Formadores de seminários do Regional Leste 1 participam de encontro sobre estágio pastoral

Os reitores dos seminários no Regiona Leste 1 com Dom Gilson e Dom Joel

Atividade promovida pela OSIB reúne representantes de dioceses no Convento Madre Regina, em Petrópolis, entre os dias 14 e 16 de setembro

Formadores dos seminários do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participam, entre os dias 14 e 16 de setembro, de um encontro promovido pela Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB/Regional Leste 1). A atividade é realizada no Convento Madre Regina, das Irmãs de Santa Catarina, na Diocese de Petrópolis, e tem como tema “O Estágio Pastoral: Caminhando juntos em missão, rumo a um crescimento integral na formação sacerdotal”.

Dom Joel falou sobre o tema do encontro que abordou o estágio pastoral na formação dos futuros sacerdotes

O assessor principal do encontro é Dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis e presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB. Participou da programação o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom José Maria Pereira. Com experiência como professor e reitor do Seminário Diocesano de Petrópolis, Dom José Maria dirigiu uma reflexão aos formadores.

Dom José Maria Pereira esteve no primeiro dia do encontro dando uma palavra de estímulo aos reitores

O presidente do Regional Leste 1 e bispo de Nova Iguaçu, Dom Gilson Andrade, bispo referencial para a OSIB, destacou a importância da iniciativa para a partilha de experiências entre as dioceses. “Apesar das realidades tão diferentes, nós compartilhamos um ideal de formação, que é aquele que a Igreja nos propõe, depois no Brasil traduzido nas diretrizes próprias da formação”, afirmou.

Segundo o bispo, o encontro também permite identificar desafios comuns e buscar respostas conjuntas. “É uma oportunidade de partilhar os desafios de cada diocese, de cada seminário, e de buscar juntos alguns caminhos que podem, sim, ser comuns. Ao longo dos anos, esse encontro tem se manifestado como muito valioso, como apoio para os formadores, uma vez que precisamos estar sempre nos atualizando diante dos novos desafios. Quando podemos contar também uns com os outros, isso nos fortalece”, explicou.

Formação permanente

Padre Alan, presidente da OSIB no Regional Leste 1 e Dom Gilson Andrade, bispo referencial para OSIB

Presidente da OSIB Regional Leste 1 e reitor do Seminário Arquidiocesano de São José, da Arquidiocese de Niterói, o padre Alan Vieira do Nascimento ressaltou que a formação sacerdotal não se limita ao período vivido no seminário. “Popularmente, quando falamos de formação, pensamos só no tempo do seminário, o que seria um grande equívoco. A formação é permanente”, afirmou.

Para o sacerdote, o encontro representa uma oportunidade de atualização e crescimento para os próprios formadores, por meio da troca de experiências entre as dioceses. “Como sacerdotes já precisaríamos dessa formação, mas ainda mais nessa função, para que, na troca e na partilha, conhecendo propostas formativas aplicadas em outras dioceses, possamos iluminar também as situações que vivemos”, disse.

Padre Alan destacou ainda que o trabalho dos formadores possui características específicas e, por isso, encontros como esse são importantes. “O formador não tem um igual. Existe um grupo de formadores, evidentemente, mas é um trabalho muito específico. Quando nos encontramos nessas oportunidades, é sempre um momento muito frutuoso para ouvir outros que estão passando por situações semelhantes e perceber como estão lidando com isso. Isso nos ajuda a crescer e a trazer novas propostas para os nossos seminários e dioceses”, completou.

Dimensão pastoral na formação

Durante as conferências, Dom Joel refletiu sobre os desafios do estágio pastoral e sobre a necessidade de integrar essa experiência às demais dimensões da formação sacerdotal. No primeiro dia do encontro, o bispo observou que a dimensão pastoral ainda é pouco valorizada na formação dos seminaristas.

De acordo com Dom Joel, essa realidade pode ser percebida na ausência de orientações específicas em algumas dioceses e na pouca produção de materiais sobre o tema. Enquanto as dimensões intelectual e espiritual costumam receber maior atenção, a pastoral nem sempre é trabalhada com a mesma ênfase.

Dom Joel ressaltou os desafios do estágio pastoral e sobre a necessidade de integrar essa experiência às demais dimensões da formação sacerdotal

Entre os fatores que contribuem para esse cenário, o bispo apontou a dificuldade de algumas instituições em definir as atividades dos seminaristas fora do período de aulas. Ele também destacou a centralização excessiva na figura do padre, que pode limitar a participação dos seminaristas em diferentes experiências comunitárias e missionárias.

A Ratio Fundamentalis, documento que orienta a formação dos presbíteros, busca reforçar a importância da dimensão pastoral. Segundo Dom Joel, o desafio atual é articulá-la com os demais aspectos da formação, para que teoria e prática caminhem juntas.

O bispo de Petrópolis também alertou para os riscos de uma experiência pastoral restrita exclusivamente à paróquia. Entre eles estão a falta de abertura para outras necessidades da sociedade, a concentração excessiva na liturgia e a tendência de organizar a ação pastoral de acordo com as preferências pessoais de cada sacerdote.

No segundo dia do encontro, Dom Joel retomou uma pesquisa realizada com seminaristas para abordar os desafios da formação pastoral. A partir das respostas apresentadas, o bispo destacou aspectos que exigem atenção e apontou possíveis caminhos, considerando também as observações feitas pelos formadores.

Educação e amadurecimento humano

A programação contou ainda com a participação da professora Cleia Zanata, pesquisadora nas áreas de cognição social, moralidade, espiritualidade e saúde psíquica. Ela abriu as atividades da tarde de segunda-feira, dia 14 de setembro, com uma reflexão sobre educação e formação integral.

Em sua apresentação, a pesquisadora afirmou que a educação deve estar voltada ao aprimoramento humano e ao desenvolvimento integral da pessoa. Segundo ela, o processo educativo não se encerra, pois o ser humano permanece sempre diante da possibilidade de aprender, amadurecer e desenvolver novas potencialidades.

A pesquisadora Cleia destacou a importância dos valores no amadurecimento humano

Cleia definiu esse percurso como um processo contínuo de aperfeiçoamento. Para ela, reconhecer que ninguém está completamente pronto é uma condição importante para o crescimento pessoal. O objetivo da educação, explicou, é promover uma verdadeira humanização — responsabilidade que não deve ser atribuída apenas à escola ou a instituições específicas, mas à sociedade como um todo.

A pesquisadora também destacou a importância dos valores no amadurecimento humano, especialmente a capacidade de autorregular a própria vida diante das influências externas. Relacionados ao belo, à verdade, ao bem, à virtude e à justiça, os valores podem contribuir para o desenvolvimento da resiliência, para a construção de pensamentos esperançosos, para o fortalecimento de vínculos e para o maior engajamento social.

Outro aspecto abordado foi a relação entre sentido de vida e bem-estar psicológico. De acordo com a reflexão apresentada, o ser humano é capaz de atribuir sentido à própria existência. Por isso, a pergunta “o que dá sentido à minha vida hoje?” deve fazer parte de um processo permanente de avaliação e amadurecimento.

Os reitores de seminário, com Dom Gilson e pesquisadora Cleia ao final da missa no primeiro dia do encontro

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