Dom Joel: “O amor de Deus por nós é muito mais do que esse amor que, quando tem, marca nossas vidas. Quando não tem, faz falta, deixa uma lacuna.”

A Paróquia Sant’Ana e São Joaquim, em Cascatinha, Petrópolis, recebeu o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, para a missa solene do dia 26 de julho. A ocasião marcou a festa dos padroeiros e o VI Dia Mundial dos Avós e da Pessoa Idosa, proporcionando uma homilia que entrelaçou a devoção aos avós de Jesus com a magnitude do amor de Deus.

Dom Joel iniciou sua pregação abordando a feliz coincidência da festa dos padroeiros cair em um domingo, o Dia do Senhor. “Talvez alguém possa dizer assim, mas o domingo atrapalhou a liturgia do domingo? Ou a liturgia do domingo atrapalhou a celebração dos padroeiros?”, questionou o bispo, para logo em seguida responder com convicção: “Nunca as coisas de Deus atrapalham. A leitura da liturgia do domingo de hoje diz que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.” Ele enfatizou que o importante é a alegria de “encontrar a família de Deus, na casa de Deus, diante do altar de Deus, para celebrar a sua fé”.

A essência da fé: estar diante do Senhor

O bispo ressaltou que, seja na alegria ou na tristeza, na preocupação ou na vitória, o que realmente importa é “estar diante do Senhor”. Ele reiterou a importância de estar “na casa do Senhor, com a família do Senhor, diante do altar do Senhor, ouvindo a palavra do Senhor”.

Dom Joel então conduziu os fiéis a uma reflexão sobre a centralidade de Jesus na fé, mesmo ao celebrar outros santos. “Quem foi que nos salvou? Joaquim, Santana, Maria ou Jesus?”, perguntou, provocando a assembleia a reconhecer Jesus como o Salvador. Ele explicou que, embora a celebração de hoje não fosse diretamente sobre Jesus, ela nos leva a “voltar um pouquinho para trás” e olhar para São Joaquim e Sant’Ana, os avós de Jesus.

O Significado de Celebrar os Avós de Jesus

A homilia ganhou um tom mais pessoal e afetuoso ao abordar a celebração dos avós. Dom Joel pediu que avós e netos levantassem as mãos, notando a grande presença de ambos na igreja. Ele brincou com a sabedoria popular que diz que “pai e mãe educam, avô e avó estragam”, mas logo aprofundou o sentido dessa relação.

“Joaquim e Santana são isso que é tão humano, que é tão próprio da nossa vida, do nosso dia a dia, porém, numa dimensão da fé”, explicou o bispo. Ele comparou o carinho, o colo quentinho e a amizade protetora dos avós ao amor de Deus. “O céu é muito mais do que isso. O amor de Deus por nós é muito mais do que esse amor que, quando tem, marca nossas vidas. Quando não tem, faz falta, deixa uma lacuna.”

Dom Joel descreveu o amor divino como “compreensivo, paciente, carinhoso, protetor”, qualidades que podemos vislumbrar no afeto dos avós, mas que em Deus são infinitamente maiores. Ele destacou que, embora Jesus tivesse o poder de aparecer de forma repentina, sua vinda foi precedida por uma “preparação silenciosa, carinhosa, protetora”, demonstrando que “Deus nunca vem a nós do modo brusco, do modo repentino. Ele já está cuidando de nós muito antes que nós pudéssemos pensar.”

O Sonho das Gerações e a Certeza do Amor de Deus

Para ilustrar a visão de Deus que se estende por gerações, Dom Joel compartilhou uma anedota de um casamento que celebrou, onde o noivo, no dia de sua união, expressou o sonho de ter netos. “Ele queria construir um sonho que durasse não apenas uma geração, mas um sonho que se prolongasse em muitas gerações”, disse o bispo, comparando esse amor humano ao amor ainda maior de Deus por nós.

O bispo abordou a tendência humana de se sentir abandonado nas dificuldades, mas contrapôs essa ideia com a mensagem de São Joaquim e Sant’Ana. “Quando nós olharmos para São Joaquim e Santana e nos dois percebemos um amor conjugal, mas um amor tal, a construção de uma família da qual veio Jesus, no fundo, o que o céu está dizendo para gente? Eu não abandono você, eu estou com você até o fim, até o último momento, mesmo que você não perceba.”

Ele comparou essa certeza ao refúgio de uma criança no colo dos avós, que, mesmo sem poderem atender a todos os desejos, oferecem carinho e proteção. “Joaquim e Santana são uma gota daquilo que o céu quer dizer para nós. Cada santo, cada santa, faz parte dessa gota, mas nós estamos sozinhos. Nós estamos protegidos, envolvidos por um amor que é capaz de nos conduzir, ainda que a vida, às vezes, seja muito difícil.”

Dom Joel encerrou a homilia desejando uma “feliz festa” e expressando a alegria de celebrar os padroeiros “como família, como comunidade”, com a bênção de Deus. A celebração reforçou a importância da figura dos avós e a certeza do amor e cuidado divinos em todas as fases da vida.

 

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