Poço Bento, em Magé, é elevado a Santuário Diocesano de São José de Anchieta

Celebração presidida por Dom Joel Portella Amado reuniu fiéis, sacerdotes e autoridades em Magé.

O Poço Bento, em Magé (RJ), foi oficialmente elevado à condição de Santuário Diocesano São José de Anchieta no Poço Bento durante missa celebrada na manhã de domingo, 23 de agosto, por Dom Joel Portella Amado, bispo da Diocese de Petrópolis. A celebração reuniu o povo de Deus, sacerdotes, autoridades civis e militares, lideranças comunitárias e peregrinos de diferentes localidades. Um dos momentos marcantes da celebração foi a entrega de um livro para pintar, contando a história da santo, as crianças que participaram da celebração acompanhando os pais.

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Com a instalação do novo santuário, a Diocese de Petrópolis passa a contar com três espaços oficialmente reconhecidos para a peregrinação e a vivência da fé. Os outros são o Santuário Bom Jesus de Matosinhos, o mais antigo, com 252 anos, e o Santuário Mariano Nossa Senhora do Amor Divino, criado em 2011 e cuja devoção possui 275 anos de história.

Durante a homilia, Dom Joel destacou que a identidade do novo santuário está relacionada à caminhada e à busca da “água viva”, em referência a Jesus Cristo. Segundo o bispo, São José de Anchieta foi um missionário incansável, que percorreu diferentes regiões do Brasil anunciando o Evangelho.

“Quando desafiado, faz surgir água onde não tinha água, e aí nós chegamos a perceber qual é o DNA do Santuário: caminhar e beber da água viva que é Jesus”, afirmou Dom Joel.

O bispo também ressaltou que o santuário deve ser um lugar de encontro com Deus, acolhimento, oração, celebração dos sacramentos e renovação espiritual. Para ele, a peregrinação permite que os fiéis “recarreguem as baterias” da vida e retornem às suas comunidades fortalecidos pela fé. “A identidade do santuário é caminhar com Cristo e para Cristo”, enfatizou.

Um espaço de acolhida e missão

Durante a celebração, padre Leonardo Tassinari foi apresentado como o primeiro reitor do Santuário São José de Anchieta. Em sua mensagem, ele afirmou que a instalação representa um momento histórico para a Diocese de Petrópolis e para o município de Magé.

De acordo com ele, o Poço Bento, tradicionalmente reconhecido como um lugar ligado à memória da passagem de São José de Anchieta, passa a ter uma missão renovada: ser um espaço de encontro com Jesus Cristo, especialmente para os peregrinos que chegam em busca de conforto, esperança e fortalecimento espiritual.

“Este santuário deixa de ser apenas uma lembrança do passado para se tornar uma fonte permanente de água viva para o presente”, declarou padre Leonardo.

Ao assumir a missão de primeiro reitor, Padre Leonardo destacou o compromisso de transformar o local em um ambiente de acolhida fraterna, silêncio, oração e celebração dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e do perdão. Ele também agradeceu aos voluntários, pastorais, movimentos e fiéis que contribuíram para a realização da instalação do santuário.

Importância para a fé, a cultura e o turismo

Para Daniel Valadares, uma das lideranças da comunidade onde está localizado o santuário, a oficialização representa o reconhecimento de uma história de peregrinação e evangelização ligada a São José de Anchieta. Segundo ele, o santo inspira perseverança diante das dificuldades. “Em cima de todos os obstáculos que ele teve ao longo da vida, nas suas caminhadas, ele nunca desistiu”, afirmou.

 

O coordenador da Pastoral do Turismo, Marcio Rosa, destacou que o novo santuário poderá se tornar uma referência de espiritualidade e cultura para a Baixada Fluminense, especialmente para os municípios de Magé e Guapimirim. Ele ressaltou ainda a importância histórica de São José de Anchieta para a evangelização no Brasil, lembrando que em 2015, a Conferência Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB) o declarou co-padroeiro do Brasil, ressaltando o reconhecimento popular como “Apóstolo do Brasil”.

Representando o poder público, o vereador Marcos Vinicius dos Santos Silva afirmou que a elevação do Poço Bento reconhece a relevância histórica, religiosa e cultural do local. Para ele, o título de santuário poderá ampliar a visitação e fortalecer ações de evangelização e preservação da memória do município.

Em nota, a Prefeitura de Magé classificou a instalação como um marco para a cidade e para a história religiosa do Brasil. Segundo o município, o novo santuário fortalece a importância do Poço Bento como patrimônio de fé, cultura e devoção popular.

“O Santuário da Baixada”

Durante sua homilia, Dom Joel afirmou que o Santuário São José de Anchieta poderá se tornar uma referência espiritual para toda a Baixada Fluminense. O bispo explicou que, diferentemente da paróquia, ligada à presença cotidiana da Igreja, o santuário é um lugar de peregrinação, busca e renovação da fé. “É aquele lugar em que nós encontramos paz, choramos nossas dores, encontramos alguém que nos escuta e nos acolhe”, afirmou.

Dom Joel também reforçou que cada santuário possui uma identidade própria. No Poço Bento, essa identidade estará marcada pela figura de São José de Anchieta, pela caminhada missionária e pela simbologia da água como sinal de vida e da presença de Cristo. “Caminhar e beber da água viva” deverá ser, conforme destacou o bispo, uma das principais características do novo santuário, que nasce com a missão de acolher peregrinos, fortalecer a fé e anunciar o Evangelho.

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