Em homilia proferida na Paróquia São Judas Tadeu, em Teresópolis, na manhã do dia 26 de julho, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, convidou os fiéis a refletirem sobre a verdadeira sabedoria e a presença amorosa de Deus em todas as circunstâncias da vida. A celebração, que marcou a Crisma de 16 jovens e adultos, foi um momento de profunda reflexão e renovação da fé.
Dom Joel iniciou sua fala destacando a alegria de estar no “Dia do Senhor, na Casa do Senhor, com a Família do Senhor”. Ele recordou um antigo provérbio, “Domingo sem missa, vida sem graça”, para enfatizar a importância da participação na Eucaristia. O bispo ressaltou a beleza de “trazer a vida para diante do altar”, com suas alegrias e tristezas, como aniversários, perdas, nascimentos e conquistas.

A sabedoria de Salomão e a presença amorosa de Deus
A Palavra de Deus, segundo Dom Joel, nos convida a pedir a sabedoria, assim como Salomão. “Por amor, Deus chegou e disse: ‘Salomão, pede o que você quiser'”, lembrou o bispo, provocando a reflexão sobre o que cada um pediria. Ele explicou que a sabedoria não se confunde com informação, formação acadêmica, inteligência ou aptidão profissional. “Estamos falando de outra coisa: da capacidade de perceber a presença amorosa desse mistério que nós chamamos Deus e que, por amor, nos deu, na força do Espírito, Jesus”, afirmou.
Para Dom Joel, sabedoria é “perceber que, no fundo, o que vale nesta vida é o amor de Deus em nós e nós caminhando nesse amor”. Ele citou a frase de São Paulo, “Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor”, e a fantástica passagem da segunda leitura: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.”

A fé como “óculos” para enxergar o amor divino
O bispo utilizou uma analogia pessoal para ilustrar a percepção da fé. “Eu uso óculos, lá pela infância já usava. Uma vez no vôlei o óculos quebrou. Eu não conseguia nem ouvir o que as pessoas falavam”, contou. Ele comparou a fé a esses óculos, que nos permitem “perceber que, quer na tristeza, quer na alegria, nós pertencemos ao Senhor.”
Dom Joel enfatizou que Deus nos ama muito mais do que nós O amamos, e que o amor de Jesus é um amor que vai ao detalhe. Ele destacou que, em meio às alegrias e tristezas da vida, o Senhor, em seu mistério e pela força do Espírito, vai transformando tudo.

Saudade, remorso e a necessidade de estar junto
Em um momento de interação com os fiéis, Dom Joel questionou sobre a diferença entre saudade e remorso. “Saudade é o amor que se distancia. Remorso é o arrependimento do amor que não foi vivido”, explicou. Ele concluiu que a saudade pode ser “consertada”, enquanto o remorso é mais difícil de superar.
Essa reflexão levou à importância da presença na missa, não como uma obrigação, mas como uma “necessidade de alguém que ama e quem ama quer estar junto”. O bispo utilizou as imagens do tesouro e da pérola para ilustrar a necessidade de “deixar tudo de lado” e “se libertar de tudo para pegar o que vale a pena”, que é o amor de Deus.

O exemplo dos avós e o presente dos crismandos
Dom Joel também fez uma divertida analogia com o amor dos avós pelos netos, que “deseducam e estragam, mas não é verdade” em nome do amor. “Tudo isso é feito em nome do amor. ‘Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus'”, pontuou.
Dirigindo-se aos crismandos, o bispo os chamou de “um presente para nós”, pois a cada domingo, a fé é confirmada. Ele expressou o desejo de que todos saiam da igreja “mais firmes, mais sólidos”, e agradeceu o exemplo e testemunho dos crismandos.

Levar o amor de Deus no coração
Ao final da homilia, Dom Joel ofereceu uma sugestão: “Passou daquela porta para fora, levem na mente, levem no coração: ‘Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.'” Ele pediu a sabedoria para descobrir o amor de Deus em tudo e a coragem para “largar” o que não é essencial para estar junto do Senhor.
Com as velas erguidas pelos crismandos, Dom Joel concluiu, ressaltando o papel do Espírito Santo em nos ajudar a pedir, encontrar e conservar a sabedoria, e a perceber que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”, pois “tem muito tesouro para deixar de lado para encontrar o tesouro maior. E tem muita pérola.”





