher.

Monsenhor Paulo Daher faleceu em 30 de março de 2019

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