Dom Joel: “Paróquia não é o prédio da igreja, mas a comunidade formada por pessoas”

O bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, presidiu, na quarta-feira (12), a missa solene que abriu as comemorações pelos 60 anos de criação da Paróquia São Sebastião, no bairro Indaiá. A celebração reuniu autoridades, sacerdotes, seminaristas e fiéis da comunidade.

Durante a homilia, Dom Joel destacou que a data não representa apenas o aniversário do prédio onde está instalada a Igreja Matriz, mas principalmente a trajetória da comunidade formada pelos paroquianos, pelas capelas, pelos grupos, pastorais e movimentos.

“Paróquia não é o prédio da igreja. Paróquia é a igreja formada por pessoas. O prédio da igreja é a matriz, a sede”, afirmou.

Segundo o bispo, a paróquia é construída a partir dos vínculos de amizade, das relações estabelecidas e dos serviços prestados à comunidade. Ele ressaltou ainda que muitas ações de caridade são realizadas pelos fiéis de forma espontânea, como expressão da fé e do compromisso cristão.

“Tudo isso representa quanta caridade uma comunidade faz sem perceber. E então a gente vai dizendo: é essa a razão da nossa existência. Lembram qual foi o mandamento que Jesus deixou? ‘Amai-vos uns aos outros’”, disse.

Uma comunidade unida pela fé

Dom Joel também explicou que a comunidade cristã não é formada necessariamente por pessoas ligadas por laços de sangue. Para ele, a fé e o amor por Jesus são os elementos que unem os membros da paróquia.

“A comunidade de fé, na maioria dos casos, não é uma comunidade de sangue. Essa é a novidade da passagem do Antigo para o Novo Testamento. O que nos une é a fé. O que nos une é o amor por Jesus”, afirmou.

Ao recordar os 60 anos de criação da paróquia, o bispo convidou os fiéis a refletirem sobre a história construída ao longo das décadas, marcada por alegrias, dificuldades e pela participação de diferentes sacerdotes e leigos.

“Quanta coisa vivemos! Quanta coisa passamos juntos! Quantas alegrias tivemos! Quantas dificuldades enfrentamos!”, declarou.

Na avaliação de Dom Joel, a permanência da comunidade ao longo dos anos é motivo de ação de graças. Ele afirmou que a caminhada só foi possível porque Deus acompanhou, protegeu e conduziu a paróquia, mesmo nos momentos difíceis.

Igreja como referência

O bispo também abordou o papel da igreja como referência para a comunidade e para o bairro. Ele lembrou que, no passado, os templos eram construídos com torres altas, que podiam ser vistas de longe e serviam como ponto de orientação para a população.

“É referência para quem tem fé e para quem não tem fé. Isso é o prédio da igreja. Mas o que é a Igreja formada por pessoas? E qual é a sua referência?”, questionou.

Para Dom Joel, uma comunidade madura é aquela que, apesar das dificuldades e diferenças, permanece apaixonada por Jesus e procura viver o mandamento do amor.

“Onde dois ou mais estiverem reunidos, a confusão se faz presente. Mas não é para justificar. Na verdade, a comunidade madura é aquela que, apaixonada por Jesus, vive o mandamento de Jesus”, afirmou, em tom descontraído.

A partir das leituras proclamadas na celebração, o bispo ressaltou que a comunidade cristã deve ser um espaço onde as pessoas se sintam acolhidas e cuidadas. Ele comparou essa missão ao cuidado de Deus com as ovelhas.

“O que é, então, a pessoa que descobre a beleza da fé? É aquela que se sente cuidada, mas que vive numa grande família, que é a comunidade”, explicou.

Fé demonstrada por meio da vida

Dom Joel destacou ainda que a missão evangelizadora deve ser realizada por meio das atitudes. De acordo com ele, o cuidado com o outro é uma forma concreta de expressar a presença de Deus.

“O Evangelho vai nos dizer: cuidem de todo mundo. E com a vida ou com as palavras? Primeiro com a vida, mas também com as palavras”, disse.

Para o bispo, uma comunidade que cuida dos seus membros torna visível o amor de Deus e cumpre sua missão no território onde está inserida.

Ao final da homilia, Dom Joel pediu que a Paróquia São Sebastião continue crescendo no acolhimento, na união, na reconciliação, no serviço e na missão.

“Quando outros vierem depois de nós, poderão dizer: aquele pessoal sonhou, lutou e plantou”, afirmou.

O bispo também recordou a importância de homenagear os que participaram dos primeiros anos da paróquia e de agradecer, em oração, por aqueles que já faleceram.

“É muito bom poder dizer ao bom Deus: ‘Obrigado, meu Deus!’”, concluiu.

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