Em homilia na instalação do novo santuário, Dom Joel Portella Amado destacou a missão do Poço Bento de acolher peregrinos e conduzi-los ao encontro com Cristo.
Durante a missa de instalação do Santuário Diocesano São José de Anchieta no Poço Bento, realizada na manhã de domingo, 23 de agosto, em Magé (RJ), Dom Joel Portella Amado destacou a importância dos santuários como lugares de peregrinação, acolhimento e renovação espiritual.
Ao refletir sobre a elevação do local a santuário oficial da Diocese de Petrópolis, o bispo explicou que a Igreja possui diferentes espaços e denominações — como capelas, matrizes, basílicas e santuários —, cada um com características próprias. Mais do que a estrutura física, porém, Dom Joel ressaltou que a Igreja é formada por pessoas e se manifesta naquilo que acontece em cada lugar.
“Muitas vezes a gente se pergunta: o que muda, o que é um santuário?”, afirmou. Segundo ele, embora a missa e os demais sacramentos possam ser celebrados em diferentes igrejas, o santuário possui uma vocação específica: ser um lugar para o qual as pessoas se dirigem em peregrinação, em busca de Deus, da esperança e da paz.
Um lugar para “recarregar as baterias”
Na homilia, Dom Joel comparou o santuário a uma tomada na qual o celular é conectado para recuperar a energia depois de um longo dia.
“Um santuário é um local de recarga de baterias”, declarou.
Para o bispo, pessoas de diferentes realidades chegam aos santuários levando alegrias, dores, dúvidas e cansaços. Nesse ambiente, encontram espaço para rezar, sorrir, reencontrar pessoas, buscar a paz, chorar suas dores, serem ouvidas e acolhidas. Também encontram a misericórdia de Deus por meio do sacramento da Reconciliação e da celebração da Eucaristia.
“Assim como na tomada vai celular de todo tipo, assim chega num santuário todo tipo de pessoas”, afirmou.
Dom Joel explicou ainda que o santuário não substitui a vida cotidiana da paróquia. Enquanto a paróquia representa a presença diária da Igreja, com suas atividades, comunidades e celebrações, o santuário é um espaço de peregrinação e de busca, visitado em momentos específicos para o encontro mais profundo com Deus.
Segundo o bispo, peregrinar significa caminhar em busca de algo. A romaria, por sua vez, também expressa esse movimento de ir ao encontro daquele que é “a razão da nossa vida, da nossa esperança e da nossa paz”.
A “catarata espiritual”
Outro ponto destacado na homilia foi a dificuldade que muitas pessoas encontram para perceber a presença de Deus em meio às preocupações e aos sofrimentos da vida. Dom Joel recorreu à imagem da catarata para explicar como as agitações, as dores, as injustiças e as dificuldades podem embaçar a visão espiritual.
“Na vida, preocupações, agitações, sofrimentos, maldades e outras coisas podem trazer para nossa vista uma espécie de catarata espiritual, e a gente esquece, não percebe mais a presença de Deus na nossa vida”, afirmou.
Para o bispo, o santuário pode ajudar a recuperar essa percepção. É um lugar onde o peregrino desacelera, contempla, reza e redescobre que Deus está presente em todos os momentos, mesmo quando essa presença não é percebida.
Ao lembrar a oração litúrgica “O Senhor esteja convosco”, Dom Joel ressaltou o significado da resposta da comunidade: “Ele está no meio de nós”. Para ele, essa afirmação expressa a fé na presença de Deus e deve acompanhar aqueles que chegam ao santuário e também os que retornam para suas casas.
“Sair do santuário, voltar da peregrinação, voltar da romaria, é voltar carregado”, disse. O bispo explicou que o peregrino retorna para enfrentar novamente os problemas cotidianos, mas fortalecido pela graça e pelo amor de Deus.
“Aqui será o Santuário da Baixada”
Reconhecendo o potencial religioso e histórico do Poço Bento, Dom Joel afirmou que o novo espaço tem condições de se tornar uma referência para os fiéis de Magé, Guapimirim e de outras cidades da Baixada Fluminense.
“Aqui sim, aqui será o santuário da Baixada”, declarou.
A Diocese de Petrópolis já conta com o Santuário Bom Jesus de Matosinhos e o Santuário Mariano Nossa Senhora do Amor Divino. Com a instalação do Santuário São José de Anchieta, a região da Baixada passa a contar com um espaço próprio de peregrinação, oração e evangelização.
O bispo também destacou a beleza natural do Poço Bento e o trabalho que será realizado pelo reitor e por toda a equipe responsável pelo santuário. Para ele, o local deverá crescer gradualmente, mantendo uma identidade própria.
“Cada santuário tem o seu rosto, e o rosto aqui é de São José de Anchieta”, afirmou.
A missão de São José de Anchieta
Ao apresentar a identidade do novo santuário, Dom Joel recordou a trajetória de São José de Anchieta, jesuíta que deixou as Ilhas Canárias, veio para o Brasil e percorreu diferentes regiões do país, incluindo os atuais estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
O bispo definiu Anchieta como um “andarilho incansável”, cuja vida foi marcada pela missão, pela evangelização e pela caminhada. A tradição local guarda a memória de sua passagem pelo Poço Bento e do surgimento da água no local.
É justamente essa relação entre o santo, a caminhada e a água que, segundo Dom Joel, define o “DNA” do novo santuário.
“Caminhar e beber da água viva”, destacou.
A água, na reflexão do bispo, aponta para Jesus Cristo, apresentado no Evangelho como a fonte de água viva. Por isso, a peregrinação ao Poço Bento deverá conduzir os fiéis não apenas a um local histórico, mas a um encontro com Cristo.
“A identidade do santuário é caminhar com Cristo e para Cristo”, afirmou.
Uma peregrinação que começa com oração
Dom Joel sugeriu que a caminhada dos peregrinos seja acompanhada pela oração. Ao chegarem ao local da fonte, os fiéis poderão recordar o diálogo de Jesus com a samaritana e repetir, no coração, o pedido: “Senhor, dá-me de beber”.
A oração, segundo o bispo, deve expressar o desejo de receber de Deus a fé, a esperança e a caridade.
Como gesto concreto dessa proposta, Dom Joel anunciou que faria, no dia seguinte à instalação do santuário, a primeira peregrinação oficial com os padres do decanato. A caminhada teria início no portão do local e seria realizada como um testemunho de que todos — bispo, sacerdotes e povo de Deus — são peregrinos a caminho de Cristo.
“Queremos dizer: somos todos peregrinos. Caminhamos em direção àquele que é o nosso caminho, a verdade e a vida; aquele que nos dá a água viva”, concluiu Dom Joel.
A instalação do Santuário Diocesano São José de Anchieta marca, assim, o início de uma nova etapa para o Poço Bento. O local, preservado pela memória e pela devoção popular, passa a assumir oficialmente a missão de acolher peregrinos, fortalecer a fé e anunciar Jesus Cristo a partir do testemunho missionário de São José de Anchieta.












