2ª-feira da 7ª Semana da Páscoa – Mons. Paulo Daher

Em Atos 19, 1-8, Paulo vai a Éfeso, encontrou alguns discípulos. Perguntou: “Vocês receberam o Espírito Santo?” Responderam: “nem ouvimos falar dele.’ Disseram então que haviam recebido o batismo de João Batista. Paulo lembra que era o batismo de preparação para a vinda do Salvador. Então se batizaram em nome do Senhor Jesus. E o Espírito Santo desceu sobre todos.  Paulo foi à sinagoga falar de Jesus.

O olhar de Paulo procurava sempre conhecer mais e melhor as pessoas. Aquelas que percebia serem gente aberta à vida religiosa se interessava para abrir mais caminhos ainda para Deus.

O amor que Paulo tinha a Jesus tomava conta de seus pensamentos, sentimentos, sensibilidade e vontade. Sentindo dentro de si uma alegria de ter Cristo como seu Senhor, tudo o que fazia era iluminado por este desejo de fazer com que outros também pudessem se aproximar de Cristo.

Anchieta, veio para o Brasil jovem, sem ainda ser padre. Era para cuidar de sua saúde. Seu coração era como o de s. Paulo. Encontrou gente como portugueses que vinham começar nova vida nesta terra desconhecida. Foi conhecendo os indígenas, seus costumes, sua vida simples e primitiva. Aprendeu sua língua. Escreveu peças de teatro religioso para eles. Correu esses brasís de s. Paulo para o Rio de janeiro, no interior, na costa, foi ao Espírito Santo, a Salvador na Bahia. Foi mensageiro de paz entre tribos, entre estes e os portugueses. Fez-se como Paulo tudo para todos. Tudo por amor a Jesus e a todos. Incansável, animado, incentivador…

Jesus está precisando ainda hoje de gente assim! Todo o batizado tem de ser um apóstolo, um evangelizador. Temos muitos exemplos diante de nós, mesmo de gente viva, simples, alegre e feliz de poder fazer Cristo conhecido e amado por todos.

Todos somos chamados! Cabe a cada um descobrir como pode ser um ardoroso apóstolo de Cristo.

Ore! Peça ao Espírito Santo que lhe faça ver o que fazer. E conte com a graça de Deus. Deus está esperando por você!

Em João, 16, 19-36, Jesus comenta que os apóstolos discutiam sobre o que havia dito que eles daqui a pouco não o verão. Repete, o mundo vai se alegrar e vocês vão ficar tristes. Fala então sobre as dores de uma mãe em parto e sua alegria após dar à luz um filho.  Assim vai acontecer com vocês. Mas quando eu voltar sua alegria ninguém a poderá tirar.

Jesus conhece bem seus seguidores. Durante três anos, todos os dias estava com eles. Por suas palavras, por sua maneira de ser e agir, pela forma como tratava as pessoas, por seus milagres, eles o conheciam bastante. E apesar de tanta resistência e perseguição dos chefes religiosos fanáticos, eles tinham certeza, como já acontecera, que nada poderiam fazer contra Jesus.

E é exatamente por isso que Jesus várias vezes mostrava a eles o que aconteceria de mal a eles. Mas eles nem queriam ouvir. Não era possível que Jesus não vencesse seus chefes muitas vezes raivosos e vingativos. Confiavam totalmente em Cristo e tinham certeza de venceriam em tudo..

Daí a explicação de terem todos fugidos (Mt 26, 56b) quando prenderam Jesus e o levaram para o tribunal. E se escondiam cm medo os chefes judeus. (Jo 20,19)

Nós somos muito iguais aos apóstolos: somos amigos de verdade nas horas boas, quando tudo corre bem, e nenhum problema nos aflige. Basta surgir qualquer contrariedade, ou se depois de tanto esforço não conseguimos o que queríamos…. Lá vem a lamentação… em vez de ser como s. Paulo (2 Tm 1,12) : eu sei em quem acreditei, reclamamos: fiz tudo o que podia, esperava tanto (Lc 24, 21)… e é essa a resposta que Deus me dá?

A fé e a esperança são dons divinos que tem de ser trabalhados, fortalecidos. É como a saúde, não basta estarmos bem, sem doenças, temos de preparar nosso organismo pela alimentação, exercício e cuidados.

Uma palavra desde a Conferência de Aparecida vem sendo lembrada como incentivo para nossa vida cristã: não podemos ser cristãos acomodados. Soldado que não treina vai perder a batalha, desportista que não se exercita vai fazer seu time perder. Cristão parado, conformado com suas orações diárias, missas dominicais, olhando só para sua própria vida espiritual, cristão que na prática reza: Pai meu, meu Deus, Senhor olha por mim.  Cristão filho único, sem amigos, sem irmãos, vai morrer abandoando e sozinho. Ninguém entra no céu sozinho.

No Juízo Final vamos ser mais perguntados sobre o que fizemos para os outros, pelos outros, com os outros. Temos irmãos? Onde estão? Pertencem a meu círculo de amigos meus e de Jesus?

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Monsenhor Paulo Daher

É natural de Salvador, Bahia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1931, adotou Petrópolis por sua terra, onde exerceu várias funções como padre e atualmente era Vigário Geral. Em 1970, recebeu do Papa Paulo VI o título de Cônego e em 1980, o título de monsenhor do Papa João Paulo II.

Ordenado sacerdote em março de 1955, continuou em Roma até setembro do mesmo ano, quando retornou a Diocese. Ao chegar, iniciou seu ministério sacerdotal ajudando na Catedral. No ano seguinte, 1956, foi nomeado pelo Bispo, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra para trabalhar no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, onde ficou por 11 anos. No Seminário foi diretor espiritual e professor, contribuindo com a formação dos novos padres.

Em 1967, também por nomeação de Dom Cintra, assumiu como Pároco da Catedral, onde ficou por 19 anos. Durante este período desenvolveu vários trabalhos pastorais nas comunidades da paróquia e teve participação em outros movimentos e eventos na cidade, como no Grupo Ação, Justiça e Paz, onde foi eleito secretário no ano de 1979, deixando o cargo em março de 1980, quando foi eleita nova diretoria.

Monsenhor Paulo Daher durante toda sua vida sacerdotal exerceu com zelo todos os serviços que lhe foram confiados, mas sempre dedicou seu tempo e entusiasmo ao anúncio do Evangelho, através da orientação espiritual de diversas pastorais e movimentos, entre eles a Catequese, Pastoral Familiar, Equipes de Nossa Senhora, Renovação Carismática Católica, Legião de Maria e os fiéis, através da orientação espiritual e confissão.

Com total dedicação, monsenhor Paulo foi professor da Universidade Católica de Petrópolis durante mais de 30 anos e ainda nos últimos anos era orientador e capelão do Colégio Santa Isabel. Como Coordenador Diocesano das Pastorais, cargo que exerceu por muitos anos, monsenhor Paulo Daher teve um carinho especial na participação dos leigos, dando-lhes espaço e apoio para que possam exercer o serviço que lhes fora confiado.

Uma das preocupações de Monsenhor Paulo Daher é com a formação dos leigos, seja através da catequese ou cursos e encontros e para ajudá-los, escreveu diversos livros de formação teológica e catequese, mas com uma linguagem acessível a qualquer pessoa. Estes livros, com edições alternativas e limitadas são utilizados ainda hoje, principalmente na formação das catequistas.

Monsenhor Daher foi Administrador Diocesano, de janeiro a desembro de 2012 até a posse de Dom Gregório Paixão, OSV, no dia 16 de dezembro de 2012.

Uma de suas paixões foi a educação e por isso exerceu com total zelo o cargo de assessor eclesiástico da Pastoral da Educação, dedicando-se as escolas paroquiais. Nos últimos anos de sua vida, conseguiu realizar um de seus sonhos, criar uma escola de formação musical para as crianças e adolescentes das comunidades carentes de Petrópolis, alunos da rede pública de educação. A instituição ficou denominada Espaço Artístico Monsenhor Paulo Daher.

Monsenhor Paulo Daher faleceu em 30 de março de 2019

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