A fé do oficial – Sábado da 12ª Semana do Tempo Comum – Mons. Paulo Daher

No livro das Lamentações, 2, 2. 10-14. 18-19, o profeta mostra a desolação diante das ruínas da cidade santa, da humilhação da realeza e seus príncipes, Os anciãos sentados no chão em silêncio, humilhados, com os jovens desanimados, as crianças gritando pelas ruas com fome. Grande como o mar é tua aflição. Teus falsos profetas anunciaram oráculos mentirosos. Levanta e chora, ergue as mãos diante do Senhor, pela vida dos pequeninos que falecem de fome em todas as encruzilhadas.

O 1º. templo de Jerusalém como o lugar mais sagrado para o povo escolhido cultuar o Deus vivo e verdadeiro, foi sonhado, preparado com amor, carinho, riqueza e esplendor como o Senhor Deus do Universo merecia e merece,  pelo rei Davi. Seu filho o rei Salomão executou à risca o plano de seu Pai.

Da Palestina e de outras regiões do  mundo, todos os anos milhares de peregrinos judeus chegavam para viver de modo soleníssimo sua Páscoa e ficavam até Pentecostes.

Mas o que Deus esperava de seu povo é que em qualquer lugar do mundo, mas de modo especial na Palestina e em Jerusalém, a vida comum das pessoas em suas casas e cidades manifestassem uma fé viva e sincera no Deus Único  e Verdadeiro. E muitas vezes o povo  se deixava levar pelos povos vizinhos adoradores de outros deuses. E também profanavam o próprio lugar sagrado colocando deuses no templo sagrado.

E esse trecho de hoje mostra um triste quadro: unindo vários tempos e momentos:

Imaginemos chegar a Jerusalém para cumprir o dever sagrado da Páscoa e deparar com este triste quadro: anciãos sentados no chão em silêncio, humilhados, com os jovens desanimados, as crianças gritando pelas ruas com fome. Grande como o mar é a aflição e desolação diante das ruínas da cidade santa, da humilhação da realeza e seus príncipes.

E o pior de tudo, os que deviam zelar pela vida religiosa do povo: os profetas, perderam a luz divina e anunciavam oráculos mentirosos.

Por isso um grito brota da parte do povo simples que desejava viver sua fé: levanta e chora, ergue as mãos diante do Senhor, pela vida dos pequeninos que falecem de fome em todas as encruzilhadas.

E nós? Já há dois mil anos, nossa Igreja anuncia por toda a parte a alegria da presença salvadora de Cristo por sua Palavra, sacramentos e manifestações muito claras da ação de Cristo no mundo.

Estamos com os que adoram o Deus verdadeiro? Ou estamos sentados à porta nos lamentando diante de um mundo que se afasta de Deus?

Em Mateus, 8, 5-17, um oficial romano veio pedir a Jesus a cura de um seu empregado. Jesus disse: “vou lá para curá-lo.” Mas o oficial diz que “não precisa ir. Basta dizer uma palavra que seu empregado ficará curado.” E explica que ele tem autoridade sobre muita gente que lhe obedece logo. Jesus elogia a fé do oficial. E cura o empregado. Depois vai à casa da sogra de Pedro e a cura também de sua febre. E curou muitas pessoas que vinham vê-lo. É lembrado o profeta Isaías:  “Ele tomou nossas dores e carregou nossas enfermidades.”

O destaque desta passagem é a fé deste oficial romano. E sua afirmação é até aproveitada por nossa Igreja na liturgia: Senhor eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma palavra e meu empregado ficará curado. Jesus diz que não tinha encontrado uma fé assim tão grande.

Deus sempre se apresenta a qualquer pessoa. Uns percebem e não dão mita atenção. Outros reagem e confiam no Senhor.

A fé é um mistério. Nós nem semrpe refletimos sobre este dom maravilhoso do Espírito Santo. Aliás começa a ser uma necessidade de todo o ser humano. Acreditar quer dizer aceitar como verdadeira a palavra que os outros dizem. Podemos depois avaliar melhor. Mas se uma pessoa não acredita em nada é infeliz e terá muita dificuldade para viver e conviver com as pessoas. É quase uma doença: desconfiar de tudo, não acreditar em nada.

A fé natural nos dá uma certa tranquilidade de vida. A fé religiosa, sobrenatural, é uma força divina que nos leva a acreditar no que nem semrpe vemos ou entendemos, mas confiamos na Palavra divina da Verdade que nos fala.

Há pessoas que pensam que estudando muito podem ter uma fé bem grande. Vai depender. Quem estuda para conhecer só, talvez até tenha mais dúvidas. Quem estuda para abrir mais horizontes e enxergar mais para se deixar levar  por Jesus, esse então cresce. Porque às vezes a muita ciência pode encher de orgulho a pessoa e dificulta aceitar ouvir de pessoas até muito simples afirmações fruto de profunda fé.

Peçamos muitas vezes ao Espírito Santo que nos dê uma fé firme que confie totalmente no Senhor em qualquer situação.

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